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Vamos enterrar as provas decorebas?
A nova geração de
professores tem o desafio de enterrar de
vez os testes que se baseiam em pura
memorização |
Prova funciona? Tão importante quanto discutir a
contextualização dos conteúdos de forma
interdisciplinar em Geografia, para que não se
percam no vazio, é analisar a avaliação desse
conteúdo e de como dosar a objetividade e a
subjetividade envolvidas no difícil processo de
avaliar os alunos. A avaliação é um instrumento
de análise que tem o poder tanto de estimular a
busca pelo conhecimento quanto de
desencorajá-lo, levando a uma situação de
apatia.
Partindo da reflexão do pedagogo
francês Charles Hadji de que devemos compreender
que “avaliar não é medir, mas confrontar em um
processo de negociação”, iniciamos a nossa
discussão, afinal, tão ineficaz quanto uma
abordagem retalhada do conteúdo é proceder uma
avaliação fragmentada, meramente quantitativa,
esgotada em si mesma e que não oriente o aluno.
Assim, seja por meio da tradicional prova
escrita, de trabalhos, seminários, seja pela
confecção de mapas, o importante é avaliar o
aluno sob uma ótica formativa que leve em
consideração o progresso obtido no processo de
aprendizagem e que torne a avaliação uma
“poderosa alavanca para a ampliação do êxito
escolar”.
Na Geografia, isso se traduz em um basta às
provas meramente decorativas que testam mais a
capacidade de memorização do que o raciocínio do
aluno. As questões devem ser elaboradas em
níveis de dificuldade, desde as mais simples,
que exigem mera identificação de determinados
fenômenos geográficos, até as que solicitem sua
explicação ou caracterização e outras em que
seja necessário relacioná-los aos demais
conteúdos estudados.
E em qualquer que seja o conteúdo
abordado, da análise de climogramas até a
evolução da população brasileira, esse princípio
da continuidade deve se fazer presente. Podemos
iniciar o processo de avaliação com uma
atividade feita em papel milimetrado em que os
alunos aprendam a construir climogramas (através
dos dados de temperatura e pluviosidade
fornecidos para cada tipo climático) ou
pirâmides etárias (através dos dados
estatísticos fornecidos pelo IBGE para cada
década do século passado). Somente após entender
o mecanismo de sua construção, passamos para a
análise desses gráficos e a posterior comparação
dos mesmos, etapa que o aluno pode fazer em
grupo, com colegas que tenham construído
gráficos diferentes do seu. Finalmente, é
possível elaborar uma prova partindo da
identificação dos tipos climáticos ou dos
períodos a que as pirâmides etárias
correspondem, passando por questões que
caracterizam climas ou expliquem o formato das
pirâmides e concluindo com aquelas mais amplas
que exijam comparar tipos climáticos
relacionando-os a outros fenômenos geográficos
ou inferir, por exemplo, questões econômicas e
sociais com base na evolução das pirâmides
etárias.
Todo esse cuidado com a continuidade
do processo de aprendizagem garante para o aluno
a clareza na correção e fornece indicações
valiosas sobre como continuar os estudos,
afinal, “o aluno precisa compreender o seu erro
para não mais cometê-lo e progredir”. |