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OS ÍNDIOS NO BRASIL

          Estima-se, com base nas fontes históricas disponíveis, que no começo do século XVI a população autóctone que vivia dentro do território onde posteriormente se consolidariam as fronteiras do Brasil chegava a 5 milhões de indivíduos.

          Ao longo de séculos de contato com a civilização ocidental, aquele contingente indígena inicial sofreu contínuo processo de redução populacional que provavelmente durou até o fim da década de 1950.

          A partir de então houve uma recuperação demográfica, facilitada pela demarcação - ainda inconclusa - das terras tradicionalmente ocupadas pelos grupos indígenas, e pela extensão de serviços de assistência prestados pelos órgãos do estado, missões laicas e religiosas.

          A população indígena do Brasil alcança hoje o número de 325.652 indivíduos. Esse número tende a crescer diante da continuidade dos mecanismos de proteção de taxas de natalidade superiores à média nacional.

          Essa população está distribuída em cerca de 215 etnias, que falam cerca de 170 línguas distintas. A classificação lingüística reconhece a existência de dois troncos principais (tupi e macro-jê) e de outras seis famílias lingüísticas de importância significativa (aruak, arawá, karib, maku, tukano e yanomami), além de muitas línguas sem filiação definida.

          Cerca de 60% da população indígena brasileira vive na região designada como Amazônia Legal, mas registra-se a presença de grupos indígenas em praticamente todas as unidades da Federação. Somente no Rio Grande do Norte, no Piauí e no Distrito Federal não se encontram grupos indígenas.

          A característica principal da população indígena do Brasil é a sua grande heterogeneidade cultural. Vivem no Brasil desde grupos que ainda não foram contatados e permanecem inteiramente isolados da civilização ocidental, até grupos indígenas semi-urbanos e plenamente integrados às economias regionais. Independentemente do grau de integração que mantenham com a sociedade nacional, esses grupos aculturados preservam sua identidade étnica, se auto-identificam e são identificados como índios.

          Atualmente os principais grupos indígenas brasileiros em expressão demográfica são: Tikuna, Tukano, Macuxi, Yanomami, Guajajara, Terena, Pankaruru, Kayapó, Kaingang, Guarani, Xavante, Xerente, Nambikwara, Munduruku, Mura, Sateré-Maué, dentre outros.

          Os Estados do Amazonas, Mato Grosso do Sul e Roraima possuem, respectivamente, as três maiores populações indígenas do país. No quadro a seguir encontra-se a distribuição dos grupos indígenas nas diferentes unidades da Federação e seu contingente populacional. As terras indígenas no Brasil cobrem uma extensão de 946.452 Km quadrados, o que corresponde a cerca de 11,12% do território nacional.

Distribuição geográfica e populacional dos
grupos indígenas no Brasil

Amazonas ()

89.529

Acre

6.610

Amapá

5.095

Rondônia

5.573

Roraima ()

37.025

Pará

15.715

Tocantins

6.360

Alagoas

4.917

Bahia

8.561

Ceará

4.650

Espírito Santo

1.347

Goiás

142

Maranhão

14.271

Minas Gerais

6.200

Pernambuco

19.950

Rio de Janeiro

271

São Paulo

1.774

Sergipe

230

Paraíba

6.902

Mato Grosso

17.329

Mato Grosso do Sul ()

45.259

Rio Grande do Sul

13.354

Paraná

7.921

Santa Catarina

6.667

TOTAL

325.652

Observações do quadro anterior:

  • Os dados populacionais referem-se a 215 sociedades indígenas;

  • Não inclui os índios isolados;

  • Inclui os índios que vivem nos perímetros urbanos das seguintes cidades: Amambaí e Campo Grande (MS), Boa Vista (RR), Manaus (AM), Governador Valadares (MG), e Curitiba (PR);

  • Dados elaborados pelo CEDOC/FUNAI, em fevereiro de 1995.

Distribuição regional das terras indígenas

 

 

 

Fonte:https://www.planalto.gov.br/publi_04/COLECAO/INDIO1.HTM (acesso em 02/09/2006)
 

 

               

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