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Educação Ambiental: a qualidade da água que bebemos

          Identificando áreas de absorção de águas pluviais para o lençol freático e condições de conservação das nascentes dos córregos do Município de Dourados.

Vista do lago do parque Antenor Martins tendo ao fundo o início da avenida Marcelino Pires.

          No dia 19 de março de 2008, alguns alunos das 1ªs e 2ªs séries do Ensino Médio da Escola Franciscana Imaculada Conceição, de Dourados, MS, acompanharam o professor Washington em um trabalho de identificação e registro das condições de conservação das nascentes e "olhos d'água" dos córregos e das áreas de absorção de águas pluviais, que abastecem o lençol freático do nosso Município.

          Trata-se de uma atividade integrante de um projeto de educação e preservação ambiental da Escola Imaculada (leia parte dele aqui), abrangendo diversos córregos, lagos e áreas de absorção de águas pluviais para o lençol freático da cidade.

          A primeira etapa do projeto foi realizada numa das áreas de preservação ambiental da cidade, o parque Antenor Martins, local que servia de depósito de entulho e lixo dos moradores dos bairros vizinhos, e recuperado pela administração municipal. Foi escolhido uma área já preservada para conceber a dimensão das atividades de recuperação e preservação naquelas que ainda não são objeto do mesmo trabalho pelo Poder Público municipal.

          No mesmo dia escolhido para iniciar as atividades de pesquisas, o Instituto do Meio Ambiente estava promovendo um evento denominado "Abraço aos Córregos de Dourados", em que alunos da rede municipal de ensino, representantes do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Exército Brasileiro, Guarda Municipal, Polícia Militar, Guarda Mirim, Escoteiros, acadêmicos de turismo e Organizações não-Governamentais realizavam uma série de eventos com o objetivo de conscientizar a sociedade da necessidade da recuperação e preservação dos córregos, nascentes, "olhos d'água" e áreas de absorção de águas do nosso Município.

          Diante da coincidência, aproveitamos para estabelecer contatos com as pessoas responsáveis pelas atividades ambientais da Prefeitura Municipal e montamos uma agenda telefônica e de eventos, com pessoas, entidades e instituições que poderiam nos dar apoio e suporte técnico na empreitada.

          Para iniciar os trabalhos, o professor levou seis alunos(as) para conhecer os trabalhos de recuperação e preservação da nascente do córrego Água Boa, no parque Antenor Martins; ali conheceram as técnicas adotadas pelos especialistas para a recuperação da nascente, sua proteção e os trabalhos de recuperação da área com o reflorestamento com mudas nativas, cercamento e fixação de placas e marcos indicadores de área de preservação ambiental.

          Dando continuidade, analisamos os "regos d'água" que conduzem as águas da nascente e dos muitos "olhos d'água" da área até o lago. Identificamos o tipo de solo e de rochas dos leitos e o tipo de vegetação que serve de "cílios" protetores contra assoreamentos, comparando-os com tabelas e informações do nosso livro didático.

          Os alunos e o professor determinaram ser, o solo, pertencente à categoria latossolo interzonal hidromórfico de origem eluvial escuro-avermelhado, ou seja, com influência preponderante do relevo local ou da rocha de origem, por desagregação ou decomposição das rochas, com forte presença de matérias orgânicas, devido às características suavemente inclinadas em forma de "V" aberto do relevo, e com forte presença de óxido de ferro, devido à cor avermelhada, denotando sua origem vulcânica. Quanto às poucas rochas encontradas, são do tipo sedimentar, formadas pelo endurecimento do solo e apresentando características esponjosas.

          Identificamos as áreas que funcionam como "esponjas" - áreas úmidas, sensíveis e lodosas-, que captam águas pluviais para o lençol freático. Neste momento, utilizando de plantas cartográficas, identificamos outras áreas da cidade que possuem as mesmas características, e as relacionamos para uma futura visita e registro das suas condições de conservação e uso.

          A vegetação, bastante degradada pelos anos de uso da área como depósito de lixo e entulho, está sendo recuperada com o plantio de dezenas de mudas de árvores e arbustos nativos, típicos das áreas úmidas de matas ciliares da nossa região. São de baixo porte e galhosas. Foi promovido o plantio de grama do tipo "capim gordura", nas delicadas margens, permitindo a poda e o pisoteio.

          Nas fotos seguintes, instantâneos das atividades realizadas pela equipe da Escola Imaculada.         

 

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          Na seqüência acima os jovens estudantes procuram a nascente do córrego Água Boa, atravessando as amplas áreas gramadas do parque e cruzando leitos escorregadios de filetes de água límpida e fresca que abastece o lago e o lençol freático. Comentamos que parecia água mineral, pura e potável.

 

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          Os jovens observam a nascente do córrego Água Boa, protegida com manilhas apropriadas; notaram que a água "brota" da mina e escorre límpida e fresca e em grande quantidade. No entanto, no início da jusante do córrego, praticamente "colado" à manilha de proteção, encontraram um perigo para a saúde de quem acha que aquela água limpa do córrego pode ser consumida sem problema: clique na miniatura e saiba qual é o perigo.

          Na segunda foto, enquanto as jovens Kitty e Nayara posam para a foto sob os olhares do Aurélio, a Gisele estava sendo atacada por vorazes formigas. Após registrarem as observações sobre o estado de conservação da nascente, os alunos tiveram uma aula de cartografia: o professor Washington, utilizando-se de plantas da cidade e do Município, posicionou uma bússola e determinaram as coordenadas do local.

          Analisando as plantas cartográficas, localizaram outros afloramentos das águas do lençol freático em diversos pontos da cidade, e que possuem construções de moradias sobre áreas de captação de águas pluviais. Concluíram que aquelas áreas periféricas não são servidas de rede de esgotos, o que indica a existência de fossas negras (fossas assépticas) que poderiam estar contaminando a camada superficial das águas subterrâneas, pondo em risco a saúde da população que a consome.

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          Uma triste constatação: embora a Prefeitura mantenha uma equipe permanente de limpeza e segurança, tenha instalado lixeiras e espalhado placas educativas, os usuários do parque, moradores dos bairros vizinhos, ignoram-nas; encontramos copos e sacos plásticos, jornais e garrafas de refrigerantes pet nos leitos dos vários córregos do local e pelos gramados e plantações. Fizemos uma "pescaria" dos objetos encontrados, depositamo-los em lixeiras e, logo após, discutimos e refletimos sobre qual seria a saída para aquele problema. Notamos a existência de uma grande quantidade de patos, gansos e marrecos.

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          Quando estávamos identificando as áreas de absorção das águas pluviais que abastecem o lençol freático --utilizando-se de varas e cabos de vassouras--, e registrar suas condições de preservação, encontramos o local onde estão abrigados os ninhos das aves do parque. Aprendemos, pela observação, como são construídos os abrigos e onde estão localizados os ninhos. Encontramos algumas aves chocando seus ovos. Logo após, fomos convidados a estender uma faixa doada pelo Instituto do Meio Ambiente da Prefeitura de Dourados que estava promovendo, naquele dia, uma manifestação em prol da preservação dos córregos de Dourados.

          Abrimos a nossa faixa e, junto com centenas de jovens de outras escolas, procuramos um local adequado para dar o "abraço" no lago.

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          O evento promovido pelo Instituto do Meio Ambiente da Prefeitura de Dourados, teve apresentações da banda do Exército, fanfarras escolares, desfiles de escoteiros, declamações poéticas, discursos políticos, apresentações de evoluções escolares, etc.

          Os alunos do professor Washington tiveram contato com muitos alunos de escolas públicas, participaram de momentos de reflexões sobre a causa ambiental e, após todas estas atividades, relaxaram à sombra das árvores do local, tomando tereré e conversando animadamente. Com uma certa tristeza, por volta das 10h30 nos retiramos do local, já quase deserto, retornando para a escola, para as aulas finais do dia, com bastante poeira, lama e grama pelas calças e calçados, porém satisfeitos com a realização da atividade. Queremos mais!!!

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Participaram da tarefa:

Professor Washington Luiz Alves da Silva - Geografia

Aurélio Rolim Rocha - 1º E

Diogo Marques Pacheco - 1º E

Christiane Arzamendia Silva - 1º C

Gisele Araújo Pimenta dos Reis - 2º D

Mariana Veríssimo Monção - 2º D

Naiara Fernandes Ventura - 1º C


Apoio: Diretora Irmã Aparecida Betoni, Vice-Diretora Mariza, Supervisora Pedagógica Vanuza, Coordenador do Ensino Médio e dos 2ºs anos Afonso e Coordenador dos 1ºs anos do Ensino Médio Clodoaldo.

Agradecimentos: Pais e responsáveis pelos alunos, que autorizaram suas participações.

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