É simples: enquanto despejarmos CO2 na atmosfera mais rápido do que a natureza se livrar dele pelo ralo, a temperatura do planeta vai continuar subindo. Pois esse carbono extra leva muito tempo para ser eliminado.
Por Robert Kunzig
Foto de Nigel Holmes. Sources:John Sterman, MIT; David Archer, University of Chicago; Global Carbon Project
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No gráfico, a quantidade de carbono eliminada no planeta. |
Uma falha
humana
básica,
segundo John
Sterman,
atrapalha
ações contra
o
aquecimento
global.
Sterman fala
de uma
limitação
cognitiva,
"um problema
no
raciocínio
humano", que
constatou em
testes com
alunos do
Instituto de
Tecnologia
de
Massachusetts
(MIT, na
sigla em
inglês).
Professor de
dinâmica de
sistemas,
Sterman diz
que seus
alunos,
embora
acostumados
a lidar com
cálculos,
não têm
compreensão
intuitiva de
um sistema
ao mesmo
tempo
simples e
crucial: uma
banheira.
Pense em uma banheira na
qual a
torneira e o
ralo estão
abertos. O
nível de
água pode
representar
fatores do
mundo
moderno. Um
deles é o
total de
dióxido de
carbono na
atmosfera da
Terra.
Outros dois
são a
cintura de
uma pessoa e
o débito em
seu cartão
de crédito.
Em todos
esses três
casos, o
nível de
água na
banheira só
diminui
quando a
vazão pelo
ralo é maior
que a
entrada de
água pela
torneira -
ou seja,
quando
queimamos
mais
calorias do
que
ingerimos ou
quando
saldamos
débitos
antigos com
maior
rapidez do
que
contraímos
dívidas.
As plantas, os oceanos e
as rochas
drenam o
carbono da
atmosfera,
mas em ritmo
lento. Serão
precisos
centenas de
anos para
que seja
removida a
maior parte
de CO2 que
os seres
humanos
jogam na
banheira, e
centenas de
milhares
para ser
eliminado. A
interrupção
do aumento
de CO2,
portanto,
exigirá
cortes
brutais nas
emissões de
carros,
termelétricas
e fábricas,
até que a
entrada de
água na
banheira
seja
inferior à
vazão do
ralo.
A maioria dos alunos de
Sterman não
entende
isso, ao
menos quando
o problema é
descrito com
a
terminologia
referente às
questões
climáticas.
Eles
imaginavam
que o mero
congelamento
das emissões
em seus
atuais
níveis
evitaria o
aumento de
CO2 na
atmosfera –
como se a
água que
escorre de
uma torneira
em ritmo
constante
não pudesse
provocar o
transbordamento
da banheira.
Se alunos de
uma escola
tão
prestigiosa
quanto o MIT
não entendem
o que está
em jogo, é
provável que
o mesmo
ocorra com a
maioria dos
políticos.
Até 2008, o índice de CO2
na banheira
era de 385
partes por
milhão (ppm)
e aumentava
no ritmo de
2 ou 3 ppm
por ano.
Segundo
Sterman,
para
estabilizar
esse
crescimento
em 450 ppm,
número que
os
cientistas
consideram
alto, o
mundo teria
de reduzir
as emissões
em 80% até
2050. Neste
mês, quando
diplomatas
estiverem
reunidos em
Copenhagen
para
negociar um
tratado
sobre o
clima,
Sterman
estará lá
com seus
programas
informatizados
que mostram
de maneira
imediata
como os
cortes de
emissões
propostos
afetariam o
nível na
banheira -
e, portanto,
a
temperatura
do planeta.
Em geral, no
fim de seu
curso, os
alunos
entendem bem
melhor a
dinâmica da
banheira - e
esse é um
motivo de
esperança.
"As pessoas
podem
aprender
isso", diz
ele.
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