
O que
mais
fere um
professor
digno é
ter que
aprovar
um aluno
que não
mereça.
Mas por
que o
professor
tem que
aprovar
aluno
não
merecedor?
Porque o professor é
pressionado
pelos
governos,
donos da
escola,
diretoria/supervisor
de
ensino/coordenador
de área,
pais do
aluno
não
merecedor,
insultuoso
excesso
de
trabalho,
aviltante
salário,
falta de
condições
adequadas
de
atualização
do
processo
ensino/aprendizagem,
mercantilização
do
ensino,
falta de
respeito/reconhecimento
e abuso
dos
alunos,
destruição
do sonho
ao
abraçar
a
carreira
de
professor,
que
maltratam
sua alma
pela
destruição
de sua
auto-estima.
Professores do ensino
público
foram
guilhotinados
nas suas
funções
de
ensino/aprendizagem
quando
se viram
obrigados
a
aprovar
todos os
estudantes
por uma
lei que
proibia
a
reprovação
a não
ser
pelas
faltas
às
aulas.
Esta lei
ficou
conhecida
como
"aprovação
automática".
Aprender
ou não
deixou
de ser
significativo
e o
aluno
era
simplesmente
aprovado.
Os
"beneficiados"
por esta
lei
estão
constatando
pela sua
vida
prática
o quanto
foram
prejudicados,
pois o
mercado
de
trabalho
não
emprega
quem não
tem
competência,
que é o
que os
alunos
deixaram
de
adquirir
ao não
aprender
o
necessário
para
merecer
um
diploma.
São
formados
até pelo
ensino
médio,
mas são
analfabetos
funcionais.
Muitos
donos de
escola
autodenominam-se
como
mantenedores.
Pelo
Houaiss,
mantenedor
é aquele
que
mantém,
sustenta,
defende,
protege
e vem da
palavra
espanhola
mantener,
que
significa
"manter,
prover
de
alimento".
Hoje,
muitos
mantenedores
têm suas
escolas
como
fontes
de
renda.
Mensalidades
pagas
pelos
alunos
mantêm e
'alimentam'
a
escola.
Uma
escola
privada
que não
gere
renda
torna-se
financeiramente
inviável
e é
fechada
ou
vendida.
Os
alunos
como
clientes
de lojas
"sempre
têm
razão".
Basta
reclamarem
ou
brigarem
com um
professor
para
ameaçarem
procurar
outra
escola.
O
docente,
num
episódio
como
esse,
pode ser
advertido,
punido
ou até
mesmo
despedido
pelo
mantenedor.
Esquecem-se
os
mantenedores
escolares
que os
alunos
geralmente
estão
pouco
interessados
em
aprender
e muito
menos em
estudar
e querem
ser
aprovados.
A
maioria
dos
professores
acaba
sendo
atropelada
pelos
interesses
financeiros
dos
mantenedores.
Os
verdadeiros
mantenedores
são
empresas,
ONGs,
instituições
beneficentes
que
realmente
sustentam
escolas
cujos
alunos
nada ou
pouco
pagam
para
estudar
e
aprender.
Quando surgem conflitos
entre
professores
e
alunos,
a
maioria
dos
diretores,
supervisores
e
coordenadores
de
ensino
acaba
atendendo
mais aos
interesses
dos
alunos
que ao
currículo
programático
e os
interesses
pedagógicos.
Eles
temem
pais
querelantes
que
ameaçam
denunciar
e até
processar
a escola
e seus
funcionários
para
superproteger,
mesmo
que
indevidamente,
os seus
filhinhos,
verdadeiros
príncipes
herdeiros.
As
maiores
vítimas
das
agressões
nas
escolas
são os
professores,
o elo
mais
frágil
da
educação,
quando
deveria
ser o
mais
forte,
pois
eles
representam
a escola
na
educação.
20% das
agressões
aos
professores
vêm
diretamente
dos
pais.
Pais que vêm questionar
por que
o seu
inocente
filho
está
sendo
perseguido
por
algum
professor
desalmado
ou
implorar
para que
o seu
esforçado
filho
não
repita
de ano
por
causa de
um único
pontinho
na nota.
Esses
pais
estão
financiando
o
despreparo
e a má
formação
do seu
filho
quando
assim o
fazem.
Professores
são
representantes
sociais
que os
alunos
têm que
aprender
a
respeitar.
Os
filhos
não
podem
cuspir
no prato
que
comem e
os
alunos
não
podem
maltratar
os
professores
que os
capacitam
para a
vida.
Quais foram os sonhos e
as
pretensões
que
alimentaram
os
professores
quando
jovens,
para que
eles
resolvessem
abraçar
o
magistério?
Na sua
etimologia,
o
Houaiss
traz:
lat.
magisterìum,ìi
'dignidade,
ofício
de
chefe;
meio de
curar,
tratamento'.
Mas a
prática
e os
sistemas
de
educação
no
Brasil
tiraram
do
docente
a sua
alma
generosa,
digna e
necessária
à
formação
dos
futuros
cidadãos,
e
colocaram
no lugar
a falta
do
reconhecimento,
a
impotência,
a
pobreza,
a
dificuldade
e/ou
impossibilidade
de
atualização
na sua
carreira
e a
desrealização
do seu
ofício,
quando
lhe
tiraram
a
competência
de
avaliar
se o
aluno
merece
ou não
ser
aprovado
.