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Qualquer situações de humilhação provocada por
superiores no ambiente de trabalho é assédio
moral!
O termo é recente, mas as
ações praticadas são bem antigas. São situações
que acontecem com freqüência causando, na
vítima, sentimento de inferioridade,
incapacidade e até mesmo culpa.
O assédio moral é uma violência porque pode
causar no subordinado assediado problemas de
saúde física e psíquica. Esse tipo de assédio,
na maioria das vezes, pode acontecer sutilmente,
como por exemplo, brincadeiras que desvalorizem
e ridicularizem o profissional ou comentários
que possam colocar em dúvida a capacidade
profissional do subordinado; também pode
acontecer através de atitudes mais visíveis,
como agressão verbal, ameaça constante de
demissão ou desvio de função para a qual o
profissional foi contratado.
Mesmo sendo uma
violência, o assédio moral não está previsto no
Código Penal Brasileiro, o que impede que o
agressor seja penalizado juridicamente. Segundo
Mardônio da Silva Girão, professor de Direito,
existem algumas leis específicas de entes
políticos que tratam desse tema, mas essas leis
aplicam-se apenas a servidores públicos. “Já
existe um projeto de lei sobre assédio moral no
trabalho, esse projeto já passou pela Comissão
de Constituição e Justiça e Redação e aguarda
para ser aprovado pelo Congresso Nacional, sendo
aprovado pelo Congresso se tornará uma lei e
então será possível penalizar o agressor”,
explica o professor.
Mesmo não existindo uma
lei que regulamente esse tipo de violência no
trabalho, é importante a conscientização de que
tais situações acontecem e que não podem ser
aceitas. Muitos professores têm sido vítimas
desse tipo de assédio e adoecem devido à pressão
que sofrem por parte de muitas coordenações e
direções. O importante é que a categoria esteja
solidária e unida para combater essa forma de
humilhação.
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Uma história verídica sobre assédio
moral |
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Em
uma escola privada, localizada na
cidade de São Bernardo do Campo, um
professor sofreu por mais de 1 ano
diversas situações de assédio moral.
Ele conta que na escola onde
trabalhava, era, por parte da
coordenação, bastante valorizado e
respeitado pelo
trabalho que exercia. “Era um
projeto que se destacava e tinha
muita visibilidade e isso provocava
ciúmes em algumas pessoas da escola,
especialmente a psicopedagoga, que
era uma pessoa difícil e com quem eu
tinha uma relação conflituosa”,
conta o
professor.
Passado algum tempo, o coordenador
foi transferido para outra escola e
a psicopedagoga assumiu a função de
coordenação e passou a desprezar e
dificultar o trabalho que ele
realizava. A
escola cortou o projeto e, aos
poucos, ele foi sendo colocado de
lado. O professor que era valorizado
passou a ser ignorado como pessoa e
como profissional. Apresentava
projetos e não tinha retorno, quando
falava nas reuniões era ignorado,
havia reunião
entre coordenação e docentes e ele
não era chamado.
Essa situação fez com que ele fosse
perdendo interesse pelo trabalho.
Passou a ter insônias,
irritabilidade e isso prejudicou a
sua relação com os alunos, pois não
sentia tranqüilidade para trabalhar.
Perdeu o bom humor. Para agravar o
problema, ele revela que nesta
escola, a palavra de qualquer pessoa
era mais valorizada que a dos
professores.
Passados 2 anos nessa situação, ele
foi chamado na sala da coordenação
para ser informado que seria
demitido pois não estava
correspondendo às necessidades da
escola.
“Tenho 17 anos de profissão, dei
aulas em diversas escolas da
periferia, lugares até mesmo
bastante perigosos, e nunca havia
vivenciado esse tipo de situação
humilhante e constrangedora”,
desabafa. |
Danos da humilhação à saúde
A humilhação constitui um risco
invisível, porém concreto nas
relações de trabalho e a saúde dos
trabalhadores e trabalhadoras,
revelando uma das formas mais
poderosa de violência sutil nas
relações organizacionais, sendo mais
freqüente com as mulheres e
adoecidos. Sua reposição se realiza
’invisivelmente’ nas práticas
perversas e arrogantes das relações
autoritárias na empresa e sociedade.
A humilhação repetitiva e prolongada
tornou-se prática costumeira no
interior das empresas, onde
predomina o menosprezo e indiferença
pelo sofrimento dos
trabalhadores/as, que mesmo
adoecidos/as, continuam trabalhando.
Freqüentemente os trabalhadores/as
adoecidos são responsabilizados/as
pela queda da produção, acidentes e
doenças, desqualificação
profissional, demissão e conseqüente
desemprego. São atitudes como estas
que reforçam o medo individual ao
mesmo tempo em que aumenta a
submissão coletiva construída e
alicerçada no medo. Por medo, passam
a produzir acima de suas forças,
ocultando suas queixas e evitando,
simultaneamente, serem humilhados/as
e demitidos/as.
Os laços afetivos que permitem a
resistência, a troca de informações
e comunicações entre colegas, se
tornam ’alvo preferencial’ de
controle das chefias se ’alguém’ do
grupo, transgride a norma
instituída. A violência no
intramuros se concretiza em
intimidações, difamações, ironias e
constrangimento do ’transgressor’
diante de todos, como forma de impor
controle e manter a ordem.
Em muitas sociedades, ridicularizar
ou ironizar crianças constitui uma
forma eficaz de controle, pois ser
alvo de ironias entre os amigos é
devastador e simultaneamente
depressivo. Neste sentido,
as ironias
mostram-se mais eficazes que o
próprio castigo. O/A
trabalhador/a humilhado/a ou
constrangido/a passa a vivenciar
depressão, angustia, distúrbios do
sono, conflitos internos e
sentimentos confusos que reafirmam o
sentimento de fracasso e
inutilidade.
As emoções são constitutivas de
nosso ser, independente do sexo.
Entretanto a manifestação dos
sentimentos e emoções nas situações
de humilhação e constrangimentos são
diferenciadas segundo o sexo :
enquanto as mulheres são mais
humilhadas e expressam sua
indignação com choro, tristeza,
ressentimentos e mágoas, estranhando
o ambiente ao qual identificava como
seu, os homens sentem-se revoltados,
indignados, desonrados, com raiva,
traídos e têm vontade de vingar-se.
Sentem-se envergonhados diante da
mulher e dos filhos, sobressaindo o
sentimento de inutilidade, fracasso
e baixa auto-estima. Isolam-se da
família, evitam contar o acontecido
aos amigos, passando a vivenciar
sentimentos de irritabilidade,
vazio, revolta e fracasso.
Passam a conviver com depressão,
palpitações, tremores, distúrbios do
sono, hipertensão, distúrbios
digestivos, dores generalizadas,
alteração da libido e pensamentos ou
tentativas de suicídios que
configuram um cotidiano sofrido. É
este sofrimento imposto nas relações
de trabalho que revela o adoecer,
pois o que adoece as pessoas é viver
uma vida que não desejam, não
escolheram e não suportam.
Sintomas do assédio moral na saúde
Entrevistas realizadas com 870
homens e mulheres vítimas de
opressão no ambiente profissional
revelam como cada sexo reage a essa
situação (em porcentagem)
O que a vítima deve fazer ?
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Resistir : anotar com detalhes
toda as humilhações sofridas
(dia, mês, ano, hora, local ou
setor, nome do agressor, colegas
que testemunharam, conteúdo da
conversa e o que mais você achar
necessário).
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Dar visibilidade, procurando a
ajuda dos colegas,
principalmente daqueles que
testemunharam o fato ou que já
sofreram humilhações do
agressor.
-
-
Organizar. O apoio é fundamental
dentro e fora da empresa.
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Evitar conversar com o agressor,
sem testemunhas. Ir sempre com
colega de trabalho ou
representante sindical.
-
Exigir por escrito, explicações
do ato agressor e permanecer com
cópia da carta enviada ao D.P.
ou R.H e da eventual resposta do
agressor. Se possível mandar sua
carta registrada, por correio,
guardando o recibo.
-
Procurar seu sindicato e relatar
o acontecido para diretores e
outras instancias como : médicos
ou advogados do sindicato assim
como : Ministério Público,
Justiça do Trabalho, Comissão de
Direitos Humanos e Conselho
Regional de Medicina (ver
Resolução
do Conselho Federal de Medicina
n.1488/98 sobre saúde do
trabalhador).
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Recorrer ao Centro de Referencia
em Saúde dos Trabalhadores e
contar a humilhação sofrida ao
médico, assistente social ou
psicólogo.
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Buscar apoio junto a familiares,
amigos e colegas, pois o afeto e
a solidariedade são fundamentais
para recuperação da auto-estima,
dignidade, identidade e
cidadania.
Importante :
Se você é testemunha de cena(s)
de humilhação no trabalho supere
seu medo, seja solidário com seu
colega. Você poderá ser "a
próxima vítima" e nesta hora o
apoio dos seus colegas também
será precioso. Não esqueça que o
medo reforça o poder do
agressor !
Lembre-se :
O assédio moral no trabalho não
é um fato isolado, como vimos
ele se baseia na repetição ao
longo do tempo de práticas
vexatórias e constrangedoras,
explicitando a
degradação
deliberada das condições de
trabalho num contexto
de desemprego, dessindicalização
e aumento da pobreza urbana. A
batalha para recuperar a
dignidade, a identidade, o
respeito no trabalho e a
auto-estima, deve passar pela
organização de forma coletiva
através dos representantes dos
trabalhadores do seu sindicato,
das CIPAS, das organizações por
local de trabalho (OLP),
Comissões de Saúde e procura dos
Centros de Referencia em Saúde
dos Trabalhadores (CRST e CEREST),
Comissão de Direitos Humanos e
dos Núcleos de Promoção de
Igualdade e Oportunidades e de
Combate a Discriminação em
matéria de Emprego e Profissão
que existem nas Delegacias
Regionais do Trabalho.
O basta à
humilhação depende
também da informação,
organização e mobilização dos
trabalhadores. Um ambiente de
trabalho saudável é uma
conquista diária possível na
medida em que haja "vigilância
constante" objetivando condições
de trabalho dignas, baseadas no
respeito ’ao outro como legítimo
outro’, no incentivo a
criatividade, na cooperação.
O combate de forma eficaz ao
assédio moral no trabalho exige
a formação de um coletivo
multidisciplinar, envolvendo
diferentes atores sociais :
sindicatos, advogados, médicos
do trabalho e outros
profissionais de saúde,
sociólogos, antropólogos e
grupos de reflexão sobre o
assédio moral. Estes são passos
iniciais para conquistarmos um
ambiente de trabalho saneado de
riscos e violências e que seja
sinônimo de cidadania.
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