Um professor fazendo uma
explicação a uma classe
mista de alunos. De
repente, o professor
escuta conversas. Ele
interrompe sua
explicação, exige
silêncio e emenda uma
bronca na classe.
O professor agiu
corretamente?
Depende. Se os
conversadores fossem
rapazes, assim como os
outros alunos, ele agiu
acertadamente. Os
rapazes, quando
conversam, não conseguem
prestar atenção no
professor. Ou prestam
atenção na conversa ou
no professor. O
professor também se
atrapalha na sua
explicação. Ou explica
ou escuta. O cérebro
masculino executa uma
coisa de cada vez.
Agora, a bronca na
classe toda, isto é para
mostrar quem manda
naquele território...
Na mesma situação, na
mesma classe, mas agora
é uma professora que
explica. Ela não se
incomoda com as
conversas paralelas,
portanto não interrompeu
a sua explicação nem deu
bronca em ninguém.
A professora agiu
corretamente?
Depende. Se quem
conversava eram os
rapazes, ela fez mal em
não exigir silêncio
deles, pois, com
certeza, eles não
estariam prestando
atenção na explicação.
Mas se fossem garotas,
elas conseguiriam manter
a atenção na explicação
da professora e ainda
fazer comentários
paralelos sobre a roupa,
sapatos, óculos que ela
estivesse usando e
comparar com o que ela
usou "outro dia"... Para
que dar bronca na
classe, se ela não está
incomodada com as
conversas paralelas e
nem querendo mostrar
quem manda lá? Para ela
basta cumprir a sua
parte e não mostrar
autoridade.
Um homem volta para
casa. Ele precisa
descansar. Então liga a
TV e assiste a um jogo
de futebol, a filmes de
luta, briga ou guerra, a
uma corrida de F1.
Prefere ficar sozinho,
em frente à telinha com
jogos de computador. É a
versão moderna do
jurássico caçador cheio
de testosterona.
Uma mulher volta para
casa. Ela também precisa
descansar. Então liga
para uma amiga, se
possível, encontra com
ela, liga a TV para
assistir a uma novela
enquanto conversa com a
empregada ou a um filme
de amor, lê um romance,
cuida da casa. São os
jurássicos hormônios
estrogênio e
progesterona do
relacionamento.
Hoje há homens
assistindo novelas e
mulheres indo a estádios
de futebol. Estarão
degenerando os gêneros a
que pertencem? Muito
propícia a comemoração
de 200 anos do
nascimento de Charles
Darwin. Ele pôs em
confronto a sua criação,
o evolucionismo, com o
criacionismo da Bíblia.
Darwin afirmou na sua
Teoria da Evolução
publicada no seu livro
"A Origem das Espécies":
"há uma seleção natural
ao longo das eras e
sobrevive quem conseguir
se adaptar às mudanças".
O mundo está mudando. A
sobrevivência não
depende mais da força
física, mas da
capacitação
profissional.
O homem era melhor do
que a mulher na
matemática, na
orientação espacial, na
força física, atributos
de um exímio caçador.
Hoje ele precisa saber
também se comunicar e se
relacionar com outras
pessoas.
A mulher cuidava das
crianças, usava todos os
sentidos para perceber
se um filho estava bem
ou não. Sua capacidade
relacional e afetiva
eram atributos
necessários para a
perpetuação da espécie,
e continuam sendo. Hoje
ela precisa saber também
dirigir carros e
empresas, e suas áreas
responsáveis pelas
ciências exatas já estão
sendo estimuladas.
Biologicamente as
diferenças já existentes
deverão permanecer, mas
funcionalmente tanto o
masculino quanto o
feminino terão muito
mais áreas em comum
diminuindo bastante
estas clássicas
diferenças: masculino é
bom nas exatas e
feminino nas humanas.
Içami Tiba
Psiquiatra, educador
e conferencista.
Escreveu “Quem Ama,
Educa! Formando
Cidadãos Éticos" e
mais 22 livros.
Site: www.tiba.com.br