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Entenda como
funcionam os vulcões
da Folha Online
04/05/2008
- 03h32
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Federico
Lynam/Reuters |
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Vulcão
Chaitén,
no
Chile,
expele
nuvem de
cinzas e
força a
retirada
de 4.000
pessoas
na
Província
de
Palena
de
Chaiten
(sul) |
O vulcão é uma
fissura na crosta
terrestre,
nada mais do que uma
abertura no solo.
Uma comunicação dos
focos magmáticos do
interior da crosta
com a superfície da
Terra, por onde são
expelidos gases,
cinzas, fragmentos,
lavas etc.
Tornando-se também
uma importante fonte
de observação
científica, já que a
maior profundidade
alcançada, por
meio de estudos, foi
de apenas 12 km e o
raio da Terra é de
6400 km
sobre o
qual se acumula
material vulcânico.
Sua forma, muitas
vezes cônica, é
resultado da
deposição de matéria
fundida que se
solidifica, lançada
do interior da Terra
através da cratera.
Os vulcões estão
associados à
atividade tectônica.
A maioria deles
ocorre nas margens
de enormes placas
que formam a
litosfera, a camada
superficial da
Terra.
Os continentes não
são estacionários.
Se o mapa-mundi for
observado, pode-se
perceber um
“encaixe” entre a
costa oriental da
América do Sul e
costa ocidental da
África. Este
processo foi
conhecido
inicialmente como
Deriva Continental e
hoje é chamado de
Teoria da Tectônica
de Placas. Segundo
esta teoria, a
crosta terrestre é
dividida em diversas
placas, blocos
rígidos imensos, que
estão em constante
movimento sobre o
manto derretido da
Terra.
Já os vulcões
que se formam no
meio de platôs são
uma importante
evidência da direção
e da velocidade que
a placa se
movimenta.
Durante as eras
geológicas
posteriores, a
Litosfera se quebrou
em inúmeras placas:
as placas
litosféricas ou
tectônicas. O
material fundido
abaixo da litosfera
ascendeu pelos
locais de ruptura,
difundindo calor,
empurrando para os
lados fragmentos de
placa tectônica e
aumentando a
abertura inicial.
Simultaneamente, o
magma expelido
preencheu os espaços
vazios e, devido sua
alta densidade,
afundou ligeiramente
o topo da
Astenosfera, gerando
depressões e
acumulando enorme
quantidade de água,
formando os oceanos
e posteriormente
cadeias de montanhas
meso-oceânicas.
Neste local, o magma
expelido, ao
resfriar, é
denominado de
basalto.
Se este processo
continuasse, iria
causar uma expansão
do planeta,
envolvendo a
separação da
litosfera e a
formação de novas
superfícies.
Atualmente, sabe-se
que, muitos dos
fundos oceânicos
gerados vão sendo
consumidos em
Zonas de Subdução,
onde as placas
litosféricas, ao se
distanciarem das
cadeias
meso-oceânicas,
terminam afundando
de volta pro manto,
arrastando rochas
para grandes
profundidades. Ao
mesmo tempo,
basaltos, outros
tipos de rochas,
água e sedimentos
oceânicos são
levados até o topo
da Astenosfera,
entrando em contato
com material fundido
e gerando magmas
misturados com
materiais da
superfície
terrestre, formando
uma fina crosta de
granitos.
Até hoje as placas
tectônicas deslizam
sobre a astenosfera,
afastando-se, ou se
colidindo, gerando
tensão, provocando
sismos, evadindo
magma para a
superfície, através
de espaços e
fissuras, e
liberando energia.
Como o magma não vem
direto, muitas vezes
fica “entupido”,
formando rochas
ígneas. Ao se
aproximar da
superfície, querendo
quebrar a crosta,
acumulando,
formam-se as
câmaras magmáticas,
uma espécie de
reservatório, que
uma hora explode,
aliviando a pressão,
resfriando um pouco,
até que se junte
mais material do
manto. Por isso, os
vulcões costumam
surgir próximos aos
limites das placas
tectônicas.
Os vulcões podem ser
classificados de
acordo com seu tipo
de erupção e
organizados pela
capacidade de
explosão. O tipo de
erupção também
possui um importante
papel na evolução da
forma do vulcão.
Menos erupções
explosivas envolvem
o derramamento de
magma basáltico de
baixa viscosidade e
pouco conteúdo
gasoso. Erupções
explosivas envolvem
magma mais viscoso e
com mais gases.
Estados de atividade
vulcânica
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José
Jácome/Efe |
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Vulcão
Tungurahua
entra em
erupção
no
centro
do
Equador,
em
janeiro
deste
ano |
Alguns vulcões são
mais ativos que
outros. Hoje, apenas
alguns estão em
estado permanente de
erupção, como o
Stromboli, nas ilhas
Lipari, perto da
Sicília (Itália), e
o Izalco, em El
Salvador.
Outros vulcões em
constante atividade
são encontrados no
chamado "Anel de
Fogo", que cerca o
oceano Pacífico. Um
cinturão similar nas
Américas Central e
do Sul inclui
Cuilapa Miravalles,
na Costa Rica, e
Sangay e Cotopaxi,
no Equador.
Outros vulcões, como
o Vesúvio, continuam
em estado moderado
de atividade por
períodos mais ou
menos longos e então
adormecem por meses
ou anos. O Atitlán,
na Guatemala,
permaneceu ativo por
cerca de 300 anos
antes de 1843
--desde então, está
inativo.
A erupção que se
sucede ao período de
dormência é
geralmente violento,
como o registrado em
1980 no monte Saint
Helens, nos Estados
Unidos, depois de
123 anos de
inatividade. A forte
explosão do monte
Pinatubo, nas
Filipinas, em 1991,
aconteceu depois de
seis séculos de
dormência.
A
erupção
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Federico
Lynam/Reuters |
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Vulcão
Chaitén,
no
Chile,
expele
nuvem de
cinzas e
força a
retirada
de 4.000
pessoas
na
Província
de
Palena
de
Chaiten
(sul) |
O termo lava é
aplicado ao magma
fundido depois que
atinge a superfície.
A erupção vulcânica
pode gerar produtos
sólidos, líquidos ou
gasosos. Muito
utilizada, a palavra
lava representa o
material rochoso em
estado de fusão. A
mais comum é a
basáltica, de baixa
viscosidade, que
retém menos gases e
possui alta
temperatura, quando
a lava é mais
viscosa, retém mais
gases, possui uma
mineralogia mais
complexa.
Durante a erupção, a
lava é carregada de
vapor e gases, como
dióxido de carbono,
hidrogênio, monóxido
de carbono e dióxido
de enxofre, os quais
escapam
continuamente da
lava em explosões
violentas. Uma nuvem
densa costuma se
formar sobre o
vulcão.
Porções de lava são
lançadas para cima,
formando uma fonte
ardente de gotículas
e fragmentos
incandescentes.
Essas partículas
caem como uma chuva
no lado externo do
cone ou dentro da
cratera, de onde são
novamente lançadas
para fora.
Aos poucos, a lava
sobe pela fissura e
ultrapassa a borda
da cratera como uma
massa pastosa, o que
caracteriza a crise,
ou ponto crucial, da
erupção. Depois da
expulsão final do
material
fragmentado, o
vulcão pode retornar
a um estado de
dormência.
Sob certas
circunstâncias, em
vez de lançar de uma
fenda central, a
lava escorre ao
longo de fissuras
verticais, as quais
podem se estender
por vários
quilômetros pela
superfície do solo.
Correntes desse tipo
criam camadas
grossas de basalto,
que cobrem centenas
de quilômetros
quadrados.
Resfriamento
|
Ragnar
Axelsson
/Reuters |
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Erupção
de
vulcão
sob a
geleira
de
Vatnajokull,
a maior
da
Europa,
na
Islândia |
Por um longo período
depois que a erupção
cessa, um vulcão
continua a emitir
gases ácidos e
vapor, no chamado
"estágio de
vapores".
Eventualmente, os
últimos traços de
calor podem
desaparecer, e jatos
de água quente podem
surgir do vulcão e
do solo nas
proximidades.
Depois de se tornar
inativo, o vulcão
passa por uma
redução progressiva
de tamanho pela
erosão causada pela
água corrente,
glaciares, vento e
ondas. Finalmente, o
vulcão pode ser
completamente
destruído, sobrando
apenas o tubo
vulcânico, ou seja,
uma "chaminé"
preenchida com lava
ou material
fragmentado e que se
estende da
superfície terrestre
à reserva de lava.
Conseqüências
Os vulcões afetam a
humanidade de
diversas maneiras.
Seu poder destrutivo
é terrível, mas o
risco envolvido pode
ser reduzido quando
as pistas são
reconhecidas.
Apesar da força
destruidora, o
vulcanismo fornece
solos férteis,
depósitos de
minerais e energia
geotérmica.
Com o tempo, os
bilhões de toneladas
de lava e cinza
vulcânica se
transformam em solos
férteis. Outros
produtos emitidos
são utilizados como
ingredientes da
indústria
farmacêutica e de
materiais de
limpeza, além do
aproveitamento dos
campos geotérmicos Ao longo
dos anos, os vulcões
reciclam a
hidrosfera e a
atmosfera
terrestres.
Os vulcões
representam um dos
fatores de alteração
climática em curtos
períodos de tempo e
em alterações mais
extensas, como o
aquecimento global.
Duas ou três
erupções vulcânicas
têm o potencial de
aumentar a
temperatura da terra
mais do que dezenas
de anos de atividade
industrial. Os
vulcões produzem
cerca de 110 milhões
de toneladas de CO2
por ano, além da
liberação de cinzas
e SO2. A maioria dos
minerais metálicos,
como ouro, por
exemplo, está
associada a magmas
encontrados perto de
vulcões extintos.
Sem os vulcões, não
haveria atmosfera,
nem água livre na
Terra, cuja água
inicial, chamada de
água juvenil, vem
dos vapores do
vulcão. Existe todo
um Ciclo de Água na
Terra, incluindo
chuvas e
evaporações, mas
ocorrem perdas de
água na atmosfera
através de vapor.
Sem a constante
adição de água
juvenil promovida
pelos vulcões, nosso
planeta acabaria por
secar ao longo do
tempo
geológico. Esta água
também funciona como
meio de transporte e
solvente para
materiais químicos.
O vulcanismo é mais
um fator de
influência no
ambiente e o seu
estudo pode trazer
respostas para
importantes questões
relativas à vida e à
Terra.
Disponível em:
Folha On
Line/Ciência |