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Em 1906, um terremoto
arrasou São Francisco.
Agora, dizem, o Big One
periga voltar, ainda
mais devastador – e
poderá mandar Los
Angeles pelos ares e até
separar a Califórnia dos
Estados Unidos. O
terremoto de 5,4 graus
que atingiu a Califórnia
na terça-feira
29/julho/2008, sendo
sentido de Los Angeles
até Las Vegas e a
fronteira com o México
deixou alguns feridos
sem gravidade e causou
poucos danos materiais,
de acordo com a agência
Associated Press, porém
reascendeu esse temor.
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San
Francisco
(1906) e
atualmente |
Sempre se falou do
risco de o Estado
americano da
Califórnia enfrentar
um gigantesco
terremoto, o “Big
One”, que dividiria
a região ao meio. A
ameaça deve-se à sua
localização sobre
uma falha geológica,
de 1,3 mil
quilômetros de
extensão, batizada
San Andreas. Nos
últimos dias, o
temor do Big One
cresceu. O Instituto
de Oceonagrafia
Scripps, nos EUA,
constatou que essa
falha geológica, um
fenômeno natural que
se movimenta de
forma imprevisível a
15 quilômetros
abaixo da
superfície, “vive um
momento de tensão
inigualável se
comparado a qualquer
outra ocasião”. Em
sua extremidade sul,
sob Los Angeles, não
houve nenhum
movimento drástico
nos últimos tempos.
Isso é bom? Não. Eis
o paradoxo do
terremoto: é
justamente esse
sossego, essa
contida panela de
pressão, que dá aos
especialistas a
certeza de que a
Califórnia vai ruir.
“A quietude aumenta
a probabilidade de
ocorrer um evento
sismológico, essa
energia represada é
mais que suficiente
para causar o Big
One”, diz o
cientistaYuri Fialko,
autor do mais
detalhado estudo
sobre o San Andreas.
Em 1906, foi esse
mesmo fenômeno
geológico o
responsável por
reduzir a pó a
cidade de São
Francisco. Em 1994,
Los Angeles sofreu
20 tremores
consecutivos que
abalaram a estrutura
de edifícios em
Hollywood e
incendiaram casas no
Vale San Fernando.
Agora, segundo os
geólogos, que nada
mais fazem na vida a
não ser estudar o
San Andreas e tentar
cravar uma data para
o Big One, com a
finalidade de que o
governo americano e
a defesa civil se
previnam e protejam
a Califórnia, do
subsolo virá uma
explosão que
arremessará para os
ares, a uma altura
de mais de dez
metros do chão,
prédios, casas,
árvores, pontes e
viadutos. E pessoas.
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A Placa
Norte
Americana
se
movimenta
para
sudeste
enquanto
a Placa
do
Pacífico
se
movimenta
para
Noroeste
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No interior do nosso
planeta, no ponto que os
oceanógrafos chamam de
“umbigo da Terra” e no
qual se localiza a
fronteira entre a crosta
terrestre e os mantos de
magma, há placas
tectônicas que se
encaixam como peças de
um quebra-cabeça. Em
algumas áreas do globo,
essas placas deslizam
umas sobre as outras e
essa dança gera um
atrito tão forte que
empurra a crosta
terrestre para cima –
isso é um terremoto.
Esse é o caso do San
Andreas que está entre
duas dessas placas
tectônicas: a do
Pacífico e a
Norte-Americana.
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Vista aérea
da falha de
San Andreas
na zona em
que
atravessa a
planície de
Carrizo, a
oriente da
cidade de
San Luis
Obispo.
(Robert E.
Wallace,
USGS.)
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O San Andreas foi
analisado de cima a
baixo com imagens de
alta qualidade obtidas
através de satélites que
mediram os abalos
sísmicos entre 1985 e
2005. Quando o
pesquisador Fialko
cruzou as imagens do
defeito geológico com
dados de seus últimos
movimentos, percebeu o
quanto um lado da placa
da América do Norte vem
deslizando além da placa
do Pacífico. Ou seja:
elas estão entre seis e
oito metros, aquém da
posição em que deveriam
estar. Essa dimensão de
deslizamento é
equivalente a um
devastador terremoto de
magnitude 8 na escala
Richter (a escala vai
até 9 pontos). Só para
efeito de comparação, em
1906 a falha de San
Andreas gerou tremores
menos intensos de 7,8
pontos e eles foram
capazes de desmoronar
São Francisco como se
desmantela um castelo de
cartas. A “Paris das
Américas” estava no auge
do desenvolvimento
econômico e urbano
quando tudo o que estava
sobre o seu solo foi
lançado a uma distância
de seis metros. Dos 800
mil habitantes, cerca de
três mil morreram e
milhares ficaram
feridos. Rachaduras
engoliram postes e
edifícios. No lugar da
bela e pujante São
Francisco, ficou uma
tétrica cidade fantasma.
Os abalos sísmicos na
falha de San Andreas
acontecem em ciclos e,
pelos cálculos dos
cientistas, o Big One
está atrasado, o que
aumenta a tensão dos que
residem na região de
Palm Springs, San
Bernardino e Riverside.
Finalmente, o medo
também sobe de escala
porque foi descoberto um
ramo do sistema
meridional de San
Andreas, chamado Falha
San Jacinto, que está se
deslocando duas vezes
mais rapidamente do que
se acreditava. “É o
próprio sistema nervoso
central dessa região”,
diz Yuri Fialko. “E esse
sistema nervoso está sob
pressão e muito
abalado."
25
mil bombas atômicas
promovem uma destruição
semelhante ao Big One
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