O
cerrado brasileiro é um dos 34 ambientes
mundiais mais ameaçados, e a pressão é
crescente, segundo relatório da organização
Conservação Internacional (CI). A mata
atlântica é o outro ecossistema
brasileiro relacionado no documento, mas
com uma situação um pouco melhor.
Da mata atlântica sobram apenas 8%
da cobertura original, mas a chamada pressão
antrópica está muito mais fraca. Do
cerrado permanecem 22% e as perdas
cotinuam altas.
Estes dois ecossistemas brasileiros
são classificados como hotspots, termo
concebido pelo ecólogo inglês Norman
Myers, em 1988, que se refere a ambientes
que perderam 75% ou mais de sua cobertura
vegetal e contam com pelo menos 1.500 espécies
de plantas endêmicas.
Desde
1988
Cerrado e mata atlântica já
estava na lista de Myers, publicada em
forma de livro naquele ano. “Os hotspots
foram revistos nos últimos anos e o
cerrado permanece na lista. Não tem como
ser retirado”, disse o pesquisador Mario
Barroso, gerente da Conservação
Intermacional (CI) para o bioma cerrado.
“Apesar de todos os esforços, as
pressões continuam grandes. A ocupação
é alta e o comprometimento dos recursos
aquáticos também.”
As áreas geográficas mais ameaçadas,
segundo a análise da CI, estão no sul do
Maranhão e do Piauí e no oeste da Bahia.
“Não apenas a soja, mas a agricultura
mecanizada como um todo, algodão e milho
também estão devastando o cerrado”,
afirma Barroso.
Produção
Para o pesquisador, a solução é
a proibição por completo da atividade
agrícola na região. “Se fosse cumprido
o código florestal, que prevê os 20% mínimos
de área destinada para a reserva legal,
seria perfeitamente possível conciliar
preservação com produção”, explica.
Em termos de áreas protegidas, o
cerrado tem hoje apenas 6% de sua área.
“Na prática isso é menor. Alguns
parques estão sendo ocupados”, diz
Barroso.
Novos
hotspots
A lista divulgada na quarta-feira
– um livro com o detalhamento da fauna e
flora de cada uma das regiões será lançado
ainda no primeiro semestre no Brasil –
tem nove hotspots novos em relação à
primeira, de 1999. A maioria dele está na
Ásia e na África.
Nas Américas, a única zona que
surge como novidade, segundo o estudo que
reuniu mais de 400 especialistas e demorou
quatro anos para ficar pronto, é a
Floresta de Pinho-Encino de Sierra Madre,
entre o México e os Estados Unidos.