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O palhaço Tiririca representa mais de 14 milhões de brasileiros

 

          O Brasil possui um gigantesco batalhão de mais de 14 milhões de cidadãos iletrados – que não sabem ler e escrever -, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009 (Pnad). É um contingente maior do que a população de países como Portugal, Bolívia e Bélgica. A taxa de analfabetismo do Brasil entre pessoas de 15 anos ou mais de idade caiu de 10% para 9,7% entre 2008 e 2009, a quinta queda consecutiva. No entanto, mesmo com a queda, este porcentual ainda representa um volume grande em números absolutos, somando 14,1 milhões de analfabetos no País em 2009, a maioria concentrada entre homens, maiores de 25 anos e localizados na Região Nordeste

 

          Apesar de o país conviver com esse imenso problema social, não ficou visível nos projetos dos candidatos à Presidência da República, ações efetivas para acabar com essa triste realidade.

 

          A candidatura e a posterior eleição de Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, provocou risos e indignação em vários segmentos da sociedade. Com o slogan “Vote Tiririca, pior que ta, não fica”, ele foi às urnas e conquistou mais de um milhão e trezentos mil votos para Deputado Federal da República(!) chamando a atenção para o problema.

 

          A revista Época trouxe uma vasta matéria sobre suspeitas de que o cidadão-palhaço seja analfabeto. De acordo com a Constituição Federal, os analfabetos são inelegíveis e, portanto, não podem se candidatar e receber votos. Por lei, os candidatos são obrigados a apresentar à Justiça Eleitoral um comprovante de escolaridade. Na ausência de comprovante, devem demonstrar capacidade de ler e escrever. Para registrar sua candidatura a deputado federal, Tiririca apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo uma declaração em que ele afirma que sabe ler e escrever. Essa declaração, segundo as normas legais, deve ser escrita de próprio punho. Segundo a reportagem, a caligrafia do candidato nos autógrafos distribuídos aos eleitores é diferente da apresentada na declaração entregue ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) em que atesta que não é analfabeto.

 

          O promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, da 1º Zona Eleitoral de São Paulo, entrou com duas representações, uma na Procuradoria Regional Eleitoral e outra na Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, para averiguar se o candidato a deputado federal Tiririca (PR) sabe ler e escrever, como exige a lei.

 

          Polêmicas a parte, o caso do Tiririca deve ser considerado não apenas no que diz a lei eleitoral e ser discutido no âmbito do direito natural do homem à conquista de melhorias para a sua sociedade, assim como no direito democrático à participação no pleito eleitoral, não apenas votando (já que pode votar, por que não pode ser votado?), mas participando ativamente, como cidadão que o é na vida política e, quem sabe, trazendo propostas para o problema do analfabetismo.

 

          Vamos pesquisar mais sobre o tema e apresentar propostas ou ficar somente na crítica, no cerceamento e na busca de factóides para se manter sob os holofotes?

 

          No conjunto de países da América Latina e do Caribe, o nosso país ocupa a vergonhosa nona posição no ranking de países com a maior taxa de analfabetismo. Países como Barbados, Chile, Argentina, Costa Rica, Uruguai, Trinidad e Tobago, Cuba, Antilhas Holandesas e Bahamas mantêm as menores taxas da região, com até 5% da população urbana analfabeta.

 

          No Brasil, analfabetismo está concentrado entre os mais pobres, mais idosos, negros ou pardos e em áreas mais pobres. Estudos do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, mostra que dos analfabetos, 67,4% eram negros ou pardos, enquanto 32% eram brancos.

 

          A faixa etária mais analfabeta era de 40 a 59 anos. Os cursos de alfabetização e de educação de jovens e adultos alcançavam em 2006 2,5 milhões de pessoas com idade superior a 15 anos.

 

          Entre as regiões, a maior taxa de defasagem escolar no ensino fundamental foi encontrada na região Nordeste, e a menor foi verificada na região Sul.

 

Apesar de o presidente do TRE, Walter de Almeida Guilherme, ter dito que o deputado eleito Tiririca “leu e escreveu” diante do juiz, o promotor da 1ª Zona Eleitoral, Maurício Antônio Ribeiro Lopes, não está satisfeito com o desempenho do humorista. “De 10 vocábulos [do ditado] que escreveu, ele errou nove”, diz.
A frase ditada para Tiririca foi “A promulgação do Código Eleitoral, em fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral”. Ribeiro Lopes não informou quais teriam sido as nove palavras que o humorista errou. No teste de leitura, Tiririca leu o título e o subtítulo de uma notícia de jornal.

Revista Época - Globo.com

 

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