
O
plástico saiu de moda

Por Sebastião
Almeida* -
gotadagua@sebastiaoalmeidapt.com.br
O debate em torno do uso das sacolinhas de plástico-filme dos
supermercados ganhou força nos últimos meses. O tema despertou o
interesse da sociedade, demonstrando que existe interesse da
população em adotar novas soluções no combate a essa verdadeira
praga que infesta e contamina lixões e aterros sanitários pelo
País. Projetos sugerindo a adoção de novas tecnologias para
substituir o material utilizado pelos supermercados começaram a
surgir em Assembléias Legislativas e
Câmaras
Municipais. E, acredite se quiser, até a milionária indústria do
plástico se comprometeu a buscar soluções para amenizar o
impacto desse composto sobre o ambiente.
As propostas variam, de acordo com o freguês. Os mais radicais
defendem que o plástico seja simplesmente banido das gôndolas
dos supermercados. Acreditam que a adoção dessa medida
amenizaria a utilização desse material como depósito de lixo nas
residências. Sem dúvida, seria a solução mais eficaz para
resolver o problema, embora se apresente como a menos receptível
por envolver uma mudança brusca de comportamento das pessoas.
Seria um acontecimento sem precedentes no mundo.
Outra solução seria a substituição do plástico atual por
compostos oxibiodegradáveis, que aceleram o processo de
decomposição através de um aditivo adicionado durante o processo
de produção do plástico-filme. Assim, ao invés de demorar
centenas de anos para se decompor na Natureza, as sacolinhas
desapareceriam em tempo bem menor, que poderia variar de acordo
com o desejo do fabricante. Essa experiência já vem sendo
adotada por várias redes de supermercado do País e do mundo,
embora ainda não conte com o apoio dos governos. Em São Paulo,
projeto de lei exigindo a adoção dessa tecnologia foi vetado
recentemente pelo governador José Serra.
Para quem ainda está em dúvida sobre a melhor maneira de
combater o plástico, surgiram recentemente propostas para
incentivar a utilização de sacolas de pano em troca do
plástico-filme. Algumas grifes, inclusive, já manifestaram
interesse em colocar no mercado modelos que possam atender ao
consumidor. Com design moderno, essas bolsas têm tudo para cair
no gosto daqueles que se preocupam com a preservação do planeta.
Gente bem informada, que sabe o mal que milhões de toneladas de
plástico despejadas no ambiente anualmente poderão trazer às
gerações futuras.
Quem não gosta nada dessa idéia são os grandes conglomerados que
se dedicam a produzir plástico, um negócio que movimenta bilhões
de reais. Para não ficar à deriva, essas empresas já se
movimentam para produzir compostos mais resistentes, que possam
ser reutilizados e que tenham valor de compra. Dessa forma, eles
acreditam que poderia haver estímulo maior para que as pessoas
se preocupassem com a reciclagem do plástico produzido, como
ocorreu com o alumínio e o papelão.
Vou além. Particularmente, acredito que já está na hora de
cobrar ações mais concretas dessas empresas. Já que têm
interesse em manter a produção do plástico, elas também deveriam
se responsabilizar com a coleta do material antes de ele ir
parar no lixo doméstico, adotando métodos do que se convencionou
chamar de logística reversa. Limpariam, assim, a sujeira que vem
despejando no ambiente nas últimas décadas. Acho pouco provável
que alguma dessas indústrias adote espontaneamente essa postura.
Nesse caso, cabe ao Poder Público a elaboração de leis que
possam apontar responsabilidades em torno desse tema de tamanha
importância.
Seja qual for a solução, o importante é que as pessoas passaram
a pensar duas vezes antes de levar uma sacolinha para casa. Da
mesma forma, muitos comerciantes têm questionado o consumidor
sobre a necessidade de colocarem a mercadoria nesse plástico.
Espero que esse movimento não se restrinja ao calor da hora.
Trata-se de uma discussão que está apenas no começo e que pode
evoluir se os entes públicos realmente se mobilizarem para
coibir a produção irresponsável de plástico-filme, que sai das
gôndolas dos supermercados para nossas casas, onde vira depósito
de lixo.
*
Sebastião Almeida é deputado estadual pelo PT, coordenador da
Frente Parlamentar em Defesa da Água e presidente da comissão de
Serviços e Obras Públicas da Assembléia Legislativa de São
Paulo. E-mail:
gotadagua@sebastiaoalmeidapt.com.br
|
Leia
notícias sobre meio ambiente clicando no BRclip
Ambiental  |
|
É
permitida a reprodução dos textos ou fazer "link" para
eles no seu "website" desde que citada a fonte do(s)
autor(es) e do portal EcoTerra Brasil
www.ecoterrabrasil.com.br
Artigos para publicação enviar para
rsf@ecoterrabrasil.com.br
Artigos assinados são de responsabilidade exclusiva
do(s) autor(es)
Copyright 2004 - EcoTerra Brasil® - Todos os
direitos reservados
fone: (xx) 41- 3232-6700 - Curitiba - Paraná -
Brasil
Informe-nos sempre para que possamos tê-lo como parceiro
ambiental / e-mail:
faleconosco@ecoterrabrasil.com.br
|