Os índios no Brasil
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A origem dos povos americanos
Os habitantes do continente
americano descendem de populações
advindas da Ásia, sendo que os
vestígios mais antigos de sua
presença na América, obtidos por
meio de estudos arqueológicos, datam
de 11 a 12,5 mil anos. Todavia,
ainda não se chegou a um consenso
acerca do período em que teria
havido a primeira leva migratória.
Os povos indígenas que hoje vivem na
América do Sul são originários de
povos caçadores que aqui se
instalaram, vindo da América do
Norte através do istmo do Panamá, e
que ocuparam virtualmente toda a
extensão do continente há milhares
de anos. De lá para cá, estas
populações desenvolveram diferentes
modos de uso e manejo dos recursos
naturais e formas de organização
social distintas entre si.
Não existe consenso também, entre os
arqueólogos, sobre a antigüidade da
ocupação humana na América do Sul.
Até há alguns anos, o ponto de vista
mais aceito sobre este assunto era o
de que os primeiros habitantes do
continente sul-americano teriam
chegado há pouco mais de 11 mil
anos.
No Brasil, a presença humana está
documentada no período situado entre
11 e 12 mil anos atrás. Mas novas
evidências têm sido encontradas na
Bahia e no Piauí que comprovariam
ser mais antiga esta ocupação, com o
que muitos arqueólogos não
concordam. Assim, há uma tendência
cada vez maior de os pesquisadores
reverem essas datas, já que
pesquisas recentes vêm indicando
datações muito mais antigas.
Há 500 anos
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Links
relacionados |
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Funai |
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Museu do Índio |
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Brasil 500 anos |
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Instituto SocioAmbiental
- ISA |
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Antropologia Indígena - ISA |
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Povos Indígenas do Brasil -
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Artigos
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Como
saber quem é indígena no
Brasil hoje? |
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O orgulho de ser Índio |
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Políticas Indigenistas |
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Cresce
a participação dos índios na
política |
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Movimento indígena no Brasil |
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Artigos
e Documentos em .pdf |
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(Abre em nova janela) |
Violations
of the rights of the
Guarani of Mato Grosso
do Sul State, Brazil
(Violação
dos direitos dos Guarani
de Mato Grosso do Sul) |
|
Estudos realizados pela
Survival International
sobre as
condições de vida dos
indígenas de Mato Grosso do
Sul e encaminhados para o
Comitê das Nações Unidas
pela Eliminação das
Discriminações Raciais
publicados em março de 2010
sob o título “The
Rights of the Guarani of
Mato Grosso do Sul State,
Brazil |
Violência contra os
povos indígenas no Brasil
(Relatório do Conselho
Indigenista Missionário -
CIMI/CNBB) |
|
Relatório sistematizado do
Cimi sobre os levantamentos
das violências sofridas
pelos povos indígenas no
Brasil abarcando os anos de
2006 e 2007 |
Violência contra a
criança e o adolescente
indígena |
|
Artigo de Gersem Baniwa que
trata das diversas formas de
violências dirigidas às
crianças indígenas. |
Os
índios Terena e a Guerra
contra o Paraguai |
|
Artigo de Vera Lúcia
Ferreira Vargas que
evidencia a participação dos
índios Terena, na Guerra
contra o Paraguai
(1864-1870) e a sua
apropriação dessa
participação como uma forma
de reivindicarem os
territórios que,
tradicionalmente, ocupavam
antes desse conflito, na
região do então sul de Mato
Grosso – atualmente Mato
Grosso do Sul. |
Etnia e preconceito: as
representações indígenas nos
livros didáticos |
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Estudo bibliográfico das
representações e imagens
ameríndias presentes nos
livros didáticos
brasileiros, com o objetivo
de observar as maneiras e os
modos com os quais os
autores dessas obras tratam
a temática indígena que,
posteriormente, serão
retrabalhadas pelo professor
em sala de aula. |
O Guarani e a
interdisciplinaridade |
|
Artigo de
Raquel Naveira
publicado na Revista
Philologus, Ano 14, N°
42. Rio de Janeiro: CiFEFiL,
134 set./dez.2008 |
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Há cinco séculos, os portugueses
chegaram ao litoral brasileiro,
dando início a um processo de
migração que se estenderia até o
início do século XX, e
paulatinamente foram
estabelecendo-se nas terras que eram
ocupadas pelos povos indígenas.
O processo de colonização levou à
extinção muitas sociedades indígenas
que viviam no território dominado,
seja pela ação das armas, seja em
decorrência do contágio por doenças
trazidas dos países distantes, ou,
ainda, pela aplicação de políticas
visando à "assimilação" dos índios à
nova sociedade implantada, com forte
influência européia.
Embora não se saiba exatamente
quantas sociedades indígenas
existiam no Brasil à época da
chegada dos europeus, há estimativas
sobre o número de habitantes nativos
naquele tempo, que variam de 1 a 10
milhões de indivíduos.
Números que servem para dar uma
idéia da imensa quantidade de
pessoas e sociedades indígenas
inteiras exterminadas ao longo
desses 500 anos, como resultado de
um processo de colonização baseado
no uso da força, por meio das
guerras e da política de
assimilação.
Ao
longo de séculos de contato com a
civilização ocidental, aquele
contingente indígena inicial sofreu
contínuo processo de redução
populacional que provavelmente durou
até o fim da década de 1950.
A
partir de então houve uma recuperação
demográfica, facilitada pela demarcação
- ainda inconclusa - das terras
tradicionalmente ocupadas pelos grupos
indígenas, e pela extensão de serviços
de assistência prestados pelos órgãos
do estado, missões laicas e
religiosas.
A
população indígena do Brasil alcança
hoje o número de 325.652 indivíduos.
Esse número tende a crescer diante da
continuidade dos mecanismos de proteção
de taxas de natalidade superiores à média
nacional.
Essa
população está distribuída em
cerca de 215 etnias, que falam cerca
de 170 línguas distintas. A
classificação lingüística
reconhece a existência de dois
troncos principais (tupi e macro-jê)
e de outras seis famílias lingüísticas
de importância significativa (aruak,
arawá, karib, maku, tukano e
yanomami), além de muitas línguas
sem filiação definida.
Cerca
de 60% da população indígena
brasileira vive na região designada
como Amazônia Legal, mas registra-se
a presença de grupos indígenas em
praticamente todas as unidades da
Federação. Somente no Rio Grande do
Norte, no Piauí e no Distrito Federal
não se encontram grupos indígenas.
Estimativas dão conta que, além
destes, há entre 100 e 190 mil
vivendo fora das terras indígenas,
inclusive em áreas urbanas. Há
também 63 referências de índios
ainda não-contatados, além de
existirem grupos que estão
requerendo o reconhecimento de sua
condição indígena junto ao órgão
federal indigenista.
A
característica principal da população
indígena do Brasil é a sua grande
heterogeneidade cultural. Vivem no
Brasil desde grupos que ainda não
foram contatados e permanecem
inteiramente isolados da civilização
ocidental, até grupos indígenas
semi-urbanos e plenamente integrados
às economias regionais.
Independentemente do grau de integração
que mantenham com a sociedade
nacional, esses grupos aculturados
preservam sua identidade étnica, se
auto-identificam e são identificados
como índios.
Atualmente
os principais grupos indígenas
brasileiros em expressão demográfica
são: Tikuna, Tukano, Macuxi,
Yanomami, Guajajara, Terena,
Pankaruru, Kayapó, Kaingang, Guarani,
Xavante, Xerente, Nambikwara,
Munduruku, Mura, Sateré-Maué, dentre
outros.
Os Estados do Amazonas, Mato Grosso
do Sul e Roraima possuem,
respectivamente, as três maiores
populações indígenas do país. No
quadro a seguir encontra-se a
distribuição dos grupos indígenas
nas diferentes unidades da Federação
e seu contingente populacional. As
terras indígenas no Brasil cobrem uma
extensão de 946.452 Km quadrados, o
que corresponde a cerca de 11,12% do
território nacional.
O que é ser índio
Os habitantes das Américas foram
chamados de índios pelos europeus que
aqui chegaram. Uma denominação genérica,
provocada pela primeira impressão que
eles tiveram de haverem chegado às
Índias.
Mesmo depois de descobrir que não
estavam na Ásia, e sim em um continente
até então desconhecido, os europeus
continuaram a chamá-los assim, ignorando
propositalmente as diferenças
lingüístico-culturais. Era mais fácil
tornar os nativos todos iguais,
tratá-los de forma homogênea, já que o
objetivo era um só: o domínio político,
econômico e religioso.
Se no Período Colonial era assim, ao
longo dos tempos, definir quem era índio
ou não constituiu sempre uma questão
legal. Desde a independência em relação
às metrópoles européias, vários países
americanos estabeleceram diferentes
legislações em relação aos índios e
foram criadas instituições oficiais para
cuidar dos assuntos a eles relacionados.
Nas últimas décadas, o critério da
auto-identificação étnica vem sendo o
mais amplamente aceito pelos estudiosos
da temática indígena. Na década de 50, o
antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro
baseou-se na definição elaborada pelos
participantes do II Congresso
Indigenista Interamericano, no Peru, em
1949, para assim definir, no texto
"Culturas e línguas indígenas do
Brasil", o indígena como: "(...) aquela
parcela da população brasileira que
apresenta problemas de inadaptação à
sociedade brasileira, motivados pela
conservação de costumes, hábitos ou
meras lealdades que a vinculam a uma
tradição pré-colombiana. Ou, ainda mais
amplamente: índio é todo o indivíduo
reconhecido como membro por uma
comunidade pré-colombiana que se
identifica etnicamente diversa da
nacional e é considerada indígena pela
população brasileira com quem está em
contato".
Uma definição muito semelhante foi
adotada pelo Estatuto do Índio (Lei nº.
6.001, de 19.12.1973), que norteou as
relações do Estado brasileiro com as
populações indígenas até a promulgação
da Constituição de 1988.
Em suma, um grupo de pessoas pode ser
considerado indígena ou não se estas
pessoas se considerarem indígenas, ou se
assim forem consideradas pela população
que as cerca. Mesmo sendo o critério
mais utilizado, ele tem sido colocado em
discussão, já que muitas vezes são
interesses de ordem política que levam à
adoção de tal definição, da mesma forma
que acontecia há 500 anos.
Identidade, sociedade e diversidade
As populações indígenas são vistas pela
sociedade brasileira ora de forma
preconceituosa, ora de forma idealizada.
O preconceito parte, muito mais,
daqueles que convivem diretamente com os
índios: as populações rurais.
Dominadas política, ideológica e
economicamente por elites municipais com
fortes interesses nas terras dos índios
e em seus recursos ambientais, tais como
madeira e minérios, muitas vezes as
populações rurais necessitam disputar as
escassas oportunidades de sobrevivência
em sua região com membros de sociedades
indígenas que aí vivem. Por isso,
utilizam estereótipos, chamando-os de
"ladrões", "traiçoeiros", "preguiçosos"
e "beberrões", enfim, de tudo que possa
desqualificá-los. Procuram justificar,
desta forma, todo tipo de ação contra os
índios e a invasão de seus territórios.
Já a população urbana, que vive
distanciada das áreas indígenas, tende a
ter deles uma imagem favorável, embora
os veja como algo muito remoto. Os
índios são considerados a partir de um
conjunto de imagens e crenças amplamente
disseminadas pelo senso comum: eles são
os donos da terra e seus primeiros
habitantes, aqueles que sabem conviver
com a natureza sem depredá-la. São
também vistos como parte do passado e,
portanto, como estando em processo de
desaparecimento, muito embora, como
provam os dados, nas três últimas
décadas tenha se constatado o
crescimento da população indígena.
Só recentemente os diferentes segmentos
da sociedade brasileira estão se
conscientizando de que os índios são
seus contemporâneos. Eles vivem no mesmo
país, participam da elaboração de leis,
elegem candidatos e compartilham
problemas semelhantes, como as
conseqüências da poluição ambiental e
das diretrizes e ações do governo nas
áreas da política, economia, saúde,
educação e administração pública em
geral. Hoje, há um movimento de busca de
informações atualizadas e confiáveis
sobre os índios, um interesse em saber,
afinal, quem são eles.
Qualquer grupo social humano elabora e
constitui um universo completo de
conhecimentos integrados, com fortes
ligações com o meio em que vive e se
desenvolve. Entendendo cultura como o
conjunto de respostas que uma
determinada sociedade humana dá às
experiências por ela vividas e aos
desafios que encontra ao longo do tempo,
percebe-se o quanto as diferentes
culturas são dinâmicas e estão em
contínuo processo de transformação.
O Brasil possui uma imensa diversidade
étnica e lingüística, estando entre as
maiores do mundo. São 215 sociedades
indígenas, mais cerca de 55 grupos de
índios isolados, sobre os quais ainda
não há informações objetivas. 180
línguas, pelo menos, são faladas pelos
membros destas sociedades, as quais
pertencem a mais de 30 famílias
lingüísticas diferentes.
No entanto, é importante frisar que as
variadas culturas das sociedades
indígenas modificam-se constantemente e
reelaboram-se com o passar do tempo,
como a cultura de qualquer outra
sociedade humana. E é preciso considerar
que isto aconteceria mesmo que não
houvesse ocorrido o contato com as
sociedades de origem européia e
africana.
No que diz respeito à identidade étnica,
as mudanças ocorridas em várias
sociedades indígenas, como o fato de
falarem português, vestirem roupas
iguais às dos outros membros da
sociedade nacional com que estão em
contato, utilizarem modernas tecnologias
(como câmeras de vídeo, máquinas
fotográficas e aparelhos de fax), não
fazem com que percam sua identidade
étnica e deixem de ser indígenas.
A diversidade cultural pode ser enfocada
tanto sob o ponto de vista das
diferenças existentes entre as
sociedades indígenas e as não-indígenas,
quanto sob o ponto de vista das
diferenças entre as muitas sociedades
indígenas que vivem no Brasil. Mas está
sempre relacionada ao contato entre
realidades socioculturais diferentes e à
necessidade de convívio entre elas,
especialmente num país pluriétnico, como
é o caso do Brasil.
É necessário reconhecer e valorizar a
identidade étnica específica de cada uma
das sociedades indígenas em particular,
compreender suas línguas e suas formas
tradicionais de organização social, de
ocupação da terra e de uso dos recursos
naturais. Isto significa o respeito
pelos direitos coletivos especiais de
cada uma delas e a busca do convívio
pacífico, por meio de um intercâmbio
cultural, com as diferentes etnias.
Muitos dos nomes usados para designar as
sociedades indígenas que vivem no Brasil
não são autodenominações destas
sociedades. Foram imensas as
dificuldades de comunicação entre os
europeus e os nativos da terra, bem
como, muito mais tarde, entre os
funcionários do órgão indigenista
oficial e mesmo entre os antropólogos e
os índios, motivadas pelo
não-entendimento das línguas faladas.
Assim sendo, é comum que uma sociedade
indígena seja conhecida por uma
denominação que lhe foi atribuída
aleatoriamente pelos primeiros
indivíduos que entraram em contato com
ela ou pela denominação dada pelos
inimigos tradicionais. Ela é quase
sempre pejorativa. E há, ainda,
sociedades que receberam nomes
diferentes em épocas diversas.
Portanto, a mesma sociedade indígena
pode ser conhecida por vários nomes e
eles nem sempre são escritos da mesma
forma. Isto depende de convenção feita
pelos não-índios, uma vez que os
falantes originais das línguas indígenas
eram ágrafos, isto é, não conheciam a
escrita.
Existe uma "Convenção para a grafia dos
nomes tribais" estabelecida pela
Associação Brasileira de Antropologia
(ABA) em 1953. Embora muitos aspectos
desta convenção sejam respeitados pelos
antropólogos até hoje, há outros
aspectos que nunca foram seguidos.
As línguas indígenas
A língua é o meio básico de organização
da experiência e do conhecimento
humanos. Quando falamos em língua,
falamos também da cultura e da história
de um povo. Por meio da língua, podemos
conhecer todo um universo cultural, ou
seja, o conjunto de respostas que um
povo dá às experiências por ele vividas
e aos desafios que encontra ao longo do
tempo.
Há várias maneiras de se classificar as
línguas. Os lingüistas atuais consideram
como mais apropriada a classificação do
tipo genético. Eles só recorrem a outros
tipos de classificação quando não há
dados suficientes para realizar a
classificação por meio do critério
genético.
Na classificação genética, reúnem-se
numa mesma classe as línguas que tenham
tido origem comum numa outra língua mais
antiga, já extinta. Desta forma, as
línguas faladas pelos diversos povos da
Terra são agrupadas em famílias
lingüísticas, e estas famílias são
reunidas em troncos lingüísticos, sempre
buscando a origem comum numa língua
anterior.
Embora o português seja a língua oficial
no Brasil, deve haver por volta de
outras 200 línguas faladas regularmente
por segmentos da população. Um exemplo
são os descendentes de imigrantes
italianos, japoneses etc., que em
determinados contextos falam a língua
materna.
Ainda hoje, muitos índios falam
unicamente sua língua, desconhecendo o
português. Outros tantos falam o
português como sua segunda língua. O
lingüista brasileiro Aryon Dall'Igna
Rodrigues estabeleceu uma classificação
das línguas indígenas faladas no Brasil,
sendo esta a mais utilizada pela
comunidade científica que se dedica aos
estudos pertinentes às populações
indígenas.
As línguas são agrupadas em famílias,
classificadas como pertencentes aos
troncos Tupi, Macro-Jê e Aruak. Há
Famílias, entretanto, que não puderam
ser identificadas como relacionadas a
nenhum destes troncos. São elas: Karib,
Pano, Maku, Yanoama, Mura, Tukano,
Katukina, Txapakura, Nambikwara e
Guaikuru.
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http://www.acercandoelmundo.com/contenidostemas/contenidos.asp?id=336 |
Além disso, outras línguas não puderam
ser classificadas pelos lingüistas
dentro de nenhuma família, permanecendo
não-classificadas ou isoladas, como a
língua falada pelos Tükúna, a língua dos
Trumái, a dos Irântxe etc.
Ainda existem as línguas que se
subdividem em diferentes dialetos, como,
por exemplo, os falados pelos Krikatí,
Ramkokamekrá (Canela), Apinayé, Krahó,
Gavião (do Pará), Pükobyê e Apaniekrá
(Canela), que são, todos, dialetos
diferentes da língua Timbira.
Há sociedades indígenas que, por viverem
em contato com a sociedade brasileira há
muito tempo, acabaram por perder sua
língua original e por falar somente o
português. De algumas dessas línguas não
mais faladas ficaram registros de grupos
de vocábulos e informações esparsas, que
nem sempre permitem aos lingüistas
suficiente conhecimento para
classificá-las em alguma família. De
algumas outras línguas, não ficaram nem
resquícios.
Estima-se que cerca de 1.300 línguas
indígenas diferentes eram faladas no
Brasil há 500 anos. Hoje são 180, número
que exclui aquelas faladas pelos índios
isolados, uma vez que eles não estão em
contato com a sociedade brasileira e
suas línguas ainda não puderam ser
estudadas e conhecidas.
Ressalte-se que o fato de duas
sociedades indígenas falarem línguas
pertencentes a uma mesma família não faz
com que seus membros consigam
entender-se mutuamente. Um exemplo disso
se dá entre o português e o francês:
ambas são línguas românicas ou
neolatinas, mas os falantes das duas
línguas não se entendem, apesar das
muitas semelhanças lingüísticas
existentes entre ambas.
É importante lembrar que o
desaparecimento de tantas línguas
representa uma enorme perda para a
humanidade, pois cada uma delas expressa
todo um universo cultural, uma vasta
gama de conhecimentos, uma forma única
de se encarar a vida e o mundo.
Índios isolados
Alguns povos indígenas, desde a época do
Descobrimento, mantiveram-se afastados
de todas as transformações ocorridas no
País. Eles mantêm as tradições culturais
de seus antepassados e sobrevivem da
caça, pesca, coleta e agricultura
incipiente, isolados do convívio com a
sociedade nacional e com outros grupos
indígenas.
Os índios isolados defendem bravamente
seu território e, quando não podem mais
sustentar o enfrentamento com os
invasores de seus domínios, recuam para
regiões mais distantes, na esperança de
lograrem sobreviver escondendo-se para
sempre.
Pouca ou nenhuma informação se tem sobre
eles e, por isso, sua língua é
desconhecida. Entretanto, sabe-se que
alguns fatores são fundamentais para
possibilitar a existência futura desses
grupos. Entre eles, a demarcação das
terras onde vivem e a proteção ao meio
ambiente, de forma a garantir sua
sobrevivência física e cultural.
No processo de ocupação dos espaços
amazônicos, o conhecimento e o
dimensionamento das regiões habitadas
por índios isolados são fundamentais
para que se possa evitar o confronto e a
destruição desses grupos.
Há na FUNAI, desde 1987, uma unidade
destinada a tratar da localização e
proteção dos índios isolados, cuja
atuação se dá por meio de sete equipes,
denominadas Frentes de Contato, atuando
nos estados do Amazonas, Pará, Acre,
Mato Grosso, Rondônia e Goiás.
Fontes: |