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O
efeito Coriolis no planeta Terra.
Imagine que um satélite
artificial é lançado do pólo
norte na direção do pólo sul.
Se a Terra não girasse, esse
satélite seguiria uma órbita
sempre acima do mesmo meridiano
terrestre. No entanto, a Terra
gira de oeste para leste, dando
uma volta em torno de si mesma
em um dia. A figura abaixo mostra um satélite
indo do pólo norte ao equador
em 3 horas. Durante esse tempo,
a Terra gira cerca de 45 graus (um
oitavo de volta). A interpretação
desse fato, para alguém que vê
tudo de fora da Terra, é que a
órbita do satélite é uma
circunferência em um plano fixo
porque a única força sobre ele
é a gravidade. E, como a força
da gravidade sempre aponta para
o centro da Terra, não poderia
desviar a trajetória do satélite
para fora desse plano fixo.
Uma
das conseqüências mais
espetaculares da "força de
Coriolis" na atmosfera da Terra
é o movimento giratório dos
furacões que costumam perturbar
a vida dos habitantes do
hemisfério norte.
As grandes massas de ar que se
deslocam nesses furacões , às
vezes em grandes velocidades,
formam enormes círculos em torno
de uma região de baixa pressão,
o chamado "olho" do furacão. No
hemisfério norte
esses movimentos são no
sentido contrário
ao dos ponteiros do relógio.
Quando os ventos se deslocam na
direção da região de baixa
pressão (representada pela área
azul da figura) a força de Coriolis
faz com eles se desviem para a
direita.
No
hemisfério sul
um furacão deveria
girar no sentido horário.
Mas, para sorte nossa, por
alguma razões meteorológicas,
quase não existem furacões no
nosso hemisfério.
Nos dias 26 e 27 de março de
2004, foi registrado o primeiro
fenômeno desse tipo no sul do
Brasil. O furacão ocorreu no sul
do oceano Atlântico e ganhou o
nome de Catarina. - (inserção do
professor após a ocorrência.)
Compare nas fotos de satélite
seguintes, que o furacão
Catarina, ocorrido no Brasil,
gira no sentido dos ponteiros
dos relógios, enquanto o furacão
Katrina, ocorrido nos Estados
Unidos, gira no sentido
contrário do dos ponteiros dos
relógios.
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Furacão Catarina, no
hemisfério Sul |
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Furacão Katrina, no
hemisfério Norte |
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Será
que dá para ver esse efeito na
água que escoa pelo ralo de uma
pia? Quando eu era estudante meu
professor disse que dava e disse
mais: no hemisfério norte a água
escoa no sentido anti-horário e
no hemisfério sul, no sentido
horário. Segundo ele, essa era
uma manifestação inequívoca
do efeito Coriolis.
O
efeito Coriolis na pia do banheiro.
Infelizmente,
meu professor estava errado.
Não dá para comprovar os
efeitos da força de Coriolis em
uma pia, nem se a gente estiver
usando uma pia em um dos pólos
da Terra. A força de Coriolis,
como vimos na página anterior,
força tudo o que se desloca
pela atmosfera do planeta a
fazer uma curva para o Oeste (acentuada na
linha do Equador, como visto na
figura ao lado). Se fosse
lançado um objeto do Pólo
Norte ou do Pólo Sul no sentido
da Linha do Equador, ele não
acompanharia a linha do
meridiano. A velocidade angular da Terra em
torno de seu eixo é muito pequena, 1
volta por dia. Fazendo as
devidas transformações, isso
equivale a cerca de 7 x 10-5
rd/seg. Usando a fórmula para 1
kg de água escoando com
velocidade de 1 m/s (bem grande,
portanto), a gente acha uma
forcinha de apenas 10-4
N (0,0001 N) que é semelhante
ao peso de um grão de poeira.
Portanto, bastariam alguns
grãos de poeira na água para
baldear por completo a
influência da força de
Coriolis.
Se você fizer uma
experiência na pia de seu
banheiro (faça!) verá que a
água pode escoar no sentido
horário, no anti-horário, e
pode até mudar de sentido
durante o escoamento. Qualquer
sugeirinha, qualquer vibração,
qualquer irregularidade na
superfície da pia influenciam
muito mais o escoamento da água
que a pobre força fictícia de
Coriolis.
Mesmo assim, além dos
furacões, a força de Coriolis
tem efeitos bem visíveis na
Terra. Os leitos dos rios
costumam ser mais fundos em uma
das margens do que na margem
oposta. Que margem deve ser mais
funda aqui no hemisfério Sul?
Até os trilhos dos trens,
depois de anos de uso, ficam
mais gastos de um lado que do
outro. Em vôos internacionais
de longa duração, os pilotos
têm de compensar o efeito da
força de Coriolis para não se
desviarem de suas rotas. O mesmo
vale para satélites, como vimos
nas imagens anteriores.
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