O Cinema
na
Escola
João
Luís
Almeida
Machado

“A
era
das
protelações,
das
meia-medidas,
das
ações
a
curto-prazo,
dos
adiamentos,
está
terminando.
Em
seu
lugar
estamos
entrando
numa
era
de
conseqüências.”
(Winston
Churchill,
primeiro-ministro
britânico,
na
década
de
1930,
quando
o
país
passou
por
um
estado
de
emergência
causado
por
questões
ambientais).
Icebergs
descongelando.
Furacões e
enchentes em
diferentes
partes do
mundo.
Florestas
ameaçadas
por
incêndios.
Fábricas
soltando
toneladas de
fumaça na
atmosfera.
Muitas
pessoas
acreditam
que, tendo
em vista as
dimensões de
nosso
planeta,
desastres
ambientais
de grande
intensidade,
por maiores
que venham a
ser, não são
capazes de
tornar
impossível a
continuidade
da vida no
planeta. A
essas
pessoas é
dirigida a
mensagem de
Al Gore,
senador
norte-americano,
candidato
derrotado
por George
Bush à
presidência
da república
e que se
tornou, nos
últimos
anos, um dos
maiores e
mais
destacados
líderes em
favor da
luta contra
o
aquecimento
global de
que se tem
notícia.
E para
atingir
públicos
ainda
maiores, de
preferência
obtendo
repercussão
nos quatro
cantos do
mundo, Gore
protagonizou
palestras em
várias
instituições,
criou
materiais
através dos
quais
apresenta e
discute o
tema do
aquecimento
global e,
para dar
maior
impacto a
sua cruzada
mundial,
produziu o
filme “Uma
verdade
Inconveniente”.
Para
ilustrar com
clareza a
tese de que
estamos cada
vez mais
desprotegidos
e também
para
comprovar
que somos
todos
cúmplices no
movimento
que está
levando o
Planeta a
derrocada
final, em
uma de suas
falas
iniciais no
filme, Al
Gore nos
lembra o
pensamento
de Carl
Sagan,
renomado e
reputado
astrônomo
norte-americano,
mundialmente
famoso.
Segundo
Gore, Sagan
comparava a
atmosfera
terrestre a
uma fina
camada de
verniz
utilizada
para
proteger,
dar brilho e
manter por
período mais
prolongado
de vida um
globo
terrestre.
Trata-se,
portanto a
atmosfera,
de uma
camada que,
sendo assim
tão
reduzida, e
tendo pela
frente toda
a ação
humana que
alterou
completamente
o equilíbrio
da vida na
Terra,
fragilizou-se
de tal
maneira, que
já não atua
como antes o
fazia na
redução dos
efeitos da
radiação
solar sobre
o planeta e
os seres que
aqui vivem.
Mas o que
realmente
aconteceu?
A atmosfera,
que até
recentemente
era fina o
suficiente
para deixar
os raios
ultravioleta
emitidos
pelo Sol e
direcionados
ao planeta
Terra, aqui
entrar e
depois sair,
conservando
dentro dos
limites de
nossa
nave-mãe uma
parte dos
mesmos,
praticamente
a medida
exata de
nossas
necessidades
(para que
sejamos
capazes de
sobreviver
ao frio
extremo que
existiria
caso esse
mecanismo
não fosse
assim ou
ainda, para
que não
sejamos
literalmente
“cozidos” ou
“fritos” se
as doses de
radiação que
aqui
permanecessem
fossem
excessivas),
está
passando por
um processo
de
“engorda”,
ou melhor
dizendo,
está sendo
engrossada.

A poluição
do ar, do
solo e das
águas
ocasiona e
acelera o
efeito
estufa.
E o que está
ocasionando
isso? O
chamado
“Efeito
Estufa”, ou
seja, a
emissão de
gases,
fumaça,
poluentes,
resíduos
químicos ou
ainda de
qualquer
tipo de
detrito
produzido
pela
humanidade a
partir de
sua ação na
crosta
terrestre.
Isso inclui,
também, os
oceanos e
toda e
qualquer
ação que
altere a
harmonia ali
reinante e
que esteja
sendo
produzida
pelos homens
através de
seus
processos
produtivos
(e
destrutivos).
Esse
fenômeno, em
sua
totalidade,
“aprisiona”
mais calor
na Terra, em
virtude da
excessiva
emissão de
dióxido de
carbono na
atmosfera, e
promove o
que
conhecemos
como
aquecimento
global.
A quantidade
de dióxido
de carbono
que estamos
lançando no
ar, no solo
e na água é
tão elevada
que as
estimativas
científicas
para os
próximos 50
anos indicam
que
estaremos
tendo, ano
após ano,
recordes
sucessivos
de altas
temperaturas.
E isso já é
claramente
visível se
levarmos em
conta o que
ocorreu ao
longo dos
últimos 50
anos nas
regiões
geladas da
Terra, em
suas
diversas
localidades:
no Himalaia,
nas Rochosas
norte-americanas,
nos Andes,
nos Alpes,
no Alasca,
na
Groenlândia,
ou ainda nos
pólos Norte
e Sul. É uma
mensagem
muito clara
e evidente
para todos
nós, ou
seja, se não
fizermos
alguma
coisa, todo
o planeta
será
seriamente
afetado, a
ponto de não
sermos mais
capazes de
sobreviver,
de resistir.
Faltará água
potável.
Alimentos
escassearão
em virtude
da
diminuição
das áreas de
plantio. A
desertificação
aumentará de
proporção em
todos os
continentes.
Espécies
vegetais e
animais
sucumbirão e
se tornarão
extintas em
tempo
recorde. A
humanidade
terá muitas
dificuldades
para
sobreviver,
se lograr
isso...
A
preocupação
com as
mudanças
climáticas
atinge as
pessoas como
deveria?
Não. Ficamos
sabendo e
nos
mostramos
sensibilizados
em relação a
isso.
Notícias de
desastres
ambientais
provocados
pelas
mudanças
climáticas
tornam-se a
cada dia
mais
freqüentes e
não ocorrem
de forma
isolada,
afetando
apenas
algumas
localidades
ou
continentes.
Adentramos a
era das
conseqüências,
como previu
Winston
Churchill,
ainda na
década de
1930, como
destacado no
início desse
texto e no
filme “Uma
verdade
inconveniente”,
de Al Gore.
Apesar
disso,
parecemos
sempre muito
mais
preocupados
com o que
acontece num
contexto
muito
imediato e
particular.
Desastres
ambientais
ocorridos na
China ou na
Índia,
tufões que
causam
enorme
destruição
nos Estados
Unidos ou no
Japão,
desertificação
crescente
que afeta os
países
africanos ou
ainda
enchentes e
ondas de
calor
acentuadas
que aumentam
os índices
de
mortalidade
na Europa
são
realidades
muito
distantes.
Só parecemos
realmente
nos importar
quando esses
inconvenientes
ocorrem
diretamente
conosco. As
imagens da
televisão e
as notícias
dos
desastres na
internet são
rapidamente
esquecidas e
tudo fica
para trás
por conta de
nossos
compromissos
pessoais. E
que mundo
estamos
deixando
para nossos
herdeiros?

O degelo das
montanhas e
das regiões
geladas do
planeta
aumenta o
nível dos
oceanos.
Somos já,
enquanto
geração que
está nesse
momento
escrevendo a
história do
planeta,
atuando na
linha de
frente dos
processos
produtivos
que
caracterizam
o fenômeno
da
globalização,
pessoas que
receberam um
legado
comprometedor,
com a Terra
já bastante
devastada em
virtude da
ambição
desmedida,
do não
comprometimento
com a saúde
do ambiente
e da
necessidade
de cavar
cada vez
mais fundo,
em busca das
últimas
gotas de
petróleo ou
ainda de
crescentes
quantidades
de ferro,
manganês,
cobre ou
qualquer
outro tipo
de minério.
Demos
continuidade
a ampliação
desmedida
das áreas de
plantio e,
em
contrapartida,
diminuímos
sensivelmente
a cada ano
os espaços
destinados
as
florestas.
Tornamos
maiores
também os
índices de
produção e
produtividade
de nossas
indústrias,
desesperados
por nos
mostrar
sempre mais
“musculosos”
e prontos
para vencer
na cada vez
mais árdua
disputa por
mercados
mundiais.
Mas, ainda
assim, não
nos demos
conta do
maior de
nossos
pecados. E o
mais mortal
de todos.
Aquele que
pode
ocasionar
não apenas a
nossa
purgação
eterna, mas
que, caso
não seja
detido, pode
gerar
milhões de
mortes e
comprometer
para sempre
o futuro de
todos os
seres vivos
desse
planeta.
E saibam,
nossas
crianças não
estão
alheias a
tudo isso.
Na verdade,
estão muito
mais ligadas
do que os
adultos. E
temerosas do
que pode
lhes
acontecer em
virtude de
nosso
descaso com
o
meio-ambiente.
O
aquecimento
global os
faz perder o
sono e
supera, em
muitos
casos, os
piores
vilões dos
desenhos
animados,
dos filmes
de ação,
suspense ou
terror que
conhecem.
Meu filho de
11 anos é
prova disso.
Tem
acompanhado
as notícias
e, de tantos
infortúnios
apresentados
na
televisão,
comprovando
a força da
natureza em
sua revolta
contra a
humanidade,
constantemente
se pergunta
sobre nossas
possibilidades
reais de
sobrevivência.
Numa dessas
ocasiões,
sentou-se ao
meu lado na
cama e
começou a
chorar,
assustado
com o que
lhe parece
ser
inevitável.
Perguntou-me
então, se eu
achava que
existia uma
saída real
para o
aquecimento
global que
nos ameaça
tão
fortemente.
Contei que
cientistas e
pesquisadores
de várias
partes do
mundo
estavam
nesse
momento
debruçados
sobre a
questão,
analisando
alternativas
e propondo
idéias que
poderiam
reverter o
quadro, tão
desolador.

A incidência
de furacões,
tornados,
enchentes,
secas e do
fenômeno da
desertificação
tornou-se
muito maior
ao longo dos
últimos 30
anos.
Lembrei-lhe
então de um
filme que
havíamos
assistido,
uma versão
recente de
“Peter Pan”
levada as
telas. Pedi
a ele que se
recordasse
do momento
em que a
fada Sininho
estava
enfraquecida
e prestes a
morrer, pois
as crianças
pareciam não
mais
acreditar
nela ou em
qualquer
tipo de ser
encantado.
Para que
isso não
acontecesse,
Peter Pan
disse a
Wendy e as
crianças que
estavam na
Terra do
Nunca, que
deveriam
crer e
dizer, em
alto e bom
som, que
acreditavam
na
existência
de seres
mágicos como
fadas,
gnomos,
ogros ou
duendes. E
as crianças
do mundo
todo
começaram
então a
entoar em
altos
brados: “Eu
acredito, eu
acredito, eu
acredito...”.
E a partir
de então,
sempre que
lê ou escuta
algo sobre
aquecimento
global, e se
sente
ameaçado
pela
devastação
que estamos
provocando
na Terra,
ele olha
para mim e
diz: “Eu
acredito! Eu
acredito!”,
referindo-se
no caso, a
possibilidade
que temos de
conseguirmos
salvar o
planeta...
“Uma verdade
inconveniente”
é um filme
obrigatório
e certamente
uma das mais
importantes
produções
dos últimos
30 ou 40
anos. Por
quê? Pois é
justamente a
partir de
então que
aumentamos e
aceleramos
ainda mais o
ritmo de
devastação
que está
provocando o
efeito
estufa e o
aquecimento
global... Ou
agimos
rapidamente
ou
comprometeremos
para sempre
a vida no
planeta...
Senão por
nós, pelo
menos pelas
próximas
gerações e
por todos os
seres vivos
que estamos
sacrificando...
João Luís
Almeida
Machado
Editor
do Portal
Planeta
Educação;
Doutorando
pela PUC-SP
no
programa
Educação:Currículo;
Mestre em
Educação,
Arte e
História da
Cultura
pela
Universidade
Presbiteriana
Mackenzie(SP);
Professor
universitário
e
Pesquisador.
Ficha
Técnica

Uma verdade
inconveniente
(An
inconvenient
truth)
País/Ano de
produção:
Estados
Unidos, 2006
Duração/Gênero:
100 min.,
Documentário
Direção de
Davis
Guggenheim
Roteiro de
Al Gore
Links
Site
official:
http://www.climatecrisis.net
http://www.cinepop.com.br/especial/verdadeincoveniente.htm
http://www.omelete.com.br/cine/100003331/Uma_verdade_inconveniente.aspx
http://www.adorocinema.com/filmes/verdade-inconveniente/verdade-inconveniente.asp