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Índia: terra de contrastes
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Mapa da Índia (Chique) |

O território da Índia
constitui a maior parte do
subcontinente indiano,
localizado na Placa Indiana,
na Ásia Meridional. Os
estados indianos do norte e
do nordeste estão
parcialmente localizados nos
Himalaias.
O território indiano é
formado pelos Himalaias no
extremo norte e nordeste,
pela planície Indo-gangética
ao norte, a noroeste e a
leste, e pelo planalto do
Decão no centro. O Decão é
flanqueado por duas
cordilheiras: os Gates
Ocidentais e os Gates
Orientais.
A Índia conta com diversos
grandes rios, como o Ganges,
o Bramaputra, o Yamuna,
Godavari, Kaveri, Narmada e
Krishna. O país possui três
arquipélagos: as Laquedivas,
as ilhas Andamão e Nicobar e
as Sundarbans (no delta do
Ganges).
O clima da Índia varia entre
o tropical, ao sul, e o mais
temperado, no norte. Nas
regiões setentrionais neva
com freqüência no inverno. O
clima indiano é fortemente
influenciado pelos Himalaias
e pelo deserto de Thar. A
cordilheira himalaica e o
Hindu Kush formam uma
barreira contra os ventos
frios provenientes da Ásia
Central, o que mantém o
subcontinente com
temperaturas mais elevadas
do que outras regiões em
latitudes semelhantes. A
maior parte da precipitação
entre junho e setembro é
devida às monções.
Contrastes da grande economia emergente
Cláudio Mendonça*
Especial para a Página 3 Pedagogia &
Comunicação - UOL Educação
O modelo indiano de crescimento
Foi a partir de 1991 que a Índia promoveu
alterações significativas em seu modelo de
crescimento econômico, na mesma época em que
o Brasil deu os primeiros passos para
inserir-se na economia globalizada.
O governo indiano
realizou amplas reformas econômicas e abriu
o país à entrada de grandes investimentos
diretos estrangeiros (IDE) associados à
indústria nacional e estatal. Nos setores
estratégicos relacionados à indústria de
base, à extração mineral, à geração de
energia, ao refino de petróleo e mesmo à
indústria automobilística (Maruti e Tata),
garantiu a presença do Estado como acionista
majoritário.
Mais ainda, a indústria
bélica e de extração de petróleo são
monopólios estatais. No entanto, existe uma
série de problemas em relação a estes
setores tradicionais da indústria indiana.
Muitos trabalham no limite, com equipamentos
obsoletos e necessitam de maiores
investimentos para se tornarem mais
eficientes.
Última década
Mas não foi nestes setores mais tradicionais
que a Índia conquistou destaque na economia
mundial, na última década. Ao sul do
território, na cidade de Bangalore, foi
formado um grande tecnopólo ligado à
produção de software.
Nele estão instalados
importantes universidades e centros de
pesquisa: o centro de estudos tecnológicos,
a Universidade de Bangalore, a Organização
de Pesquisa Espacial Indiana, o Instituto
Indiano de Administração, o Instituto
Indiano de Ciências, o Instituto de
Pesquisas Raman, o Instituto Nacional de
Estudos Avançados, o centro Jawaharial Nehru
para a Pesquisa Científica Avançada, entre
outros.
Não é pouca coisa para
uma única cidade. Bangalore é uma espécie de
Vale do Silício indiano e conta com
profissionais de alta qualificação em grande
quantidade, trabalhando por salários bem
inferiores que os de profissionais de outros
grandes tecnopólos espalhados pelo mundo.
Outro setor de destaque
na Índia são os call centers
(centrais telefônicas que prestam serviços
de atendimento à clientes, telemarketing,
suporte técnico para grandes empresas
multinacionais), a serviço principalmente de
grandes empresas norte-americanas.
A terceirização destes
serviços empresariais feitas à longa
distância tornou-se possível não só devido
às novas tecnologias de comunicação, mas
também, devido ao fato de que uma parcela
significativa da população domina o idioma
inglês, herança do domínio colonial
britânico.
Mazelas sociais
A Índia tem 1,1 bilhão de habitantes e
cresce em torno de 1,6% ao ano. Mais de
17 milhões de pessoas anualmente são
incorporadas ao país. As projeções de
crescimento demográfico indicam que, em
três décadas, haverá mais indianos no
mundo do que chineses.
Apesar da grande
população e o seu grande potencial de
mercado terem, também, sido fatores de
atração de volumosos investimentos
estrangeiros, a maioria da população
está à margem das grandes conquistas
econômicas que surpreenderam o mundo na
última década.
Os contrastes sociais na
Índia são gritantes. O crescimento das
grandes metrópoles como Nova Délhi,
Mumbai, Calcutá, Madras fez com que se
ampliassem o número de favelas e de sem
tetos que perambulam e dormem pelas ruas
das grandes cidades.
Outra questão social
grave pode ser verificada pela
diminuição do número de mulheres no
conjunto da população indiana. No último
censo (2001) foi registrada a proporção
de 927 mulheres para cada grupo de 1.000
homens. De fato existe uma preferência
pelo filho homem. As mulheres são vistas
como encargo econômico, principalmente
no momento que estão em idade de se
casar.
A família da noiva,
segundo a tradição, é obrigada a pagar
dote que pode representar parte do
patrimônio acumulado durante anos de
trabalho ou a realizar pagamentos
regulares ao marido ou à sua família.
Assim, são várias as
denuncias de infanticídio feminino logo
após o parto, praticado pela própria
família, ou torturas cometidas pelo
marido ou membros de sua família como
ameaça à não contribuição regular dos
parentes da esposa. Essa tradição
criminosa, embora passível de condenação
legal - desde 1961 é proibida a
exigência do dote -, ocorre por todo o
território e nas diferentes castas.
*Cláudio Mendonça é professor do
Colégio Stockler e autor de "Geografia
Geral e do Brasil" (Ensino Médio) e
"Território e Sociedade no Mundo
Globalizado" (Ensino Médio).
http://educacao.uol.com.br/geografia/india.jhtm
O
triângulo dourado - Delhi, Agra, e Jaipur
O triângulo dourado se refere a três cidades
no norte central de Índia que inclui o
capital, Nova Delhi, Agra situada no
sudeste, e Jaipur que está a uma distância
mais ou menos idêntica ao sudoeste.
Na área de Nova Delhi de
hoje, foi fundada antes de 3000 anos atrás.
Hoje, a cidade é constituída por duas partes
completamente diferentes: a Velha e
Nova Delhi. Old Delhi era a capital
da Índia muçulmana do século XII ao século
XIX. Nova Delhi se tornou a capital da
colônia britânica em 1911. Old Deli é
composta por ruas sinuosas e cercado por
muralhas. A fortaleza vermelha (Red Fort)
foi construída de arenito vermelho
como indica o seu nome. Nas áreas externas
do forte são encontrados belos jardins e um
imponente. Perto da fortaleza encontra-se a
maior mesquita muçulmana na Índia, Jamia
Masjid. Destaca-se nela, três belíssimas
cúpulas e dois minaretes. Outro ponto
interessante é Velha Délhi, Chandni Chowk
(mercado de Prata). O mercado foi fundada em
1648 e ainda funciona, possuindo coo
destaque um minarete de 73 m de altura, o
Qutab Minar. Este é o mais alto minarete do
mundo.
Nova Delhi tem uma população superior a 11
milhões de habitantes. Com uma rica história
e por ser um ponto de importância cultural
significativa, Nova Deli tem uma muitas
atrações para os turistas e visitantes de
todas as classes sociais. O local de culto
de Baha'I é uma das estruturas
arquitetônicas as mais visitadas no mundo
devido a seu projeto imponente da flor de
lótus e ao fato que qualquer pessoa pode
segui-la não obstante sua religião. Para uma
experiência cultural ligeiramente diferente,
porque não visitar o Chandni Chowk para uma
verdadeira experiência indiana. O mercado,
construído pelo arquiteto do Taj Mahal, é
famoso por suas características indianas
autênticas.
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A fortaleza vermelha (Red Fort)
foi construída de arenito
vermelho, em Delhi |
Agra é o repouso do excepcional Taj Mahal,
junto com muitas outras vistas excitantes. A
cidade é bem menor do que o capital,
com apenas um milhão de habitantes, e está
relativamente próxima da fronteira da Índia
com o Nepal. O forte de Agra é um palácio
murado que abrigou a uma maior parte da
administração política e econômica da
Índia no passado: contem muitos edifícios e
mesquitas e é considerado até como uma
cidade. Fatehpur Sikri é sua própria cidade
com aproximadamente 30.000 habitantes.
Jaipur, ao oeste, às
vezes é chamado a cidade cor-de-rosa e
possui cerca de cinco milhões de habitantes.
A cidade é famosa pela sua infra-estrutura e
projeto modernos, e é igualmente local de
muitos locais históricos de interesse.
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Templo Dourado de Amristar,
Jaipur |
Taj Mahal em Agra |
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Ciência e Tecnologia
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Quase tudo na Índia é espiritualidade,
mas na verdade o grande propósito da
cultura indiana é o conhecimento, e toda
essa importância dada às religiões se
deve ao princípio de que o propósito da
vida na terra é sair da escuridão da
ignorância e chegar à luz do
conhecimento. O que muita gente não sabe
é que o conceito do Zero nasceu na
Índia, e também que a primeira
Universidade , com o significado que a
palavra deve ter, existiu em Nalanda, no
estado de Bihar ,nos tempos ancestrais.
A matemática do modo como entendemos
hoje em dia deve à Índia todo o seu
fundamento,pois todo o sistema de
numeração é indo-arábico, ou seja, os
árabes buscaram na India e difundiram os
algarismos que usamos até hoje. A
fórmula de Bhaskara que foi criada na
Índia é usada para resolver todas as
equações de segundo grau.
A grande contribuição para o mundo além
da filosofia , que faz parte da vida e
todos os indianos, são os avanços na
tecnologia da informação , pois a Índia
hoje tem exportando Phd's na área de
Softwares principalmente para a Europa e
EUA. No Brasil, o Departamento de
Microeletrônica da Universidade de São
Paulo, USP, o nosso Instituto de
Pesquisas Espaciais, INPE, e o IPEN,
Instituto de Pesquisas Nucleares contam
com profissionais indianos em cargos
importantes. No campo da pesquisa
espacial, o telescópio Chandra, da NASA,
que leva o nome do físico indiano, é
superior em tecnologia ao Hubble, mais
conhecido por ser responsável por
telecomunicações.Outra área importante é
a biotecnologia, campo que a Índia
domina sobre muitos países.
Atualidade
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A contribuição da Inglaterra, país que
colonizou a Índia, foi principalmente a
introdução da língua inglesa, que
permite que haja uma língua comum falada
em todos os estados, cada qual com sua
língua nativa. Mas, além disso,
introduziram o sistema de trens , que
cobre todo o país, o telégrafo e toda a
modernização nas comunicações. A
independência foi conquistada em 1947,
após a célebre resistência pacífica
liderada por Mahatma Gandhi, o grande
personagem do século XX, que deu o
exemplo para o mundo, ensinando que a
paz é possível. Ele mobilizou a
população a produzir os próprios
tecidos, para mostrar que não precisavam
depender da Inglaterra, por isso vemos
sempre seu retrato com uma roca. Isso
tornou-se um símbolo e hoje a produção e
tecidos é um dos setores mais prósperos
. A marcha do sal foi com a mesma
intenção, provar que a Índia podia ser
auto-suficiente.
A auto-suficiência é uma realidade,
principalmente com relação a alimentos.
O fato de ter uma população em grande
parte vegetariana, e mesmo os não
vegetarianos não comerem carne de vaca
porque ela é sagrada, faz com que os
espaços não sejam ocupados com pasto,
propiciando assim maior incentivo à
agricultura. Mesmo que muitas pessoas na
Índia não tenham teto, talvez sapato,
sempre existe comida fácil e barato,
além da disposição de ajudar uns aos
outros ser uma coisa natural no indiano.
Da mesma forma , a população cuida de
sua própria segurança.É muito raro
assaltos à mão armada, situações de
risco desta natureza, pois o povo
religioso como todos sabem, tem uma
atitude diferente da ocidental perante a
miséria , talvez por ter uma cultura que
não é baseada no "ter".Mas quando ocorre
algo, os próprios cidadãos se encarregam
de punir o delinqüente. Todos os templos
exigem que se tirem os sapatos e estes
são deixados do lado de fora. Mesmo com
grande número de pessoas sem poder
aquisitivo para comprar um sapato, estes
não são roubados.
Outro aspecto da auto suficiência é o
sistema de conselho municipal, chamado
panchayati; cinco membros, geralmente
mais idosos, portanto mais sábios, que
cuidam dos assuntos da comunidade. Isso
vem dos tempos ancestrais, decorrente
dos clãs, que são chamados gotra, e foi
caindo em desuso, mas a autoridade legal
desses conselhos foi restaurada
oficialmente em 1989 por Rajiv Gandhi.
Não há melhor meio de se exercer uma
educação em direitos democráticos do que
a chance de exercitar eles mesmos. Dois
milhões e meio de habitantes das vilas
são eleitos para posições no panchayat e
o governo exercido por pessoas comuns
fazem da democracia um fenômeno
genuinamente de massas
A democracia da Índia é a maior do mundo
pela sua população, e o sistema político
é parlamentar. Há duas câmaras, a câmara
baixa ou "Câmara do Povo" (Lok Sabha)
com 544 membros e a câmara alta ou
"Conselho de Estados" (Rajya Sabha) co
245 membros . esta última não pode ser
dissolvida. Há um Chefe de Estado e um
Chefe de Governo, diversos partidos
políticos e sindicatos.
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O Taj Mahal foi construído entre
1631 e 1648, pelo imperador
muçulmano Shah Jahan (1628-58)
para imortalizar sua esposa
favorita Mumtaz Mahal, também
conhecida como Arjumand. É um
conjunto arquitetônico que serve
de mausoléu para Arjumand,
falecida em 1631, devido a
complicações de parto.
É
um Exemplo da arquitetura Mughal,
em que se misturam os estilos
arquitetônicos indiano, persa e
islâmico. São cinco estruturas
principais: a entrada principal,
o jardim, a mesquita, o
jawab
e o mausoléu. Este construído
inteiramente em mármore branco,
incluindo os quatro minaretes.
O Taj Mahal é uma das mais belas
construções já feitas.
Patrimônio da Humanidade,
tombado pela Unesco em 1983.
Localiza-se em Agra, antiga
capital do império Mughal, norte
da Índia, às margens do rio
Jamuna. |
Arquitetura
A arquitetura indiana começou a se definir
quando a religião budista tornou-se oficial,
no século III a.C. e foi responsável pelo
seu desenvolvimento, acrescentando
características desconhecidas ate então.
Quando os muçulmanos conquistaram a Índia no
século XVI, introduziram novas formas de
arquitetura, surgiram as mesquitas, com suas
cúpulas altas e seus minaretes) que são
torres elevadas. A mais famosa construção
islâmica na Índia é o Taj Mahal, encomendado
pelo marajá Shah Jahan, em memória de sua
mulher favorita.
Cinema e Arte
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A Índia moderna, como todos os outros
países, absorveu a cultura ocidental,
mas talvez devido ao orgulho de sua
identidade própria, sem perder as
características culturais. Um grande
exemplo é a indústria cinematográfica,
que é a maior do mundo. O número de
filmes feitos na Índia é maior que em
qualquer outro país. A indústria
cinematográfica surgiu em Bombay em
1913. Sete anos mais tarde produziu-se
em Calcutá o primeiro filme em língua
bengali e em 1934 foram inaugurados em
Madras os estúdios destinadoss à
produção de filmes em tâmil e telugo.
Essa é a maior paixão do indiano. Os
cinemas vivem lotados, eles adoram seus
astros, e o estilo "bollywood" (Bombay é
o pricipal centro cinematográfico) se
faz presente nas ruas, com músicas que
são presentes em alto e bom som em todos
os lugares, o colorido que os indianos
tanto gostam saindo dos saris, que ainda
são uma constante, para as roupas
ocidentalizadas, pelo menos nos grandes
centros. Mas tudo tem a cara da Índia,
não se vê uma invasão cultural como
ocorre em outros países, que perdem a
sua identidade em nome de serem
modernos.
Esta diversidade colorida, esta mistura
de línguas, religiões, saris e
turbantes, além de arquiteturas
diferentes, é o que o fazem da Índia
este "Caldeirão Cultural".A princípio o
ocidental acha que um sari é sempre
igual ao outro, mas um olhar mais atento
vai mostrar que conforme a região o modo
de amarrar difere do outro, assim como
dependendo da religião vemos os
diferentes modos de se amarrar um
turbante.
As religiões são o fator mais
determinante nas expressões do povo,
como podemos ver em todas as
manifestações da arte. A literatura e a
poesia nasceram como mais uma maneira de
se conectar com o divino, assim como
toda pintura ou escultura. Os poemas de
Tagore e Kabir são lidos até hoje, e
muitos quadros contemporâneos que
podemos ver no Museu de Arte de Delhi
fazem referência às tradições e mitos.
Apesar de tudo, quem imagina a India um
país místico, com cheiro de insenso e
cheio de guirlandas e santos vagando
pelas ruas, deve saber que é tudo
verdade, mas convivendo lado a lado com
um povo extremamente progressista, que
gosta da modernidade e com uma
identidade cultural única no mundo.
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Cultura e Religião
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Uma das civilizações mais antigas do
nosso planeta, a Índia é um país de
contrastes. A diversidade de línguas,
hábitos e modo de vida não impedem que
haja uma grande unidade na cultura do
país.Ao mesmo tempo que cada estado tem
seu próprio modo de expressão, como na
arte, música, linguagem ou culinária, o
indiano é profundamente arraigado ao
sentimento de amor à sua nação e tem
orgulho de sua civilização ancestral, o
que mantém vivas até hoje muitas
tradições.
Talvez pela profusão de deuses adorados
por diferentes segmentos da sociedade, a
tolerância religiosa é algo inerente aos
indianos acostumados a conviver com a
diversidade, como as línguas diferentes
faladas muitas vezes por vizinhos. Nos
dias de hoje ocorrem conflitos
religiosos, mas isso não pode ser
considerado característico.
Muita coisa causa estranheza no
ocidente, pois são muitos símbolos,
muitas deidades, muitos rituais. A
maioria é relativo ao Hinduísmo, que
ainda é a religião com mais seguidores
na Índia, seguido pelo Islamismo e o
Budismo. O Hinduísmo é tão antigo quanto
a civilização da Índia, tanto que a
palavra "hindu"é erroneamente usada para
dizer " indiano", e toda a simbologia é
vista pelos outros países como se
representasse a própria Índia.
"Por quê Ganesha tem cabeça de elefante?
Como o ratinho tão minúsculo pode ser o
seu veículo? Porque algumas pinturas
mostram os deuses e deusas com tantos
braços? "Não podemos entender a Índia
sem entender o significado de símbolos
como o Om , a swastika, o lotus que
revelam fatos sobre a cultura do país,
desenvolvidos por centenas de milhares
de anos. Apenas aqueles que estudaram a
cultura intensamente podem entender o
significado intrínseco desses símbolos,
mas é uma obrigação moral de todo
indiano se dedicar ao conhecimento da
simbologia cultural da Índia.
Símbolos
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A principal mensagem dessa cultura é a
aquisição de conhecimento e a remoção da
ignorância. Enquanto a ignorância é como
a escuridão, o conhecimento é como a
luz.
A lamparina, chamada de
deepak tem muita importância como
símbolo pois, tradicionalmente feita de
cerâmica, representa o corpo humano
porque assim como o barro, também viemos
da terra. O óleo é queimado nela como um
símbolo do poder da vida. Uma simples
lamparina quando imbuída desta
simbologia chama-se deepak e nos dá a
mensagem de que toda e qualquer pessoa
no mundo deve remover a escuridão da
ignorância fazendo o seu próprio
trabalho.Nos templos, sempre se oferece
uma chama, significando que tudo que
fizermos é para agradar a Deus.
Outro símbolo que causa curiosidade para
os ocidentais é o Om, que representa o
poder de Deus, pois é o som da criação,
o princípio universal, entoado começando
todos os mantras. Diz-se que os
primeiros yoguis o ouviram em meditação,
e esse som permeia o cosmos. É o número
um do alfabeto, é o zero que dá valor
aos números, é o som da meditação.
A flor de lótus, presente em muitas
imagens, devido ao fato de crescer na
água pantanosa e não ser afetada por ela
representa que devemos ficar acima do
mundo material apesar de viver nele. As
centenas de pétalas do lótus representam
a cultura da "unidade na diversidade".
A swastica, que causa estranheza quando
é vista, pois para o ocidente é
relacionada com o nazismo, é na verdade
um símbolo de auspiciosidade, bem estar
e prosperidade.Acima de tudo é uma
bênção.
As divindades, com seus muitos braços,
cada um deles carregando objetos ou
armas, símbolos em si, como o lotus,
livro, indicam as direções, a maioria
representa os quatro pontos cardeais:
norte, sul, leste e oeste. Qualquer
poder do espírito supremo é chamado deus
ou deusa, apesar de Deus ser Uno e
Absoluto. Por isso são tantos, pois são
muitas as manifestações de Deus.
Religião
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Outra coisa que é absolutamente
importante para entendermos a cultura
indiana é a crença na reencarnação, que
para os hinduístas, assim como para
muitas outras religiões, é um preceito
básico e incontestável. Somente
considerando isso é que um ocidental
pode entender o sistema de castas. Na
filosofia indiana a vida é um eterno
retorno , que gravita em ciclos
concêntricos terminando no céu centro,
coisa que os iluminados atingem. Os
percalços do caminho não são motivo de
raiva , assim como os erros não são uma
questão de pecado , mas sim uma questão
de imaturidade da alma.. O ciclo
completo da vida deve ser percorrido e a
posição da pessoa em cada vida é
transitória. Essa hierarquia implica em
que quanto mais alto se chega na escala
maiores são as obrigações. A roda da
vida cobra mais de quem é mais capaz. Um
Brâmane, por exemplo, que é da casta
superior, dos filósofos e educadores,
tem uma vida dedicada aos estudos e tem
obrigações com a sociedade. As outras
castas são: Kshatriya, administradores e
soldados, Vaishya , comerciantes e
pastores e Sudras , artesãos e
trabalhadores braçais. Antigamente esse
sistema de castas era seguido como lei,
mas depois que Mahatma Gandhi, o grande
personagem da libertação da Índia,
contestou isso em nome dos direitos
humanos, hoje na Índia a mobilidade
social já se faz presente.
Mas nem tudo é hinduísmo na Índia. O seu
maior cartão postal, o Taj Mahal, é uma
construção muçulmana, um monumento ao
amor, pois foi construído pelo rei para
sua amada que morreu prematuramente. É
uma das maravilhas do mundo, feito com
mármore branco e ricamente decorado com
pedras preciosas.
O Islamismo é fundamentado sobre a
crença de que a existência humana é
submissão (Islã) e devoção a Allah, Deus
onipotente. Para os muçulmanos, a
sociedade humana não tem valor em si,
mas o valor dado por Deus. A vida não é
uma ilusão, e sim uma oportunidade de
bênção ou penitência. Para guiar a
humanidade, Deus deu aos homens o Corão,
livro revelado através do Anjo Gabriel,
ao seu mensageiro, o Profeta Maomé, por
volta do ano 610 DC. Um século depois,
houve a grande invasão a Sind, que hoje
está fora da Índia, na região do
Paquistão, onde a língua Urdu ,
introduzida naquela época na região,
permanece até hoje .Devido a fatores
políticos, o Islamismo se espalhou pelo
norte e hoje temos um grande crescimento
dos seguidores do Islã por toda a Índia.
Por volta do século XV o Islã estava
dominando o norte da Índia e se tornou
muito intolerante, não admitindo a
existência daqueles que não acreditavam
na sua religião. Os hindus estavam
vivendo em condições desumanas, sendo
reprimidos e até massacrados e as
mulheres eram maltratadas. Por outro
lado os hindus , com suas divisões de
classes, suas superstições e
parafernália de rituais, depois de
séculos de invasões e dominação,
passaram a ser humilhados em seu próprio
país, proibidos de construir seus
templos e até velar seus mortos. Nesse
contexto surgiu o Guru Nanak , que
mostrou que ambas as religiões estavam
se distanciando dos princípios de Deus,
de paz e amor na humanidade e inaugurou
o Sikhismo, uma religião baseada em
valores universais : amor, liberdade,
dignidade, tolerância, harmonia,
amizade, realização pessoal , auto
confiança, serviço, caridade e
sacrifício. Para um Sikh a geração de
riqueza não é irreligioso, se for em
benefício da sociedade e não apenas para
si próprio. È uma fé baseada na
realização de Deus dentro de cada um
neste mundo e não depois da morte.
O Budismo também se faz presente, já que
a Índia é a terra onde nasceu Buda, e
onde tudo começou. No tempo do Imperador
Ashok, o grande rei unificador da Nação
indiana, a maior parte se converteu ao
Budismo, que alguns chamam de filosofia
e não religião, pois não existe adoração
a Deus e o ser humano é levado a
conquistar a paz interior pelo caminho
do meio, ou seja, o equilíbrio. O
sofrimento é causado pelo desejo e a
prática da meditação é usada para
aquietar a mente e procurar atingir o
Nirvana, o estado de perfeita paz. As
mais impressionantes representações do
Budismo da época áurea se encontram nas
cavernas de Ajanta e Ellora ,em
Aurangabad. Esta última consiste em
templos e monastérios erguidos pelos
monges budistas , hinduístas e jainistas
e contam a história das três religiões.
A vida do indiano é dividida em quatro
fases, e essa divisão se chama Ashrama:
a infância , a juventude, que é
absolutamente devotada aos estudos, (não
existe namoro nesta fase) , o tempo de
se constituir família, que é pela
tradição arranjada pelos pais (este
hábito está caindo em desuso com os
tempos modernos) e na velhice a vida é
dedicada à realização espiritual. Tal
modo de vida mostra a grande importância
dada ao conhecimento, e um grande número
de indianos , apesar do alto índice
populacional do país, e da pobreza que é
consequência disso, tem escolaridade e
fala mais de uma língua.
O sistema de castas
A segregação da população indiana é
social e religiosa. Ocorre no
nascimento, no matrimônio e na vida
profissional. Ela se baseia no sistema
de castas. Apesar da extinção legal
deste sistema em 1947, com a
Independência, elas permanecem embutidas
nos valores e no cotidiano da sociedade
indiana. Na sua estrutura básica o
sistema é formado originalmente por
quatro castas.
As mais poderosas são os
brâmanes (sacerdotes e nobres), os
xátrias (guerreiros) que controlam as
principais empresas, a mídia e o poder
político. Em seguida vêm os vaixás
(comerciantes) e os sudras
(trabalhadores braçais). Cada casta tem
suas próprias normas e vive
rigorosamente separada em relação às
outras. O casamento só pode ocorrer no
interior da mesma casta, assim como
simples atividades como compartilhar da
refeição numa mesma mesa.
Abaixo destas castas
principais estão os dalits (considerados
párias, impuros ou intocáveis) que
exercem os piores trabalhos e são
tratados de forma subumana. Eles têm
menor acesso à educação, não fazem parte
do sistema de amparo social e não podem
freqüentar os templos religiosos.
Recentemente os dalits
têm reagido a este sistema de
discriminação. Da mesma forma a
comunidade internacional e associações
de direitos humanos começaram a
questionar se o sistema de casta é uma
tradição milenar e religiosa, ou uma
forma de racismo e instrumento de
manutenção dos privilégios das castas
superiores.
No âmbito religioso,
existe uma tensão entre as comunidades
hindus e muçulmanas - os principais
grupos religiosos do país. Originária de
cerca de cinco séculos atrás, quando
invasores árabes se espalharam pela
Índia, a divisão religiosa também foi
responsável pela separação de partes do
país que se tornaram Estados
independentes: Paquistão e Bangladesh.
Fonte:
http://www.indiaconsulate.org.br/turismo/038.html
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