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Como estudar melhor
Volta às aulas é
tempo daquela sensação mista, de
expectativas positivas somadas ao desejo de
que este novo ciclo de obrigações acabe
logo.
Mas o lado ruim das obrigações escolares
não precisa ser maior que o lado bom. Olhe
ao seu redor na sala de aula e você verá
vários colegas que têm bom desempenho e
visivelmente se esforçam menos que você – e
nem estou falando dos CDFs e daquelas raras
pessoas que têm tempo e disposição para se
dedicar integralmente aos estudos, mas sim
de quem já descobriu como estudar melhor
com menos esforço.

Esse é um caminho
diferente para cada um, de acordo com a
disponibilidade, os objetivos, as condições
ambientais, etc. Mas você também pode
estudar com mais efetividade, e pode
começar escolhendo quais das dicas abaixo
podem ser aplicadas à sua rotina de
estudante.
O
Efetividade.net,
como faz todos os anos, revisita as dicas
para ajudar você a se dar bem nas aulas e
nas provas. Veja abaixo a lista, e participe
comentando ou oferecendo suas próprias dicas
na área de comentários!
Quem anota na hora pode estudar menos
depois
Experimente tomar notas à mão: escrita
não é sinônimo de edição de texto, e não
necessariamente as outras alternativas
(confiar na apostila, gravar a voz do
professor, pegar emprestado o caderno do
colega, digitar em sala de aula, etc.) farão
você ganhar tempo, no saldo geral – isto
porque a escrita manual amplia a
memorização imediata e definitiva e o
entendimento, reduzindo portanto a
necessidade de voltar a estudar o mesmo
assunto depois.
Valorize a associatividade: enquanto
anota, procure sempre encontrar padrões e
pontos em comum entre os tópicos do seu
estudo, e associe-os a imagens claras e
vívidas. Se você fizer estes relacionamentos
durante a aula, fica mais fácil relembrar
cada um dos tópicos, pois você pode seguir
mesmo subconscientemente, a cadeia de
ligações – é assim que às vezes lembramos da
resposta de uma questão da prova no momento
em que lemos outra pergunta.

Portanto tenha um
bloco ou caderno para anotações livres,
acostume-se a anotar nele os conceitos
interessantes (e não apenas “copiar tudo que
o professor escrever no quadro”), e coloque
data, título e matéria no topo de cada
página. Não arranque páginas deste caderno,
pois a associatividade da sequência em que
as informações são anotadas também é uma
ferramenta inconsciente poderosa na hora de
lembrar do conteúdo.
Dica extra I:
o
método Cornell de
anotações
adapta-se a qualquer caderno, e facilita a
consulta posterior.
Dica extra II:
Passe a limpo suas
anotações! Aproveitar alguns minutos do seu
tempo de estudo para escrever no mesmo
dia, ou no dia seguinte, pela segunda
vez (agora pode ser à mão, no computador ou
onde você preferir), os mesmos conceitos
anotados durante a aula, organizando-os,
analisando e já sintetizando, é rápido,
favorece a memorização e o entendimento, e
pode reduzir ainda mais a necessidade de
algumas horas de estudo na véspera da prova.
Não confunda material e aprendizado
Aprender é algo que acontece dentro da
sua cabeça, e não nas folhas do caderno.
Rabisque, rasure, faça setas cruzando a
página, ou o que for necessário para
entender e registrar os conceitos.

Não adianta ter 20
canetas diferentes e o caderno mais completo
da turma, se você não entender o que está
escrito, ou se apenas copiar algo que não
compreendeu.
E nunca esqueça: o importante não é a
beleza da letra, nem quantas páginas você
escreve, mas sim o quanto estas anotações
conseguirão ajudá-lo na hora de rever ou
estudar o conteúdo. Dizer muito em poucas
palavras e conseguir entender um assunto a
partir de uma anotação anterior são
habilidades valiosas para toda a vida.
“Quem sabe, faz – quem não sabe, ensina”
Faça como os profissionais: ensine
para aprender. Após ter estudado,
encontre algum colega que entenda menos do
que você sobre o assunto da prova, e procure
explicar a ele alguns dos conceitos básicos.

Organizar
mentalmente o assunto, verbalizá-lo,
vocalizá-lo e ouvir o feedback do colega são
atividades que ajudam a solidificar os
fundamentos do seu próprio conhecimento, a
correlacioná-los, e até a identificar os
pontos que você precisa revisar. E ainda por
cima pode ajudar o colega.
Se a falta de um colega interessado
tornar impossível fazer o serviço completo,
há alternativas, como blogar expondo o tema,
criar sua própria apostila a respeito, ou
até tentar o desafio de fazer caber em uma
página o resumo completo do assunto –
praticamente a receita de como fazer a
cola perfeita para as suas provas, mas o
próprio ato de sintetizar, estruturar e
expor (ainda que seja só para o papel) fará
com que o uso de uma cola se torne
desnecessário.
Encontre o ambiente certo para estudar
Dentro das suas possibilidades, encontre
um lugar sem ruídos externos, sem tentações
que o distraiam, com os recursos
necessários, e com espaço suficiente para
espalhar seu material.
Procure estudar sempre no mesmo local – o
cérebro é uma máquina associativa, e se ele
associar o ambiente aos atos de estudar, de
produzir e de reter informações, você só tem
a ganhar.

Dê uma olhada nos
nossos
artigos sobre home
offices
para garimpar algumas dicas que se adequem
às possibilidades de melhoria do seu
ambiente de estudos!
Dica extra:
Experimente ouvir
música! Os padrões musicais ajudam a
cancelar o efeito dos ruídos externos, e
para algumas pessoas podem ajudar na
memorização – ao associar os conceitos com a
música que estava tocando na hora, o cérebro
pode recuperar a informação a partir deste
mesmo estímulo. Para mim sempre funcionou
bem: “ah, isso aqui eu vi quando estava
tocando aquela do Led Zeppelin…”
Se isso funcionar para você, saiba que
não existe um estilo musical “certo”: uns
preferem Bach, outros preferem Chico
Buarque. Para mim funciona muito bem:
estudei para muitas provas da graduação
ouvindo Nirvana ou com o rádio sintonizado
em alguma emissora especializada em “música
de sala de espera”, e conseguia “puxar”
conceitos na hora da prova ao tentar lembrar
das músicas que tocaram enquanto eu
estudava.
Gerencie seu tempo
O fundamental é ter e manter uma agenda.
Não importa a tecnologia: pode ser um
simples caderno ou bloco, uma agenda de
papel, um smartphone, a lista de
compromissos do seu celular, um site (como a
agenda do Google),
ou o que quer que funcione para você (dica:
“Gerenciamento
de tarefas e pendências: as ferramentas
preferidas dos leitores do Efetividade").

O importante é que
você não esqueça dos prazos de seus
compromissos escolares importantes. Se a sua
opção de agenda tiver como avisá-lo
ativamente sobre os compromissos, tanto
melhor – diminui a chance de esquecer de
preparar um trabalho ou estudar para algum
exame.
Uma forma de aumentar o tempo disponível
é acostumar-se a acordar cedo mesmo quando
você não é obrigado. Assim você ganha mais
tempo para realizar seus compromissos
escolares, e para aproveitar depois de
completá-los!
Dica extra: sempre esteja
presente à primeira aula de cada uma das
matérias em que você se matriculou. Nela o
professor geralmente apresenta o programa da
disciplina, as principais datas, o método de
exposição e de cobrança, etc. – costuma ser
a única oportunidade de poder entender o que
está por vir, e de tomar boas anotações que
permitirão se planejar nos meses seguintes.
Muitas vezes na minha experiência de
anotar o que o professor diz na primeira
aula eu descobri, na hora de estudar para
uma prova ou fazer um trabalho, que as
minhas anotações iniciais da matéria
permitiam saber o que seria mais cobrado e
merecia ser melhor estudado ou enfatizado.
Fora a vantagem de não ser pego de surpresa
por um trabalho final de disciplina sobre um
assunto para o qual você teria oportunidade
de se preparar mas não fez porque preferiu
ficar na cantina e levar uma falta…
Faça o que tem que ser feito
Não deixe para quando for tarde demais: a
urgência de amanhã corresponde a algo que
você não fez hoje quando precisava.
Se você adiar uma tarefa ou estudo, vai
ter de fazer do mesmo jeito e com mais
pressa num momento menos conveniente, ou não
vai conseguir completar o curso com sucesso.

Saiba sempre quais
são suas obrigações, e planeje seu
cumprimento para poder fazer tudo com menos
esforço. Deixar para a última hora torna o
trabalho mais difícil e arriscado. “Just do
it”, “Keep walking” e outros slogans de
produtos famosos são bons resumos para o que
você precisa fazer se quiser alcançar os
melhores resultados.
Mas não force: estudar apenas na
véspera, ou passar a noite estudando, são
maneiras ineficientes de tentar reter a
informação. Você pode ir melhor na prova,
estudando menos horas, se fizer força para
entender os conceitos durante as aulas, e
procurar memorizá-los logo após aprender, e
não apenas na véspera dos prazos-limite.
Sem exageros
Não exagere no número de horas de estudo:
o que vale não é o esforço, e sim o
resultado. Não deixe o exagero e o stress
atrapalharem, nem se sinta pressionado a
estudar muito: você precisa é estudar
bem.

Deixar o stress ou
o cansaço suspenderem um plano de estudos
previamente traçado, ou acabarem com a sua
capacidade de reter conhecimento, pode ter
consequências sérias.
Vale muito mais a pena criar um plano de
estudos conservador, adequado a você e ao
seu objetivo, e eventualmente ajustá-lo
conforme a situação for progredindo.
E nunca esqueça da necessidade de
lazer e descompressão. Dedicar-se aos
estudos sempre pode exigir abrir mão de
algumas coisas, mas se você ficar todo o
tempo debruçado sobre os cadernos não vai se
manter motivado por muito tempo.

Programe pausas e
saiba quando realizar um intervalo
emergencial não-programado para evitar a
sobrecarga. Na pausa, abra o MSN, cozinhe,
passeie, ande de bicicleta, acesse a web,
visite algum amigo, e tire os estudos da
cabeça. Em compensação, evite manter
atividades paralelas que prejudiquem a
concentração durante o estudo: em especial,
evite estudar com o Facebook, o Twitter e o
MSN como companheiros, por melhor que seja a
desculpa racional que você encontrar –
distrações e interrupções fora do seu
controle atrapalham. Estude melhor, e você
terá mais tempo livre depois.
Foco no objetivo
As pessoas estudam por uma razão:
pensando no mercado de trabalho, na sua
carreira, em conseguir ser aprovado em um
teste importante, conseguir uma vaga na
universidade desejada, etc.

Para manter-se
motivado, portanto, lembre-se sempre do
motivo pelo qual você está estudando.
Se você não está ali por opção, não
encontrará motivação para ir bem. É provável
que o ambiente escolar não esteja sempre a
seu favor. Mesmo assim, mantenha em mente os
motivos pelos quais você está estudando, e
avance na direção dos seus objetivos.
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