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Países
falidos:
Quando o
país vive o
colapso
Mais de
1 bilhão
de
pessoas
vivem em
países à
beira do
caos. Na
África,
estão os
cinco
países
no topo
do
Índice
de
Estados
Falidos,
da
organização
Fund for
Peace
(Fundo
para a
Paz).
Por
Robert
Draper
Foto
de
Pascal
Maitre
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Muitos dos 750
mil habitantes
que restaram em
Mogadíscio estão
entre os mais
pobres, como
esta mulher e
seu bebê. |
Pode ocorrer de repente,
após um evento fatídico -
uma guerra, um desastre
natural, um golpe de Estado
-, ou avançar devagar como
um câncer que solapa por
décadas as instituições. Mas
uma coisa é certa: quando um
país entra em colapso, isso
se vê nos olhos de seus
habitantes.
Mais de 1 bilhão de
pessoas vivem em países à
beira do caos. Em alguns, o
governo central perdeu o
controle do território e
encastela-se na capital
enquanto chefes guerreiros
dominam o interior. A
maioria é afligida pela
corrupção generalizada e
pela degradação ambiental.
Todos são perigosos não
apenas para si mesmos mas
para o resto do mundo: se
tornam incubadoras de
terroristas e extremistas
políticos.
Um dos fatores que
tornam um país instável é
sua posição geográfica. O
simples fato de estar em uma
região conflagrada coloca-o
em risco; a guerra no
Iraque, por exemplo,
desencadeou uma onda
migratória para a Síria.
Nações populosas, como
Bangladesh, enfrentam
desafios próprios. O mesmo
se dá com países imensos,
como o Chade, cuja vastidão
concorre para a falta de
infraestrutura. Nações
desprovidas de saída para o
mar, com poucas terras
cultiváveis e recursos
hídricos, lutam pela
autossuficiência. Por outro
lado, aquelas com abundantes
recursos, como a República
Democrática do Congo, nem
sempre se saem melhor. Na
chamada "maldição da
riqueza", a existência de
reservas de petróleo ou
diamantes só recrudesce os
conflitos pelo controle
desses ativos lucrativos.
Tensões históricas
e culturais também podem
levar as nações à ruína.
Isso é mais evidente na
África, onde estão os cinco
países no topo do Índice de
Estados Falidos, da
organização Fund for Peace
(Fundo para a Paz). "A
demarcação de fronteiras
arbitrária, na época
colonial, em detrimento de
divisas étnicas e
topográficas, resultou na
criação de Estados
artificiais", comenta a
presidente Pauline H. Baker.
Um país africano que
superou seu legado colonial
é o Senegal. "Ele
beneficiou-se de uma
liderança esclarecida", diz
Pauline. Na verdade, o fator
mais importante para se
garantir a estabilidade é a
boa governança, segundo o
cientista político Ken
Menkhaus. A implantação do
estado de direito, e de
instituições que o garantam,
"gera um clima de confiança
para investimentos e
desestimula a eclosão de
revoltas armadas".
A ajuda de
organismos como o Banco
Mundial e as Nações Unidas
nem sempre é garantia contra
o colapso. Os casos mais
bem-sucedidos são a Índia e
a África do Sul, que
conseguiram levar adiante
reformas sem apoio externo.
Como mostram as recentes
tentativas dos Estados
Unidos de "construção
nacional", não é fácil
promover estabilidade
política em meio a uma
intervenção militar. O
Iraque e o Afeganistão hoje
ocupam o sexto e o sétimo
lugares entre os Estados
mais precários do mundo.
Em primeiro está a
Somália, um país ao qual
geografia, história e
sistema de clãs lhe conferem
a desonra de liderar a lista
nos últimos dois anos. Fora
esse caso, não há consenso
quanto ao significado
efetivo, para o destino de
um país, de uma pontuação
elevada no índice. Os
sangrentos distúrbios
desencadeados pelas eleições
no Quênia, em 2007, fizeram
com que saltasse da 26a para
a 14a posição na lista deste
ano. Mas será que esse
retrocesso indica um futuro
colapso do Quênia, dotado de
uma vibrante classe
empresarial?
Os estudiosos
alertam contra conclusões
apressadas. Como lembra
Tarcisius Kabutaulaka, da
Universidade do Havaí, é
fácil esquecer que muitos
países hoje estáveis tiveram
histórias turbulentas. "Os
Estados Unidos
estabeleceram-se a partir do
caos, da guerra civil. E
agora espera que o mundo
adote suas instituições, mas
sem violência e num período
de tempo brevíssimo."
No fim das contas,
a questão de se um país está
em processo de derrocada
talvez seja melhor
respondida por sua
população. Se os olhos dos
habitantes dizem "fomos
abandonados", então não
resta a menor dúvida.
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Fonte:
National Geographic Brasil |
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