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Brasília – Dez meses depois do anúncio
da proposta, começa a sair do papel a
criação da Prova Nacional de Concurso
para o Ingresso na Carreira Docente. A
ideia do Ministério da Educação (MEC) é
aplicar anualmente uma prova para
selecionar professores interessados em
trabalhar na rede pública.
Os resultados serão utilizados pelas
secretarias municipais e estaduais de
Educação que aderirem ao projeto. A
portaria que normatiza o exame foi
publicada
hoje (3/3/2011) no Diário
Oficial da União e a
matriz dos
conteúdos
está disponível para consulta pública na
internet.
A prova será de responsabilidade do
Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais (Inep).
Inicialmente, a ideia é que ela fosse
aplicada em 2011, mas a primeira edição
será no ano que vem, adianta o ministro
Fernando Haddad. Logo que a proposta foi
lançada, entidades que representam as
instituições formadoras de professores e
representantes da categoria questionaram
o formato e a finalidade do exame. O MEC
e o Inep tiverem que sentar à mesa com
essas organizações para fechar a matriz
e instituir um comitê de governança que
dará a palavra final sobre o documento.
“A conclusão de vários estudos é de que
as provas de concurso, em geral, são mal
elaboradas do ponto de vista da seleção
de quem vai trabalhar em sala de aula,
elas não definem claramente qual é o
perfil do bom professor. Nosso trabalho
agora é legitimar uma matriz de
referência que possa ser usada inclusive
por aqueles que que não queiram se
valer da prova nacional”, defende
Haddad.
Segundo o ministro, anualmente cerca de
100 mil professores ingressam na rede
pública. Ele acredita que a matriz pode
servir de referência para que estados e
municípios melhorem seus processos
seletivos. “Nosso papel é induzir. Esse
trabalho causa impacto na qualidade dos
concursos, independentemente da
realização da prova nacional. Isso tem
impacto para trás, na formação inicial,
e para frente, na própria carreira”,
diz.
Ainda não há previsão de quando a
primeira edição será realizada e,
segundo Haddad, não há “pressa”. As
entidades deverão apresentar sugestões
de alteração à matriz até o fim de
março. A presidenta do Inep, Malvina
Tuttmann, explica que o próximo passo é
fazer uma chamada pública para
especialistas em educação interessados
em formar um banco de itens, já que o
Inep não tem questões preparadas para
avaliar esse público. “Isso já vai
ocorrer paralelamente. Esses
profissionais serão qualificados para
fazer um exame de grande escala”,
aponta.
De acordo com o documento, a prova vai
avaliar o profissional a partir de três
dimensões: profissão docente e
cidadania, trabalho pedagógico e
domínio dos conteúdos
curriculares. Serão exigidos
conhecimentos em temas como políticas
educacionais, gestão do trabalho
pedagógico, além do
domínio dos conteúdos como
língua portuguesa , matemática, história
e artes.
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