Pequenos bilíngües
Escolas que oferecem ensino
em duas línguas
crescem 15% em um
ano e recebem até
bebês
CLAUDIA JORDÃO
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Crianças
de
escola
bilíngüe:
só
inglês
no
maternal
e jardim
da
infância |
Na última viagem aos
Estados Unidos que
fez com os filhos –
Pedro, cinco anos, e
Bruno, sete, –
Stella Matos, 39,
era só orgulho.
Filhos de
brasileiros,
nascidos no Brasil,
os meninos não se
atrapalharam com o
inglês e até se
arriscaram em
pequenas conversas
com os americanos.
Isso foi possível
porque, com apenas
um ano, os garotos
foram matriculados
em uma escola
brasileira bilingüe
(português-inglês)
em São Paulo. Neste
mundo globalizado,
em que falar línguas
é um diferencial
positivo, muitos
pais querem que os
filhos tenham
contato com outro
idioma antes mesmo
de deixar as
fraldas. Por isso,
este é um mercado em
expansão. Hoje
existem 105 escolas
bilíngües no Brasil,
um crescimento de
15% em relação ao
ano passado. Embora
os meninos ainda não
sejam fluentes,
Stella está
satisfeita: “É uma
oportunidade de eles
terem contato desde
cedo com o inglês e
aprender mais
naturalmente”, diz
ela.
Uma das pioneiras, a
PlayPen, onde
estudam Pedro e
Bruno, deixa as
crianças pequenas em
imersão total no
inglês no período
escolar. Aulas em
português só no fim
do ensino infantil –
o primeiro passo
para a alfabetização
na língua materna.
Ao contrário dos
colégios
internacionais, como
as escolas
americanas,
os bilíngües seguem
o currículo nacional
padrão e têm a
preocupação de
valorizar a cultura
brasileira.
Esta é a proposta da
escola be.Living.
Lá, os pequenos só
falam inglês –
exceto na hora do
“Coisas Daqui”,
quando duas vezes
por semana aprendem
em português
história, cultura e
folclore
brasileiros.
“Achamos importante
a criança saber de
seu país”, diz a
diretora Patricia
Pavan.
É inevitável
imaginar que
conviver com duas
línguas pode criar
confusão na cabeça
de crianças
pequenininhas, mas
diretores dos
colégios bilíngües
dizem que não. “É
como se a criança
desenvolvesse dois
códigos, um usado na
escola e outro, em
casa”, diz Célia
Tilkian, diretora da
PlayPen. Para
ilustrar, ela conta
que um aluno, ao ser
perguntado se tinha
comido ovo no
colégio, respondeu
que tinha comido “egg”.
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ISADORA
E
MÁRCIA:
livros
em
inglês |
Escolas bilingües e
crianças pequenas é
um tema polêmico. A
presidente da
Associação
Brasileira de
Psicopedagogia,
Maria Irene Maluf,
acredita que a
exposição a outro
idioma no colégio
desde cedo pode ser
positivo. “Nos
primeiros anos de
vida, o cérebro
cresce muito. A
criança está mais
propensa a aprender
e a fixar”, diz ela.
A neuropsicóloga
infantil Ana Olmus
pondera. “Nessa
idade, os pequenos
precisam do manhês”,
diz ela,
referindo-se à
maneira de as mães
falarem. O mais
importante é os pais
não pressionarem a
criança. “A vaidade
deles pode deixá-la
insegura e infeliz”,
diz Maria Irene.
“Nem todas têm
capacidade de lidar
com esta situação. A
criança tem que
estar feliz, sem
sinais de
ansiedade.”
Também é cada vez
mais comum escolas
particulares
oferecerem aulas de
línguas logo na
primeira infância.
Na Escola Parque, no
Rio, as crianças têm
inglês três vezes
por semana a partir
de um ano. A
diferença é que,
para os pequenos,
isso pode ser feito
de uma forma lúdica,
até mesmo na hora do
recreio. A
publicitária Márcia
Machado, 39 anos,
mãe de Isadora, de
sete, não priorizou
o ensino de outro
idioma na hora de
matricular a filha –
na época com um ano
e meio – na escola.
Mas hoje gosta
quando vê Isadora se
divertir com seus
livrinhos em inglês.
“Acho as aulas
bem-vindas porque
ela se envolve com
outra língua”, diz
Márcia.
Brasileiros
internacionais
Foi-se o tempo que
as escolas
internacionais no
Brasil atraíam
somente filhos de
estrangeiros e
diplomatas. Hoje,
além de aceitar
brasileiros, em
alguns
estabelecimentos
eles são maioria. A
American School of
Brasília possui 110
alunos – 65% de
brasileiros, 15% de
americanos e 20% de
outras 30
nacionalidades. A
diferença entre as
internacionais e as
brasileiras
bilíngües é que as
primeiras
privilegiam a
cultura do país de
origem e seus
currículos têm como
base o ensino lá de
fora. O ano letivo
começa em agosto e
aulas de português
ou história do
Brasil podem ser
apenas uma opção. Há
casos, inclusive, de
escolas, como a
Brasilia
International School,
que sequer são
reconhecidas pelo
Ministério da
Educação. No Brasil,
há 20 colégios
internacionais –
principalmente
americanos e
britânicos – nas
principais capitais,
como São Paulo, Rio,
Minas Gerais,
Salvador e Porto
Alegre. O preço da
anuidade é mais
salgado: varia de
US$ 7 mil a US$ 22
mil. |