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Glaciações 

Quantas glaciações já tivemos? Quatro? Oito? Depende da forma de interpretação do fenômeno. 

          O clima da Terra já sofreu muitas mudanças. No passado, ele já esteve mais quente ou mais frio. Em tempo geológico relativamente recente, a Terra viveu períodos glaciais, em que as geleiras cobriram grandes extensões, atingindo por vezes quase toda a superfície terrestre.

          Como o próprio nome sugere é um período de frio intenso quando a temperatura média da Terra baixou, provocando o aumento das geleiras nos pólos e um grande acúmulo de gelo nas zonas montanhosas próximo às regiões de neves eternas (que nunca derretem).


          Atualmente as geleiras ocupam 10 % da área total do planeta e a maioria está localizada nas regiões polares como a Antártica e a Groenlândia, mas nem sempre foi assim. Nos períodos glaciais o gelo cobria cerca de 32 % da terra e 30 % dos oceanos.


          As glaciações provocaram grandes mudanças no relevo continental e no nível do mar. Quando a temperatura global diminuiu ocorreu como conseqüência o aumento das geleiras ou seja, as baixas temperaturas provocaram o congelamento da água nos pólos aumentando a quantidade de gelo nas calotas polares. Outra conseqüência deste processo foi que a formação das geleiras não ficou mais restrita às regiões polares. A neve e o gelo foram se acumulando nas zonas montanhosas próximas aos picos ano após ano até que seu próprio peso, juntamente com a força da gravidade fizeram com que se deslocassem lentamente provocando grandes alterações de relevo no caminho por onde passam, formando profundos vales em forma de U. Esta massa de gelo e neve são os glaciares que foram deslizando lentamente até alcançar zonas mais quentes quando foram se derretendo e formando a cabeceira de um rio ou dando origem aos lagos glaciais. Outra conseqüência foi o rebaixamento do nível dos mares devido à retenção de água nos pólos. O mar se afastou da linha da costa, das praias, por exemplo, expondo grandes extensões de terra e ligando ilhas e continentes entre si. Entre os períodos glaciais há os períodos interglaciais em que a temperatura da Terra se elevou. O período em que vivemos nada mais é do que um Interglacial.

          Há 18.000 anos atrás, no auge da última glaciação, denominada de Wisconsin, duas extensas capas de gelo (glaciares) cobriam grande parte da América do Norte sendo no Leste denominado de Glaciar Laurenciano e a Oeste, Glaciar da Cordilheira. As geleiras ocupavam tanto a região Sul quanto o Norte da Pensilvânia, Ohio, Indiana, Illinois, alcançando partes do Estado de Nova Iorque. Cobria o Canadá e se juntava a outra geleira concentrada na Groenlândia. Processo semelhante ocorreu para a Europa com a expansão de uma grande capa de gelo sobre a Escandinávia denominada Eurasiana.

          Durante o Pleistoceno houve quatro grandes glaciações separadas por períodos Interglaciais em que a temperatura subiu revertendo o processo de congelamento com o degelo dos glaciares e conseqüente aumento do nível dos mares. A última glaciação é chamada de Wisconsin e se iniciou acerca de 70.000 mil anos antes do presente.

Povoamento das Américas

          Neste período o mar baixou cerca de 100 metros, expondo várias extensões de terra e ligando o Estreito de Bering na Ásia com o continente americano, através do Alasca possibilitando, assim a passagem do homem de um continente para o outro, ou seja, da Ásia para a América do Norte, caminhando por terras secas, provavelmente cobertas de vegetação e com rios. Esta hipótese é a mais aceita pelos cientistas. Que homem é este? Quem chega a América do Norte parece foi o Homo sapiens sapiens, o homem atual, biologicamente falando, muito parecido com os asiáticos (você já viu como algumas nações indígenas se assemelham aos povos da Mongólia e da Sibéria?). Eu e você somos pertencentes a esta espécie seja qual for a sua descendência ou cor ou cultura.    A migração de um continente ao outro, se deu muito provavelmente, em busca de alimentos, atrás da caça ou na exploração e posse de novos territórios. Nesse processo desenvolveram novos hábitos, criaram novas formas de sobreviverem no novo ambiente e foram se deslocando continuamente para o sul.

          Segue abaixo, uma tabela com as glaciações e as interglaciações nos Estados Unidos e o nome correspondente na Europa:

 

Glaciações nos EUA e Europa

GERAL

América do Norte

Europa (Alpes)

Datações -início de cada período

Pós-glacial

Pós-glacial

Pós-glacial

10.250 ap.

Última glaciação

Wisconsin

Würm

70.000 ap.

Último Interglacial

Sangamon

Riss-Würm

187.000 ap.

Penúltima glaciação

Illinoian

Riss

230.000 ap.

Penúltimo interglacial

Yarmouth

Mindel-Riss

435.000 ap.

Ante-penúltima glaciação

Kansan

Mindel

476.000 ap.

Ante-penúltimo interglaciali

Aftonian

Günz-Mindel

550.000 ap.

Primeira glaciação

Nebraskan

Günz

590.000 ap.

 
 

Glaciação atingiu América do Sul

          Geólogo da UFPE diz que esta é a primeira vez que um trabalho científico realizado no país confirma solidamente a ocorrência do fenômeno no continente
 

          Pesquisadores encontraram, pela primeira vez na América do Sul, provas de que o continente viveu a grande glaciação que atingiu a Terra 570 milhões de anos atrás.

          O estudo, realizado pela USP, em colaboração com a UFPE e as Universidades Federais do Amazonas (Ufam) e do Pará (UFPA), se baseou na análise de amostras de rocha coletadas em Mirassol d'Oeste (MT).

          Quatro grandes glaciações do planeta, que deixaram o globo parecido com uma imensa bola de neve, ocorreram há 740, 720, 600 e 570 milhões de anos.

          'Esta, no entanto, é a primeira vez que se confirma solidamente que o fenômeno global atingiu mesmo a América do Sul', explica o geólogo Alcides Nóbrega Sial, da UFPE.

          O pesquisador contribui com a análise de mais de cem amostras coletadas em Mirassol d'Oeste, em junho de 2001. 'Analisamos isótopos estáveis de carbono e oxigênio de rochas carbonáticas', descreve. Os carbonatos estão depositados acima dos tilitos, mineral tipicamente glacial.

          O trabalho, que faz parte da tese de doutorado pela USP de Afonso César Rodrigues Nogueira, da Ufam, revelou ainda uma ondulação no local pesquisado.

          'O que é mais uma comprovação da mudança climática', afirma Sial, coordenador do Laboratório de Isótopos Estáveis (Labise/UFPE).

          Essa mudança climática ocorreu no período Neoproteozóico, compreendido entre 600 e 570 milhões de anos atrás. Na glaciação, com temperaturas de 50 graus negativos, a vegetação quase desaparecida da fase da Terra e apenas poucos organismos, como as cianobactérias, sobreviviam na água gelada.

          No fim desse período, a temperatura atingiu 50 graus. Foi justamente essa mudança brusca que deixou marcas em Mirassol d'Oeste.

          O trabalho dos pesquisadores brasileiros está sendo publicado na revista científica 'Geology', uma das mais respeitadas na área.
(Jornal do Commercio, Recife, 5/8)

Fonte: Jornal da Ciência
 
 
Fonte: http://www.arqueologia.arq.br/page5-3.htm (com adaptação)

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