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  Efeito Estufa: o aquecimento da Terra
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        Na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio-92, foi firmado um importante documento: a Convenção sobre Mudanças Climáticas. Por intermédio dele foi estabelecido o compromisso entre os países membros da ONU de reduzir as emissões de gases que contribuem para o chamado “efeito estufa”.

        Em escala planetária, o efeito estufa é semelhante ao fenômeno de aquecimento que ocorre quando agricultores cultivam plantas dentro de estufas, que são construções com paredes de vidro ou plástico transparente: estes deixam os raios solares penetrar na estufa, aquecendo o ar atmosférico interno, mas não deixam o calor sair; assim, o interior da estufa permanece sempre aquecido.

        Na atmosfera terrestre ocorre algo semelhante. O calor é emitido para a Terra por intermédio dos raios solares. Quando é irradiado para a atmosfera, esta retém parte do calor, não permitindo que ele se espalhe ou se disperse para as camadas mais elevadas da própria atmosfera. Assim, a atmosfera impede que a Terra perca totalmente o calor que recebe durante o dia. Se não fosse assim as noites seriam muito frias.

        A atmosfera funciona, então, como uma “capa” de proteção térmica para a Terra, muito importante para manter todo o planeta com temperatura equilibrada.

        Entretanto, nos últimos anos têm ocorrido emissões muito grandes de gases na atmosfera terrestre e, conseqüentemente, uma retenção maior de calor. Isso tem preocupado os cientistas e a população mundial, pois a temperatura da Terra poderia aumentar demais.

         Como e por que isso tem ocorrido?

        Os gases lançados na atmosfera, dentre os quais se destaca o gás carbônico – originário das queimadas de matas e da queima do combustível utilizado pelos veículos -, apresentam a mesma característica do vidro ou do plástico transparente, isto é, deixam penetrar a luz e não deixam sair o calor. Em vista disso, estudos têm demonstrado que a atmosfera terrestre vem apresentando uma elevação de temperatura.

        Em 1975 surgiu a Teoria do Aquecimento Planetário de origem antrópica, segundo a qual, no século XX, as atividades humanas causariam aquecimento médio de 0,5 a 1,0 grau Celsius na Terra. Os cientistas previam um aumento de cerca de 3ºC na temperatura média do planeta até 2050, quando a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera seria duplicada.

        Em 1995, um grupo constituído desde a década de 1980  por centenas de cientistas de vários países,  dedicado ao estudo do clima global –  o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) -, revisou para baixo as projeções e elaborou um modelo estimando o aquecimento de 1,0 a 3,5 graus Celsius até 2100. Uma elevação média das temperaturas globais de 2 ou 3 graus Celsius poderia gerar conseqüências devastadoras.

        Alguns dos efeitos mais dramáticos dessa mudança climática global seriam os seguintes:

- O derretimento parcial das calotas polares, provocando transgressões marinhas e devastadoras inundações em cidades costeiras, como Nova York, Tóquio, Londres, Rio de Janeiro e Buenos Aires.

- Elevação dos níveis de muitos rios, juntamente com as marés, o que causaria a inundação de cidades localizadas à beira dos rios no interior dos continentes, como, por exemplo, Manaus (AM); da mesma forma, barragens e hidrelétricas seriam inundadas, interrompendo o fornecimento de energia elétrica.

- Desaparecimento de muitos países insulares, dentre os quais se destacam: Samoa Ocidental, formada por nove ilhas do sul do Oceano Pacífico, com 2.840 Km2 e 170.000 habitantes; Seichelles, arquipélago com mais de cem ilhas de granito e coral no Oceano Índico, com 455 km2  e 80.000 habitantes; Arquipélago de Kiribati, composto pelas dezesseis ilhas Gilbert, as oito ilhas Fênix, as três ilhas Line e a ilha Ocean, no Oceano Pacífico ocidental, com 717 km2 e 66.000 habitantes; as Ilhas Maldivas, formação de vários atóis de coral que se estendem por 885 km no Oceano Índico, com 214.139 habitantes; e Ilhas Virgens do Caribe com 153 km2 e 13.000 habitantes.

- Possibilidade de danos irreparáveis em diversos ecossistemas, alterando as migrações, o ritmo de reprodução e distribuição geográfica de vários insetos e outros animais. É o caso, por exemplo, da mosca tsé-tsé, transmissora da doença do sono, que vise apenas numa estreita faixa central da África, devido às altas temperaturas da região; se ocorrer um aquecimento global, essas moscas poderiam migrar para outros territórios, tal como a África do Sul que, nos dias atuais, é imune a esse inseto.

        Os pássaros que migram de um continente para outro também poderiam ter seus hábitats destruídos ou modificados radicalmente no caso de aquecimento climático, o que acarretaria a extinção de muitas espécies de aves. (leia mais).

   .Fonte: ADAS, Melhem. Geografia: os impasses da globalização e o mundo desenvolvido. 4.ed. São Paulo : Moderna,  2003.  p.117-119.  

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