Krakatoa: o dia em que o mundo explodiu!
Graças à maravilha dos cabos telegráficos submarinos, uma espécie de versão vitoriana da internet, o jornal The Times, de Londres, publicou, na manhã do dia 24 de maio de 1883, a primeira notícia de que se tem registro sobre uma das catástrofes geológicas mais fantásticas da era moderna: a erupção do Vulcão Krakatoa, situado numa pequena ilha do estreito de Sundra, entre as ilhas de Java e Sumatra. Entre reportagens sobre uma batida policial num bar e notícias sobre o aumento do número de mendigos nas ruas da capital inglesa, lá estava uma nota sobre 'uma forte erupção vulcânica', despachada por um repórter baseado em Batávia, antiga possessão portuguesa - hoje mais conhecida como Jacarta. Cerca de 90 dias mais tarde, o relato de outro repórter dava o tom de total desespero: 'Aumento de detonações; ruídos cada vez mais estrondosos; chuva de cinza espessa; escuridão no meio da tarde, barcos sendo destruídos pela fúria das águas'.
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.wikipedia |
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Krakatoa era uma ilha
perfeita e calma,
situada no estreito de
Sonda, Indonésia, entre
Sumatra e Java; dominada
por um imenso vulcão. Um
gigantesco monstro
geológico que dormia sem
molestar ninguém faz
muito tempo. Os
moradores de Krakatoa
escutaram alguns rugidos
que não provinham das
feras que habitavam as
espessas selvas da ilha,
nem das ondas perfeitas
e tubulares que
quebravam sobre os
arrecifes circundantes.
Os temíveis sons eram
pequenas explosões
geradas pelo vulcão.
Durante três meses, os
roncos sucederam-se em
forma intermitente,
aumentando o pânico dos
habitantes locais, que
se meteram de imediato a
encher de oferendas o
gigante que consideravam
um Deus. Através de
sacrifícios, jogavam na
boca do vulcão crianças,
homens e belas donzelas;
cabritos, javalis,
galinhas degoladas e
demais animais que eram
assados em um instante
pelo próprio vulcão;
artesanatos em madeira,
dentaduras de macaco,
arranjos florais, frutas
frescas e empanadas
recheadas de pescado,
lula ou polvo. Mas nada
disso foi capaz de deter
a fúria incontrolável do
Krakatoa.
Os cientistas afirmam
que as paredes do vulcão
se fraturaram por
explosões mais
anteriores, que
permitiram a entrada da
água do oceano na câmera
de magma (o lugar dentro
do vulcão onde se
acumula toda a matéria
que sobe das entranhas
da terra), provocando a
explosão final, com uma
potência de cem megatons.
A onda explosiva
percorreu o ar ao redor
do mundo por sete vezes.
O estrondo se escutou até
na ilha de Madagascar, a
quase cinco mil
quilômetros de
distância, onde as
pessoas imaginaram uma
monstruosa batalha naval
que estava se
desenvolvendo além do
horizonte. Em Jacarta,
Java, a 160 quilômetros
de distância, as pessoas
ficaram temporariamente
surdas. As correntes de
ar espalharam as rochas
em forma de partículas
finas na atmosfera
superior, a mais de 130
quilômetros de altura e
mesmo três anos mais
tarde, observadores do
mundo inteiro descreviam
crepúsculos e
amanheceres de cores
brilhantes produzidas
pela refração dos raios
solares nestas
minúsculas partículas.
Além disso, as cinzas
que permaneceram no céu
obstruíram a passagem
dos raios solares,
produzindo um fenômeno
de esfriamento do clima,
afetando os padrões do
ano seguinte. Junto com
as explosões
produziram-se ondas de
até quarenta metros de
altura; bombas insólitas
que arrasaram mais de
cinqüenta mil pessoas na
costa de Java e Sumatra.
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Navio de
guerra
arrastado
pelas ondas
da explosão |
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knowledgenews.net |
Ondas tsunami geradas
pela erupção foram
observadas em todo o
oceano Índico, no
Pacífico, na costa oeste
dos EUA, na América do
Sul e até no canal da
Mancha. Elas destruíram
tudo em seu caminho e
levaram para a costa
blocos de corais de até
600 toneladas. Um navio
de guerra na área foi
arrastado por três km
até terra e depositado
numa montanha. Corpos
apareceram em Zanzibar e
o som da destruição da
ilha foi ouvido na
Austrália e na Índia.
Acredita-se que o som
das explosões reverberou
pelo planeta ao longo de
nove dias, e os efeitos
atmosféricos da
catástrofe, circundando
o globo, deram lugar,
durante vários meses, a
estranhas transformações
no nascer e pôr do Sol;
é considerada a erupção
vulcânica mais violenta
dos tempos modernos. A
cratera do vulcão era
monstruosa: possuía
aproximadamente 16 km de
diâmetro.
A única coisa que
permaneceu da ilha de
Krakatoa foi uma ilhota
chamada Rakata. Com o
passar do tempo, a vida
começou a aparecer onde
não havia e, em 1927,
descobriu-se que uma
nova ilha começava a se
formar debaixo da
anterior. Vinte e cinco
anos depois, em 1952,
outra explosão lançou
esta formação recente
para a superfície, dando
vida a um novo vulcão
que os locais batizaram
como Anak Krakatoa: O
Filho de Krakatoa. O
pequeno demônio surgiu
no mesmo lugar em que
seu pai escolheu mandar
todos ao espaço e as
mesmas placas tectônicas
estão empurrando magma
até a superfície,
fazendo com que a
formação cresça ano a
ano. Hoje já tem mais de 400
metros de altura.
Estudos de geólogos
realizados por
extraordinários
cientistas permitiram
saber que houve outra
explosão anterior a
Krakatoa, ocorrida no
ano de 416 AC. Os
prognósticos destes
cientistas indicam que
um dia o Anak, seguindo
os passos de seu pai,
também explodirá,
confirmando o
cumprimento de um ciclo
geológico de vida, morte
e renascimento.O que
pareceu ser em 1883 a
destruição total era
apenas a renovação. O
mais velho dando lugar
ao mais jovem.
Os milhares de ilhas da
Indonésia, que repousam
sobre uma zona em que
duas placas tectônicas
se encontram, são um dos
melhores cenários para
grandes detonações, como
a do Krakatoa. O choque
entre as placas pode
ativar qualquer um dos
cerca de 130 vulcões da
área. Como válvulas mal
reguladas de uma imensa
panela de pressão, vez
por outra um deles
estoura, lançando ao ar
milhões de toneladas de
magma. O Krakatoa até
que foi modesto. Em
1815, outro monte
indonésio, o Tambora,
deu seu espetáculo de
destruição com uma
intensidade dez vezes
maior – essa, sim, a
mais colossal explosão
já registrada.
Calcula-se que a erupção
e seus efeitos
posteriores tenham
causado a morte de 70.000
pessoas. As cinzas e os
gases liberados na
atmosfera resfriaram o
planeta e provocaram
grandes perdas na
agricultura. A Europa
viveria no ano seguinte,
1816, uma era de fome e
crises sociais, no que
se chamou de "ano sem
verão". |