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Consumo de água
(Por
Ricardo Daher - Secretário Executivo do
PNUMA )
"As
águas não eram estas, há um ano, há
um
mês, há um dia. Nem as crianças, nem
as
flores, nem o rosto dos amores...Onde
estão
águas e festas anteriores ?"
(Cecília Meireles, Mar Absoluto e
Outros Poemas)
Dia 22 de
março de 1992, a ONU (Organização das
Nações Unidas), instituiu o dia mundial
da água, para que todo o planeta Terra
soubesse da importância da preservação
desse recurso natural tão importante.
O corpo
humano é formado, em sua maior parte, por
água, e ele precisa de pelo menos 2,5
litros/dia de água para o seu bom
funcionamento.
Atualmente,
três milhões de crianças morrem
anualmente por infecções e diarréias
transmitidas por água contaminada.
Duzentos milhões de pessoas são, também,
afligidas pela esquistossomose por ano.
Metais pesados são encontrados na água,
enfim, tudo isso se tornando um grande
problema para a população mundial, além
dos custos elevadíssimos dos governos com
tratamentos de saúde.
Como
visto acima, o bem mais importante que
possuímos em nosso planeta é a água, a
qual não se pode viver sem. Infelizmente,
o ser humano ainda não se deu conta
disso, e corre o risco de ficar sem ela.
Cerca de dois terços da superfície do
globo terrestre é formado por água, e é
até paradoxal que o homem viva com
insuficiência deste líquido vital. A
crise no abastecimento já é sentida em
todos os lugares, e no Brasil, desde o
Nordeste até os grandes centros urbanos.
Segundo
previsões de especialistas, existem cerca
de 200 bacias hidrográficas localizadas
em áreas de fronteiras de vários países,
o que poderá induzir, no século XXI, a
guerras pelo controle da água.
Ninguém
ainda parou para pensar, que a água
existente no planeta é e sempre foi a
mesma desde a sua mais remota existência.
Não se produz água. Existem processos
para tornar a água do mar doce e potável,
porém são extremamente caros. Apenas
2,59% do volume de água total existente
na Terra é de água doce, sendo que mais
de 99% estão sob a forma de gelo ou neve
nas regiões polares, ou em aqüiferos
muito profundos. Do restante, quase metade
está nos corpos dos animais e vegetais
(biota), como umidade do solo, e como
vapor d'água na atmosfera, e a outra
metade está disponível em rios e lagos.
Tomando conhecimento disto, uma das soluções
mais pertinente e inevitável, é a
reeducação, as mudanças de hábitos
pessoais, através da Educação
Ambiental, conscientizando a população,
visando preservar o mais importante
recurso natural que possuímos.
O Brasil
detém 12% das reservas de água doce de
todo o planeta, e 80% se concentra na
Bacia Amazônica, onde vive apenas 7% da
população, sobrando 20% para serem
distribuídos desigualmente pelo resto do
País. A região sudeste é a que possui
os rios mais comprometidos. Esses rios
recebem uma grande quantidade de lixo e
esgotos domésticos sem tratamento. Para
se ter uma idéia, segue, abaixo, uma
tabela do tempo em que determinados
produtos levam para se decomporem:
|
Produto
|
Tempo
|
|
Papel
|
de
3 a 6 meses
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Nylon
|
mais
de 30 anos
|
|
Pano
|
de
6 meses a um ano
|
|
Filtro
de cigarro
|
5
anos
|
|
Metal
|
mais
de 100 anos
|
|
Chiclete
|
5
anos
|
|
Borracha
|
Tempo
Indeterminado
|
|
Plástico
|
mais
de 100 anos
|
|
Madeira
pintada
|
13
anos
|
|
Vidro
|
1
milhão de anos
|
Enquanto
entre 92 a 95% das casas recebem água potável,
apenas 35% delas possuem coleta de esgotos.
Somente 16% dos dejetos urbanos são
tratados, enquanto que 84% são despejados
in natura nos rios. A criação da Agência
Nacional de Águas (ANA), não resolverá,
sozinha, o problema, já que a Educação
Ambiental é fundamental neste processo.
A água
também obedece a lei de oferta e procura,
e sua escassez a tornará, com certeza, um
recurso muito valioso. A cobrança pelo
seu uso virá, e não será barata,
colocando valor naquilo que atualmente
parece não ter nenhum, devido a posturas
enraizadas na cultura da população. Sua
cobrança terá como objetivo, reverter o
arrecadado para a melhoria da qualidade da
água na Bacia Hidrográfica onde os
recursos foram gerados. Além disso, deverão
ser implantados medidores de vazão nas
casas e empresas, para proporcionar
economia de água.
Outro
ponto importante é quanto as indústrias.
Os Municípios se debatem para recebê-las,
ávidos pelo desenvolvimento de sua região,
o que não está errado, mas muitas vezes
oferecem condições vantajosas demais,
para que elas se instalem em seus
terrenos. Estas vantagens muitas vezes
geram sérios problemas ambientais, como o
lançamento de resíduos tóxicos nos rios
e nos solos, onde o poder público,
sozinho, não consegue fiscalizar. É
preciso que se siga com a implementação
da Agenda 21 em todos os lugares, com suas
diretrizes sendo seguidas e adaptadas à
realidade de cada região, formando cidadãos
sensibilizados e conscientes.
Algumas
atitudes que poderiam ser tomadas para se
economizar água, e garantir a sobrevivência
do ser humano, assim como atender as
necessidades das gerações futuras são:
|
Ter
plena consciência de que a água
é finita;
|
|
Não
fazer ligações clandestinas;
|
|
Não
fazer mau uso da água;
|
|
Cobrar
sempre das autoridades
competentes, políticas adequadas
de uso da água;
|
|
Cobrar
o controle de emissão de resíduos
industriais e doméstico, para que
eles sejam tratados antes de serem
dispostos;
|
|
Fiscalizar
se o poluidor está pagando pelo
lançamento de resíduos nos rios;
|
|
Lembrar
sempre que a água desperdiçada
custa para o próprio bolso;
|
|
Os
proprietários e síndicos de imóveis
devem sempre observar se o hidrômetro
está funcionando direito, e
controlar o consumo geral;
|
|
Utilizar
somente a quantidade de água
necessária;
|
|
Regar
o jardim no verão pela manhã
cedo ou a noite, para se evitar a
evaporação, e no inverno dia sim
e dia não;
|
|
Evitar
banhos prolongados;
|
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Não
deixe a torneira aberta ao escovar
os dentes e ao fazer barba;
|
|
Fechar
bem as torneiras;
|
|
Verificar
se há vazamentos, e chamar um técnico;
|
|
Olhar
sempre as condições da caixa d'água,
verificando rachaduras e se a bóia
está em boas condições. Faça o
mesmo para a cisterna;
|
|
Lave
previamente a louça em uma cuba,
e em seguida lave-as em água
corrente, evitando manter a
torneira aberta todo o tempo;
|
|
Não
varra a calçada com água.
Utilize a vassoura primeiro, e aí
sim, jogue somente a água necessária
a lavagem;
|
|
Espere
até ter roupas suficientes para
encher a máquina de lavar, e
assim proceder a lavagem. O mesmo
vale para a louça;
|
|
Carro
não precisa ser lavado
diariamente feito gente. Utilize
um balde e sabão, evitando manter
a mangueira ligada continuamente.
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O
problema do desperdício vai mais além.
Veja abaixo uma tabela de mau uso da água
por setor, e em Km3/ano:
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Setor
|
Km/ano
|
|
Agricultura
|
2.500
|
|
Indústria
|
117
|
|
Doméstico
|
64,5
|
|
Reservatório
|
220
|
|
Total:
|
2.900
|
Como se
pode observar, a agricultura é a campeã
do desperdício, com irrigações mal
feitas, já que cerca da metade da água
utilizada não chega as plantações,
perdida em infiltrações no solo. Se
houvesse uma redução de apenas 16% de
desperdício de água na agricultura,
haveria uma economia suficiente para
atender a praticamente todos os outros
setores juntos*.
*
Fontes:
|
1.
|
Nalini,
José Renato. Ética Ambiental.
Campinas: Ed. Millennium, 2001.
|
|
2.
|
Utilidade
Pública. Classificados. O Globo,
Rio de Janeiro, 19 de abril de
2001, p.10.
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|
3.
|
Lemos,
Haroldo Mattos de. Apostila. O Século
XXI e a crise da água. EE/UFRJ.
Rio de Janeiro, 2000.
|
|
4.
|
Comitê
Brasileiro do Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente.
Informativo Nº 54. Rio de
Janeiro, 2000.
|
|
5.
|
CREA/CMA.
Movimento de cidadania pelas Águas.
Rio de Janeiro, 2001.
|
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.
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Disponível em:http://www.brasilpnuma.org.br/pordentro/saibamais_agua.htm
- acesso
em 29/04/2006 - 21h15
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