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"Estamos frente ao maior
perigo que a humanidade já
enfrentou." Essas palavras
foram proferidas pelo Dr. Mostafa
Toba, diretor-executivo do Programa
das Nações Unidas Para o Meio
Ambiente. A seguir, nós vamos
verificar que elas não são
exageradas.
O ozônio é um gás atmosférico
azul-escuro, que se concentra na
chamada estratosfera, uma região
situada entre 20 e 40 km de
altitude. A diferença entre o ozônio
e o oxigênio dá a impressão de
ser muito pequena, pois se resume a
um átomo: enquanto uma molécula de
oxigênio possui dois átomos, uma
molécula de ozônio possui três.
Essa pequena diferença, no
entanto, é fundamental para a
manutenção de todas as formas de
vida na Terra, pois o ozônio tem a
função de proteger o planeta da
radiação ultravioleta do Sol. Sem
essa proteção, a vida na Terra
seria quase que completamente
extinta.
O ozônio sempre foi mais
concentrado nos pólos do que no
equador, e nos pólos ele também se
situa numa altitude mais baixa. Por
essa razão, as regiões dos pólos
são consideradas propícias para a
monitoração da densidade da camada
de ozônio.
Desde 1957 são feitas medições
na camada de ozônio acima da Antártida
e os valores considerados normais
variam de 300 a 500 dobsons1.
No ano de 1982, porém, o cientista
Joe Farman, juntamente com outros
pesquisadores da British Antartic
Survey, observaram pela primeira vez
estranhos desaparecimentos de ozônio
no ar sobre a Antártida. Como
estavam usando um equipamento já um
tanto antigo, e os dados que estavam
coletando não tinham precedentes,
em vista da grande diminuição da
concentração do gás (cerca de 20%
de redução na camada de ozônio),
acharam por bem aguardar e fazer
novas medições em outra época,
com um aparelho mais moderno, antes
de tornar público um fato tão
alarmante. Além disso, o satélite
Nimbus 7, lançado em 1978 com a função
justamente de monitorar a camada de
ozônio, não havia até então
detectado nada de anormal sobre a
Antártida.
Joe Farman e seus colegas
continuaram medindo o ozônio na Antártida
nos dois anos seguintes, no período
da primavera, e constataram não só
que a camada de ozônio continuava
diminuindo como ainda que essa redução
tornava-se cada vez maior. Agora
estavam usando um novo equipamento,
o qual lhes indicou, em 1984, uma
redução de 30% na camada de ozônio,
valor este confirmado por uma outra
estação terrestre situada a 1.600
km de distância. Nos anos seguintes
a concentração de ozônio
continuou a cair na época da
primavera e, em 1987, verificou-se
que 50% do ozônio estratosférico
havia sido destruído, antes que uma
recuperação parcial ocorresse com
a chegada do verão antártico.
O satélite Nimbus 7 não
havia detectado as primeiras reduções
na camada de ozônio por uma razão
muito simples: ele não havia
sido programado para detectar níveis
de ozônio tão baixos. Valores
abaixo de 200 dobsons eram
considerados erros de leitura, e por
isso não eram levados em conta…
Os cientistas não podiam
prever que uma alteração tão drástica
na ordem natural pudesse ocorrer, e
por essa razão não haviam
considerado essa hipótese.
Num artigo científico
escrito em 1987, Joe Farman
declarou: "Antes de 1985
todos os químicos atmosféricos
pensavam que estavam no caminho
certo de compreenderem o ozônio. As
observações e os modelos propostos
se harmonizavam. Mudanças
observadas e previstas eram de menos
de 1% por década. Entretanto, sobre
a Antártida a destruição é hoje
em dia superior a 50%, e isto por um
período entre 30 e 40 dias a cada
ano."
Naquela época Joe Farman
ainda não podia imaginar que a
destruição ainda aumentaria muito
mais nos próximos anos, que o
buraco se alargaria, que sua ocorrência
não ficaria restrita a alguns dias
por ano, que apareceria um segundo
buraco no Ártico e que surgiriam
outros pontos no globo com decréscimo
do nível de ozônio.
De fato, já mesmo em 1987
foram detectadas ocorrências
menores, apelidadas de
"mini-buracos", que
apareceram próximos à região
polar. O próprio buraco antártico
apresentou variações inconcebíveis
naquele ano: em outubro havia
desaparecido nada menos que 97,5% do
ozônio detectado em agosto, na
altitude de 16,5 km.
Em seu livro O Buraco no Céu,
publicado em 1988, John Gribbin
afirma que mesmo que não houvesse
sido detectado o buraco no ozônio
na Antártida, os anos de 1986 e
1987 já teriam dado motivos de
sobra para preocupação. Medições
de satélite indicaram, já naquela
época, uma "impressionante
diminuição geral na concentração
de ozônio estratosférico ao redor
do globo." Essa redução
já havia alcançado o sul da América
do Sul, Austrália e Nova Zelândia,
esta última com um decréscimo de
20%. A Suíça também mostrou
preocupação na época, quando medições
feitas com instrumentos em terra
revelaram um estreitamento da camada
de ozônio sobre o país.
Em 1991, a NASA anunciou que
o ozônio estratosférico sobre a
Antártida havia atingido o nível
mais baixo até então registrado:
110 dobsons para um nível esperado
de 500 dobsons. Também em 1991, o
Programa das Nações Unidas Para o
Meio Ambiente (PNUMA) revelou que,
pela primeira vez, estava-se
produzindo uma perda importante do
ozônio tanto na primavera como no
verão, e tanto no hemisfério norte
como no hemisfério sul, em
latitudes altas e médias. Este fato
fez crescer a apreensão geral, já
que no verão os raios solares são
muito mais perigosos que no inverno.
Em 1992 verificou-se que
havia-se formado um buraco também
sobre o Ártico, com uma redução
de 20% do ozônio. O novo buraco do
Ártico não só permaneceu como
continuou aumentando: nos três
primeiros meses de 1996 ele cresceu
mais de 30%, estabelecendo um novo
recorde.
Ainda em 1992 os
pesquisadores constataram que a
destruição estava se generalizando
mais ainda, ocorrendo de forma
global desde a Antártida até o Ártico,
nos trópicos e nas regiões de
latitudes médias, com uma redução
variando entre 10% e 15%. A partir
daquela época, os habitantes das
ilhas Falklands/Malvinas passaram a
ficar expostos ao buraco todos os
anos durante o mês de outubro.
A figura abaixo mostra a
variação do buraco na Antártida
ano a ano, de 1979 até 1992.
Observa-se um crescimento contínuo
durante a década de 80, com ligeira
redução de suas dimensões nos
anos de 1986 e 1988. A partir de
1989, porém, o buraco não se reduz
mais.

Em setembro de 1994, 226
cientistas de 29 países entregaram
à OMM um relatório onde afirmavam
que de 1992 a 1994 haviam sido
registrados "níveis
recordes" de destruição da
camada de ozônio.
O gráfico abaixo mostra a
variação da concentração média
de ozônio sobre a Antártida nos
meses de outubro, medida em unidades
Dobson, de 1960 a 1994:

Em 1995 a OMM avisou que o
buraco na camada de ozônio na Antártida
havia atingido o tamanho recorde de
10 milhões de km², área
aproximadamente igual a da Europa2.
A revista Veja do mês de setembro
de 1995 reagiu desta forma ao anúncio
da OMM: "O cenário de
homens consumidos por violentos
carcinomas de pele voltou a povoar
os pesadelos do século com o anúncio
feito na semana passada pela
Organização Meteorológica
Mundial." Em novembro
daquele ano, também de acordo com a
OMM, o buraco apresentava a maior área
já registrada para aquela época do
ano, em seu movimento cíclico de
expansão e redução: 20 milhões
de km². Entre setembro e outubro de
1996, o tamanho da destruição era
de nada menos que 22 milhões de km²...
O efeito imediato da redução
da camada de ozônio é o aumento da
nociva radiação ultravioleta UV-B
(veja mais detalhes adiante). No ano
de 1993, o Dr. Paul Epstein, da
Universidade de Harvard, alertava
que em razão do aumento da radiação
ultravioleta, o bacilo do cólera
poderia estar sofrendo mutações
mais aceleradas, adquirindo fatores
resistentes a antibióticos
presentes nos gigantescos blocos de
algas flutuantes nos mares.
Em 1995, o Instituto Scripps
de Oceanografia de San Diego, Califórnia,
informou que partes da América do
Norte e Europa Central, o Mediterrâneo,
a África do Sul, a Argentina e o
Chile já estavam sendo submetidos a
aumentos significativos de irradiação…
Em 1996 o buraco sobre o
hemisfério norte começou dois
meses mais cedo e foi o mais
profundo e duradouro até então
observado. Em março daquele ano, o
assessor especial da Organização
Meteorológica Mundial, Romen
Boykov, alertou: "Não
estamos falando de regiões desérticas,
mas de regiões povoadas, onde os níveis
de radiação duplicaram. Isso é
muito preocupante!" Boykov
fazia referência agora à redução
constatada de 45% de ozônio em um
terço do hemisfério norte.
Apesar da gravidade da situação,
nenhuma matéria sobre o assunto foi
publicada nas revistas Science e
Nature, os periódicos científicos
mais importantes do mundo. Este fato
não passou despercebido ao
pesquisador Jim Scanlon. Segundo
ele, os investidores são muito
suscetíveis a notícias "não
otimistas", e os grandes
jornais procuram filtrar informações
que possam ser consideradas
negativas para os negócios. Jim
Scanlon afirmou que o buraco na Antártida
é reportado com grande nível de
detalhe porque afeta relativamente
poucas pessoas, em regiões
isoladas. Já o buraco no Ártico não
é reportado porque afeta cerca de
80 milhões de pessoas no hemisfério
norte.
É bem possível que Jim
Scanlon tenha razão no que diz. Eu
mesmo pude constatar que alguns
sites da Internet, alegadamente
dispondo de dados científicos sobre
a destruição da camada de ozônio,
só podiam ser acessados por pessoas
autorizadas.
Os dados disponíveis em 1996
indicavam que a média anual de
radiação ultravioleta no hemisfério
norte estava aumentando 6,8% por década,
incluindo áreas da Inglaterra,
Alemanha, Rússia e Escandinávia.
No hemisfério sul, a taxa de
crescimento da radiação era de
9,9% por década, atingindo o sul da
Argentina e do Chile. O cientista
atmosférico Jay Herman avisou: "O
aumento da radiação UV-B é maior
nas latitudes altas e médias, onde
a maioria das pessoas mora e onde a
maior parte da agricultura
ocorre." No Brasil, no início
de 1997, chegava a notícia de que
sobre os Estados do Nordeste o nível
de radiação ultravioleta havia
aumentado 40% em comparação com
igual período de 1996…
Em março de 1997 as coisas
pioraram. Sobre a Argentina e o
Chile surgiu um novo buraco,
dissociado do existente sobre o pólo
Sul e cobrindo extensas áreas de
ambos os países, incluindo as
capitais Buenos Aires e Santiago.
Foram registradas medições de 180
e 210 dobsons. De acordo com o
jornalista argentino Uki Goñi, a
população da Argentina não foi
convenientemente alertada pelo
Departamento do Clima. Os responsáveis
disseram que o episódio tinha
"apenas interesse científico",
e que a população não deveria
ficar alarmada... Goñi informou
também que na latitude equivalente
do hemisfério norte teria surgido
um buraco semelhante, sobre
Washington ou Roma.
Enquanto surgia o novo buraco
sobre a Argentina e o Chile, o
pioneiro sobre o pólo Sul aparecia
mais cedo. O ozônio começou a
decrescer já em março,
registrando-se um nível de 225
dobsons; em maio o buraco sobre a
Antártida já estava completamente
formado. Era a primeira vez que isto
acontecia.
No Ártico a situação não
era melhor. O Dr. Pawan K. Bhartia,
cientista do projeto TOMS (Total
Ozone Mapping Spectromer) avisava
que estavam sendo detectados os mais
baixos valores já medidos de ozônio
nos meses de março e abril: 219
dobsons. Os dados de satélite
indicavam que a área afetada
estendia-se por 5,3 milhões de quilômetros
quadrados.
Como é de praxe, já começaram
a aparecer algumas idéias
mirabolantes para resolver o
problema crescente da destruição
da camada de ozônio no planeta.
Pesquisadores russos apresentaram um
estudo segundo o qual seria possível
reparar a camada de ozônio
utilizando equipamentos de raios
laser e satélites. O projeto
consiste na montagem de um sistema
com 30 a 50 satélites que
bombardeariam a atmosfera com raios
laser ultrapotentes, estimulando a
produção de até 20 milhões de
toneladas anuais de ozônio; esses
cientistas acreditam que o problema
pode ser contornado em dez anos, a
um custo estimado de 100 bilhões de
dólares... Tem gente também que
quer fabricar ozônio no solo e
comboiá-lo até a estratosfera em
foguetes, grandes jatos e balões...
Apenas com base numa
amostragem de todos os fracassos
humanos já colecionados nas
tentativas anteriores de dominar,
intervir ou até mesmo prever fenômenos
da natureza, já podemos afirmar,
sem medo de errar, que mesmo que
tais projeto fossem exeqüíveis, o
resultado final seria mais um
fiasco. Se for para incentivar
atitudes desse tipo, exacerbadas e
irrealistas, é melhor que se
continue apresentando outras
iniciativas, também inócuas mas
pelo menos não tão dispendiosas,
como a desesperada proibição da
fabricação de CFC e a decretação
do "Dia Internacional do Ozônio",
comemorado em 16 de setembro de cada
ano.
Mas quais são os efeitos que
a redução da camada de ozônio
pode trazer ao planeta, e aos seres
humanos em particular? Devastadores
talvez seja um adjetivo adequado.
Em 1975, um cientista chamado
Mike McElroy, ao estudar os efeitos
que adviriam de uma destruição da
camada de ozônio, advertiu que isto
poderia ser usado como uma nova arma
de guerra. Um composto químico como
o bromo, se lançado deliberadamente
na atmosfera, daria origem a um
buraco na camada de ozônio sobre o
território inimigo, incapacitando
pessoas desprotegidas e destruindo
plantações.
Se a destruição da camada
de ozônio já foi imaginada como
uma arma de guerra, o leitor pode
bem fazer uma idéia dos efeitos a
que estarão sujeitos a população
e o meio ambiente com esse
acontecimento.
Nós conseguimos perceber com
os nossos sentidos uma parte da
energia emitida pelo Sol, através
da luz e do calor. Mas o Sol emite
energia também fora da faixa que
denominamos luz visível, e que não
é portanto percebida pelos nossos
olhos. A faixa "acima" da
luz visível é chamada
infravermelha e a faixa
"abaixo" dela é chamada
ultravioleta. "Acima" e
"abaixo" significam
comprimentos de onda de irradiação
maiores ou menores. Mas isso não
vem ao caso, o que interessa saber
é que irradiações com
comprimentos de onda menores contêm
muito mais energia concentrada,
sendo portanto muito mais fortes,
ou, em outras palavras, muito mais perigosas.
A natureza, sabiamente,
protegeu o planeta Terra com um
escudo contra a irradiação
ultravioleta prejudicial. Esse
escudo, a camada de ozônio, absorve
grande parte da radiação
ultravioleta perigosa, impedindo que
esta chegue até o solo.
Toda a vida na Terra é
especialmente sensível à radiação
ultravioleta com comprimento de onda
entre 290 a 320 nanômetros3.
Tão sensível, que essa radiação
recebe um nome especial: UV-B, que
significa "radiação
biologicamente ativa". A maior
parte da radiação UV-B é, pois,
absorvida pela camada de ozônio,
mas mesmo a pequena parte que chega
até a superfície é perigosa para
quem se expõe a ela por períodos
mais prolongados.
A UV-B provoca queimaduras
solares e pode causar câncer de
pele, inclusive o melanoma maligno,
freqüentemente fatal. A Agência
Norte-Americana de Proteção
Ambiental estima que 1% de redução
da camada de ozônio provocaria um
aumento de 5% no número de pessoas
que contraem câncer de pele. Em
setembro de 1994 foi divulgado um
estudo realizado por médicos
brasileiros e norte-americanos, onde
se demonstrava que cada 1% de redução
da camada de ozônio, desencadeava
um crescimento específico de 2,5%
na incidência de melanomas. A incidência
de melanoma, aliás, já está
aumentando de forma bastante
acelerada. Entre 1980 e 1989, o número
de novos casos anuais nos Estados
Unidos praticamente dobrou; segundo
a Fundação de Câncer de Pele,
enquanto que em 1930 a probabilidade
de as crianças americanas terem
melanoma era de uma para 1.500, em
1988 essa chance era de uma para
135.
Em 1995 já se observava um
aumento nos casos de câncer de pele
e catarata em regiões do hemisfério
sul, como a Austrália, Nova Zelândia,
África do Sul e Patagônia. Em
Queensland, no nordeste da Austrália,
mais de 75% dos cidadãos acima de
65 anos apresentam alguma forma de câncer
de pele; a lei local obriga as crianças
a usarem grandes chapéus e cachecóis
quando vão à escola, para se
protegerem das radiações
ultravioleta. A Academia de Ciências
dos Estados Unidos calcula que
apenas naquele país estejam
surgindo anualmente 10 mil casos de
carcinoma de pele por causa da redução
da camada de ozônio. O Ministério
da Saúde do Chile informou que
desde o aparecimento do buraco no ozônio
sobre o pólo Sul, os casos de câncer
de pele no Chile cresceram 133%;
atualmente o governo fez campanhas
para a população utilizar cremes
protetores para a pele e não ficar
exposta ao Sol durante as horas mais
críticas do dia.
O Dr. Signey Lerman, da
Universidade Emory, na Geórgia,
elaborou um estudo onde afirma que a
redução de 1% na camada de ozônio
provocaria, só nos Estados Unidos,
um aumento de 25 mil casos anuais de
catarata na vista... Há estimativas
indicando que uma redução de 50%
na camada de ozônio em redor do
planeta provocaria cegueira e
queimaduras de pele com formação
de bolhas num prazo de dez minutos.
A radiação UV-B também
inibe a atividade do sistema imunológico
humano, o mecanismo natural de
defesa do corpo. Além de tornar
mais fáceis as condições para que
os tumores se desenvolvam sem que o
corpo consiga combatê-los, supõe-se
que haveria um aumento de infecções
por herpes, hepatite e infecções
dermatológicas provocadas por
parasitas.
A maior parte das plantas
ainda não foi testada quanto aos
efeitos de um aumento da UV-B, mas
das 200 espécies analisadas até
1988, dois terços manifestaram
algum tipo de sensibilidade. A soja,
por exemplo, apresenta uma redução
de 25% na produção quando há um
aumento de 25% na concentração de
UV-B. O fitoplâncton, base da
cadeia alimentar marinha, assim como
as larvas de alguns peixes, também
sofrem efeitos negativos quando
expostos a uma maior radiação
UV-B. Já se constatou também que
rebanhos apresentam um aumento de
enfermidades oculares, como
conjuntivite e até câncer, quando
expostos a uma incidência maior de
UV-B.
Ressalte-se que todos esses
efeitos são ocasionados por um
ligeiro acréscimo da radiação
UV-B. Existe, contudo, um outro tipo
de radiação ainda mais temível: a
UV-C. A radiação UV-C apresenta
comprimentos de onda entre 240 e 290
nanômetros e é (até agora)
completamente absorvida pelo ozônio
estratosférico. Sabe-se que a UV-C
é capaz de destruir o DNA (ácido
desoxirribonucléico), a molécula básica
da vida, que contém toda a informação
genética dos seres vivos. Nas
palavras de John Gribbin, "ninguém
é capaz de afirmar com certeza
quais seriam as conseqüências de
deixar essa radiação chegar até a
superfície da Terra…"
A camada de ozônio tem,
pois, uma importância crucial para
a vida na Terra. Sua destruição
equivale a uma redução da
capacidade imunológica do planeta.
Agora, na época do Juízo, o ser
humano que por milênios viveu de
forma antinatural perdeu o direito
de manter-se protegido de efeitos
nocivos, sejam doenças oportunistas
ou radiação ultravioleta danosa. A
AIDS e a redução da camada de ozônio
têm muito em comum. São efeitos
similares em escalas diferentes,
pois a causa de ambos os processos
é a mesma: a intensificação do Juízo
Final na Terra. Ambos os
acontecimentos retiram dos seres
humanos a proteção previamente
existente contra agentes
prejudiciais à saúde. Num caso, a
radiação ultravioleta maléfica,
no outro, as doenças oportunistas
que atacam o organismo debilitado
pelo vírus HIV, causador da AIDS.
A explicação da ciência,
naturalmente, está longe dessa
conclusão. A tese mais aceita hoje
em dia é que o buraco do ozônio
foi causado pelo próprio ser
humano, através da contínua emissão
na atmosfera de um composto químico,
o clorofluorcarbono, mais conhecido
como CFC. O átomo de cloro desse
composto é apontado como o vilão
da história; alguns estudos sugerem
que um único átomo de cloro é
capaz de destruir cem mil moléculas
de ozônio.
Naturalmente, não se pode
negar a influência da poluição
gerada pelo ser humano nos desequilíbrios
do meio ambiente, pródigo que é
ele em conspurcar tudo o que está a
seu alcance. Mas a magnitude e
velocidade da destruição da camada
de ozônio não pode ser explicada
apenas pela maior concentração de
CFC na atmosfera. Uma matéria de
setembro de 1995 da revista Veja
sobre o assunto informava que os
CFCs encaixavam-se muito bem no
modelo químico de destruição do
ozônio, e por isso ficaram com a
pecha de culpados. "Até o
momento, não há melhor explicação
para o fenômeno", dizia a
reportagem.
Até agora, os modelos matemáticos
que tentaram prever o decréscimo
futuro da camada de ozônio com base
na quantidade de CFC existente na
atmosfera falharam completamente. Os
dados do satélite Nimbus 7
indicavam (até 1988) que o ozônio
em latitudes mais setentrionais
vinha desaparecendo quatro a seis
vezes mais rápido do que o previsto
nos modelos científicos.
Além disso, nenhum dos
modelos previu a formação dos
buracos sobre a Antártida e o Ártico,
tampouco a redução do ozônio em
latitudes médias. A NASA tentou
esclarecer: "A habilidade
da atmosfera em compensar as perdas
de ozônio é menor do que pensávamos."
Muito convincente.
O fato é que a redução da
camada de ozônio não pode ser
explicada apenas pela maior
concentração de cloro na
atmosfera. John Gribbin, por
exemplo, apesar de concordar com a
idéia do CFC, deixa algumas dúvidas
no ar em seu livro O Buraco no Céu,
conforme se depreende dos trechos
transcritos abaixo:
"Tudo se encaixa
logicamente, envolvendo o cloro e o
ClO no desenvolvimento do buraco
(ainda que haja muito pouco ClO
abaixo de uma altitude aproximada de
16 km, e sejam necessários mais
estudos de química e dinâmica para
explicar o que está acontecendo
ali). (…) Parece que estão nos
dizendo [os dados coletados por satélite]
que, ultimamente, a destruição do
ozônio estratosférico vem
acontecendo duas vezes mais rápido
do que se pode explicar mediante a
soma de todos os efeitos, desde CFCs
e óxido nitroso até atividade
solar. (…) Sem dúvida, parte
disso [a redução do ozônio] pode
ser devida a mudanças do Sol. (…)
É possível que efeitos
relacionados à alteração na
atividade solar tenham ajudado a
formar as condições especiais
sobre a Antártida, que têm
permitido que o buraco cresça
tanto, em tão breve espaço de
tempo."
Em 1997 o consumo per
capita de CFC nos países
desenvolvidos havia caído de 300
gramas para 45 gramas, e geladeiras
e aparelhos de ar condicionado já
saíam de fábrica sem CFC. Nada
disso fez a mínima diferença até
agora.
A suposição de alterações
na atividade solar como causa da
redução da camada de ozônio não
deveria ser negligenciada. Vimos, no
tópico sobre o Sol, que a
tempestade solar de 1972 acarretou
um decréscimo de mais de 10% na
concentração de ozônio da
estratosfera. Um estudo mais
detalhado mostrou que a destruição
do ozônio sobre o pólo norte
naquele ano foi de 16%. Ninguém
ainda conseguiu estimar qual seria o
efeito de uma outra explosão solar
como a de 1972 agora, com os buracos
nos pólos e a redução contínua
do ozônio em diversas partes do
globo.
Mas será que essa situação
tão grave, da destruição da
camada de ozônio, vem tendo a
repercussão necessária? A
repercussão é, sem dúvida, maior
do que no caso das alterações do
comportamento do Sol, porque
trata-se de um fenômeno mais próximo
da humanidade. Todavia, como as notícias,
até agora, têm aparecido bastante
espaçadas no tempo, acabam não
tendo o impacto que poderiam e
deveriam ter, mesmo porque o ser
humano faz o que for preciso para
esquecer o mais rapidamente possível
qualquer coisa que lhe pareça
desagradável.
Abaixo são reproduzidos
alguns trechos de notícias ainda da
primeira metade da década de 90
que, lidos em conjunto, dão uma idéia
mais nítida do agravamento da situação:
-
Manchete:
Destruição da Camada de Ozônio
Atinge Europa (O Estado de
S. Paulo - 21.10.91)
"A
destruição da camada de ozônio não
se limita mais à Antártida. A
partir deste ano, vem atingindo também
o norte da Europa, Sibéria, Alasca
e Canadá. E, pela primeira vez,
esse fato ocorreu na primavera e no
verão. (...) O documento aponta
ainda a destruição do ozônio nas
altas e médias latitudes do hemisfério
sul (Argentina, Chile, Austrália e
Nova Zelândia). (…) Nas regiões
temperadas não há propriamente um
‘buraco’ na camada de ozônio,
mas várias falhas, ou seja, zonas
onde o gás é muito rarefeito, como
um tecido esgarçado que deixa
passar a radiação
ultravioleta do Sol."4
Obs.:
Essa analogia de "tecido esgarçado"
pode ser comprovada pela visualização
da imagem de satélite abaixo
(obtida da NASA), que mostra as
condições do ozônio no planeta em
outubro de 1992. Quanto mais escura
a área, mais rarefeita a camada de
ozônio:

-
Manchete:
Buraco causa cegueira em
coelhos (Gazeta Mercantil -
21.11.91)
"Coisas
esquisitas começaram a acontecer no
sul do Chile. Os pescadores estão
capturando salmões cegos. Os
camponeses relatam que os coelhos
selvagens desenvolveram olhos
saltados (exoftalmia) e devem estar
sofrendo de distúrbios oculares,
uma vez que são capturados com
muita facilidade. Rodolfo Mancilla,
um criador de ovelhas da Terra do
Fogo, diz que seus animais também
estão ficando cegos.
Algumas
mudas de árvores estão mostrando
um desenvolvimento deformado nesta
primavera austral, enquanto certos
tipos de algas marinhas estão
segregando um pigmento vermelho
nunca observado anteriormente.
Em
Punta Arenas, há medo e preocupação
em torno do bombardeamento invisível
de radiação ultravioleta B. Ninguém
sai de casa sem a proteção de chapéus
ou óculos escuros. Os médicos vêm
sendo insistentemente procurados por
pacientes portadores de alergias e
irritações oculares e dermatológicas."
-
Manchete:
Buraco aumenta também no verão
(Gazeta Mercantil - 22.11.91)
"Um
estudo patrocinado pelas Nações
Unidas forneceu a primeira evidência
de redução da camada de ozônio
sobre porções do hemisfério
norte, incluindo os Estados Unidos,
no período do verão, informou a
UPI. (…) Um relatório da NASA,
divulgado em abril passado, mostrou
que o buraco na camada de ozônio
sobre regiões dos Estados Unidos
estava aumentando a uma velocidade
duas vezes maior do que a que se
acreditava anteriormente. (…) A
situação constatada terá conseqüências
muito graves para a vida marinha,
assim como para a humanidade, porque
um aumento da radiação
ultravioleta que atinge a Terra pode
matar o fitoplâncton, que é a base
da cadeia alimentar da vida
marinha."
-
Trecho
de matéria (Folha de S. Paulo -
02.08.92)
"Ao
contrário do que vinha anualmente
ocorrendo, neste ano o buraco de ozônio
da Antártida não se dissipou no
outono. Na mesma direção, os
instrumentos assinalaram os mais
baixos níveis de gás até agora
registrados na região da
estratosfera sobre aquele
continente. Isso sugere que o buraco
anual está aumentando. Como se não
bastasse, verificou-se que durante
os meses de verão o ozônio está
regularmente diminuindo não só nos
pólos, mas também nas latitudes médias,
onde existem regiões densamente
povoadas. (…) A existência de
outro buraco no Ártico já é
conhecida há algum tempo e a
revista Science (n.º 255/797)
adverte que ele poderá estender-se
para o sul, afetando até a povoada
Europa. (…) O pesquisador Joe W.
Waters afirma que recentemente se
observaram línguas de ar pobre de
ozônio atingindo os pólos norte e
sul a partir dos trópicos, o
inverso do caminho usual da destruição
do ozônio atmosférico."
-
Manchete:
Cidade chilena vive ameaça
de "fim do mundo"
(Folha de S. Paulo - 17.01.93)
"Um
dos moradores [de Punta Arenas]
ficou sem camisa sob o Sol durante
meia hora e sofreu tanta queimadura
que parecia ‘ter estado no Havaí’.
Ovelhas e outros animais ficaram
cegos e morreram de fome porque não
conseguiram achar comida. Plantas
sadias definharam de uma hora para
outra. Os cientistas suspeitam que
esses fenômenos tenham sido
provocados pela destruição da
camada de ozônio, que bloqueia a
maior parte do radiação
ultravioleta do Sol. Em outubro
passado, os satélites detectaram o
menor nível de ozônio sobre a região."
-
Manchete:
Cresce buraco na camada de ozônio
no país (O Estado de S.
Paulo - 14.11.95)
"Aumentou
em 18% o buraco na camada de ozônio
no sul do país [Brasil] em comparação
com o ano de 1994. (…) ‘A proteção
nunca havia caído tanto quanto
neste ano’, comunicou ontem o
diretor do LACESM (Laboratório de
Ciências Espaciais de Santa Maria),
Paulo Sarkis. ‘Nos Estados do Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e até
Paraná, as pessoas devem evitar a
exposição ao Sol’, advertiu
Sarkis."
-
Manchete:
Raios do mal em ação
(Revista Veja - 22.11.95)
"Durante
quatro dias no início deste mês
[novembro de 1995], as maléficas
radiações ultravioletas atingiram
a pele dos gaúchos com o dobro da
intensidade normal. (…) Naquele
período houve uma diminuição na
concentração de ozônio atmosférico
de cerca de 20%."
Os extratos acima deveriam
constituir-se num alerta para os
seres humanos, a respeito de um dos
mais drásticos sinais do
desencadeamento do Juízo Final na
matéria grosseira desta Terra. Nos
próximos anos as notícias a
respeito da destruição da camada
de ozônio continuarão a
sobressaltar a humanidade,
independentemente de qualquer acordo
internacional para redução de CFC
e outros poluentes. Nenhuma ação
humana, nem mesmo a vontade inteira
da humanidade podem alterar algo
nisso, pois trata-se de um efeito de
retorno cármico na Lei da
Reciprocidade, a qual atua agora de
modo muito mais reforçado pela
intensificação da irradiação
julgadora do Juízo.
Notas
de Texto
1.
Dobson é a unidade que mede a
concentração de ozônio. É uma
medida de comprimento e indica a
altura que teria a camada de ozônio
se toda ela fosse trazida para
baixo, à pressão do nível do mar
e à temperatura de 0ºC. Um dobson
equivale a um milionésimo de centímetro;
500 dobsons correspondem a uma
espessura de ozônio de 5 milímetros,
nas condições descritas de
temperatura e pressão padronizadas.
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2.
Em 1985 o buraco apresentava uma área
de cerca de 5,7 milhões de Km², em
1990 já era de 7,5 milhões de Km²,
e em 1995 chegou aos 10 milhões de
Km².
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3.
Um nanômetro equivale a um bilionésimo
do metro.
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4.
O buraco na Antártida parece
funcionar como um ralo, sugando
partes da camada de ozônio de
outras regiões da Terra e adelgaçando-a.
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Fonte:http://www.msantunes.com.br/juizo/acamada.htm
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