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"O ensino médio não sabe
o que fazer
com a
diversidade
dos alunos.
O dilema
mais grave é
preparar
para
o trabalho
ou preparar
para o curso
superior,
objetivos
que competem
seriamente"
Um aluno fez
uma bela
descrição do
ensino
médio.
Segundo ele,
quando
cursava o
fundamental,
estudava
coisas
interessantes.
Caminhando
pelas ruas
ou pelos
campos, via
no mundo
real o que
havia
aprendido na
escola. Ao
galgar o
médio,
olhando na
rua, não via
nada do que
havia
aprendido.
Era tudo
abstrato e
distante do
mundo real.
Estava
frustrado.
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Atômica
Studio
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Por tudo o
que sabemos,
o médio é o
nível mais
engasgado.
Está no meio
do caminho.
Não sabe o
que fazer
com a
diversidade
crescente de
alunos – que
não sabem o
que querem.
Tem
demasiadas
missões:
precisa
arredondar a
formação
inicial do
aluno,
oferecer uma
competência
mínima nas
ciências e
nas
humanidades
e fixar os
valores de
cidadania e
identidade
cultural.
O dilema
mais grave
do médio é
preparar
para o
trabalho ou
preparar
para o
superior,
objetivos
que competem
seriamente
pelo tempo
do aluno.
Preparar
para o
trabalho
pode exigir
a formação
profissional.
É o império
da prática,
do
conhecimento
voltado para
a aplicação
concreta.
Contudo, a
metade dos
alunos vai
diretamente
para o
mercado de
trabalho. O
que ensinar
a eles no
médio?
Conhecimentos
práticos?
Mas não há
nada mais
prático do
que uma boa
teoria, pois
é a
ferramenta
para pensar
corretamente.
O outro
papel do
médio é
preparar
para o
ensino
superior. No
fundo,
significa
ceder à
pressão para
aprender o
que quer que
seja pedido
nos
vestibulares.
É universal
a existência
desses
conflitos de
objetivos.
Mas cada
país tem uma
fórmula
própria para
enfrentá-los,
refletindo a
sua história
e cultura.
O grande
divisor de
águas é o
que fazer
com o lado
profissional
do ensino,
versus o
lado
acadêmico.
Ademais,
alguns
países
oferecem
vertentes
mais fáceis
e aplicadas
(o que não
quer dizer
profissionalizantes)
e vertentes
mais
acadêmicas e
teóricas.
Há dois
grandes
modelos. Um
modelo tem
origem
européia, no
qual há uma
multiplicação
de
alternativas
após o
fundamental.
Há trajetos
puramente
acadêmicos.
Há os que
mesclam o
acadêmico
com uma
iniciação
profissional.
Há opções
puramente
profissionais,
até mesmo
sem acesso
ao superior.
Ou seja, ao
longo do
caminho
aparecem
diversas
bifurcações,
atendendo às
aptidões e
preferências
dos alunos
para
assuntos
práticos ou
para as
abstrações
de uma
trajetória
acadêmica.
O outro
modelo
nasceu
nos Estados
Unidos,
com suas
comprehensive
high schools.
Embora seja
a única
opção para
todos, há
uma oferta
diversificada,
com
disciplinas
preparando
para o
superior e
outras de
formação
profissional.
Além disso,
a mesma
disciplina
pode ser
oferecida
com níveis
diferentes
de
exigências.
Cada aluno
pode
escolher seu
cardápio de
cursos, de
acordo com
suas
preferências
e aptidões.
Uns aprendem
a soldar. Na
sala ao
lado, outros
estudam os
diálogos de
Platão ou
até
sânscrito.
A Europa
lida com a
diversidade
especializando
as escolas.
Os Estados
Unidos criam
uma escola
única, mas,
uma vez lá
dentro, há
muitos
trajetos
possíveis.
Diante
desses dois
modelos (com
todas as
suas
variantes),
o Brasil
optou por um
terceiro.
Na teoria, é
muito
flexível.
Mas, na
prática,
acabamos com
um sistema
único. Não
se pode
escolher
entre
escolas
diferentes
nem há um
leque de
opções
dentro da
mesma
escola.
Terminamos
com uma
escola única
que não
consegue
oferecer aos
alunos
academicamente
menos
ambiciosos
uma educação
sólida, no
nível em que
possam
beneficiar-se
dela. No
outro
extremo,
soterramos
com um
entulho de
conteúdos os
que
freqüentam
escolas onde
o verdadeiro
currículo é
o vestibular
da
universidade
pública mais
próxima. O
preço de
ensinar de
mais é que
os alunos
aprendem de
menos.
Nunca demos
a atenção
devida ao
técnico –
que não
passa de um
monte de
matérias
profissionalizantes
que se somam
ao currículo
já
sobrecarregado
do médio (22
disciplinas
no técnico
de
eletrônica
da UFMG!).
Repetimos o
que costuma
não dar
certo
alhures.
Diante da
alternativa
bem-sucedida
de deixar o
técnico para
depois de
formado, os
ideólogos da
área
protestaram,
citando
Gramsci, um
autor
falecido
antes de o
ensino
técnico
tomar corpo.
Dá para
desconfiar,
quando a
solução
tupiniquim é
diferente de
todas as
outras.
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