Nas
últimas décadas, a região
Centro-Oeste do Brasil vem se
transformando numa espécie de celeiro
do país, especialmente com a expansão
e consolidação de uma agricultura de
caráter empresarial, onde as vedetes
são o cultivo da soja e do algodão.
Do ponto de vista natural, o
Centro-Oeste se destaca pela presença
de amplas áreas das chapadas
tropicais recobertas extensivamente
pela vegetação do cerrado e por uma
região conhecida como Pantanal, com
características de transição
morfoclimática, identificada por uma
extensa baixada, com formações
vegetais heterogêneas e drenada pelo
rio Paraguai.
Quando se observa um mapa da rede
hidrográfica do Brasil, percebe-se
que no interior da região
Centro-Oeste correm cursos fluviais
para todas as direções. Por isso, o
chamado Planalto Central é o mais
importante dispersor de águas da
rede hidrográfica brasileira. Quatro
grandes bacias hidrográficas drenam
áreas do Centro-Oeste de forma mais
ou menos equivalente.
A primeira é a Bacia Amazônica que
drena a parte centro-norte de Mato
Grosso onde correm vários afluentes
da margem direita do rio Amazonas,
como os rios Xingu, Juruena e Teles
Pires, entre outros. A porção leste
de Mato Grosso, o centro-norte e o
oeste de Goiás são atravessados
pelos rios da Bacia do
Tocantins-Araguaia. Já, o centro-sul
de Goiás e o centro-leste e o sul de
Mato Grosso do Sul são cortados pelos
rios da Bacia do Paraná. Por fim,
toda a parte sul de Mato Grosso e a
porção noroeste de Mato Grosso do
Sul são atravessados por rios da
Bacia do Paraguai.
Os rios dessas bacias não cruzam
exclusivamente as unidades federativas
do Centro-Oeste, mas estendem-se por
outras regiões brasileiras e também
por nações vizinhas ao nosso país.
Isso atribui ainda maior importância
à rede hidrográfica do Centro-Oeste:
vários países sul-americanos, entre
os quais o Brasil, têm o maior
interesse em incrementar a navegação
fluvial.
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A importância da rede hidrográfica
no Centro-Oeste remonta ao período
colonial, quando o garimpo de ouro e
de diamantes realizava-se em grande
parte ao longo dos rios. Naquela época,
os rios se constituíam num dos
principais meios de locomoção
daqueles que buscavam enriquecer
rapidamente no interior do Brasil. Os
garimpeiros, assim como os bandei¬rantes
que se dirigiam ao território
mato-grossense, vindos especial¬mente
de São Paulo, utilizavam os cursos
fluviais do chamado "caminho das
monções", prolongado, em terras
do Centro-Oeste, por rios como o
Pardo, o Coxim, o Paraguai, o Cuiabá
etc.
A pecuária, outra atividade econômica
que evoluiu paralelamente ao garimpo e
mais tarde se sobrepôs à mineração,
teve sua expansão associada à
hidrografia, na medida em que os eixos
de penetração do povoamento se
verificavam ao longo dos vales. Os
principais núcleos urbanos que se
originaram na região estavam, quase
sempre, junto às margens dos rios.
Desde a época colonial até o século
XX, os rios se constituíram nas mais
eficientes vias de transporte com que
contavam extensas áreas do
Centro-Oeste.
Diferentemente ao que ocorre em outras
regiões do país, os divisores de água
do Centro-Oeste nem sempre separam de
forma nítida uma bacia hidrográfica
de outra. Isso decorre do fato de que,
na região, uma parte considerável
das elevações é constituída por
formas de relevo cujo "topo"
é marcado por grande horizontalidade.
Por conta desse aspecto morfológico,
os altos vales e as nascentes de rios
de diferentes bacias podem se
localizar tão próximos uns dos
outros, que os cursos fluviais podem
se dirigir, indiferentemente, para uma
ou outra bacia. Esse
"embaralhamento" de rios de
bacias hidrográficas diferentes é
conhecido como "águas
emendadas", podendo,
eventualmente, facilitar obras que
proponham estabelecer ligações
fluviais.
Por exemplo: seriam possíveis pelo
menos duas ligações entre as bacias
Amazônica e do Paraguai. Uma delas
poria em contato o Rio Guaporé
(afluente do Amazonas) com afluentes
de pequeno porte do Rio Paraguai. A
outra, ocasional¬mente, ocorreria na
porção oriental da Chapada dos
Parecis, onde existe um grande brejo,
resultado da "mistura" de
rios das duas bacias. Há ainda a
possibilidade de ligação dos rios da
Bacia Platina (São Lourenço e
Itaquira) com os da Bacia do Tocantins
(rios das Mortes e Araguaia).
Pode-se também, além disso,
viabilizar a ligação entre rios
importantes de uma mesma bacia,
aproveitando-se da proximidade entre
altos cursos de afluentes. É o caso
de uma possível ligação entre o
Paraná e o Paraguai, ambos da Bacia
Platina, através do Rio Pardo
(afluente do Paraná) e o Coxim
(afluente do Paraguai).
Em função de suas características
morfológicas e hidrográficas, a região
Centro-Oeste funciona como uma espécie
de "caixa d'água" do país,
na medida em que dispersa águas em
todas as direções. Essa condição
geográfica é um fator de grande
relevância para uma maior e mais
produtiva integração nacional e
continental.