A guerra do Paraguai foi o
maior conflito armado
internacional ocorrido no
continente americano, no
período de dezembro de 1864
a março de 1870. É também
chamada Guerra da Tríplice
Aliança. O Brasil, a
Argentina e o Uruguai,
aliados, derrotaram o
Paraguai após cinco anos de
lutas, durante os quais o
Brasil enviou 180 mil homens
em guerra. Destes, mais de
30 mil não voltaram. As
perdas humanas sofridas pelo
Paraguai são calculadas em
300 mil pessoas, entre civis
e militares, mortos em
decorrência dos combates,
das epidemias que se
alastraram durante a guerra
e da fome. O Paraguai, antes
da guerra, atravessava uma
fase de prosperidade
econômica. A derrota marcou
uma reviravolta decisiva na
história do país, desde
então um dos menos
desenvolvidos da América do
Sul.
I - Antecedentes da Guerra
O Paraguai Antes da Guerra
Durante os longos governos
de José Gaspar Rodríguez de
Francia (1813-1840) e de
Carlos Antonio López
(1841-1862), o Paraguai teve
um desenvolvimento bastante
original em relação ao dos
outros países
sul-americanos. A política
de Francia e de Carlos López
foi sempre a de incentivar
um desenvolvimento econômico
auto-suficiente, graças ao
isolamento imposto pelos
países vizinhos.
Foram retomadas tradições
indígenas abandonadas pelos
colonizadores, como a de
realizar duas colheitas
anuais. As represas e canais
de irrigação, pontes e
estradas feitos pelo governo
e a valorização do trabalho
comunitário elevaram a
produtividade do trabalho
agrícola.
O governo controlava todo o
comércio exterior. O mate, o
fumo e as madeiras raras
exportados mantinham a
balança comercial com saldo.
O Paraguai nunca havia feito
um empréstimo no exterior e
adotava uma política
protecionista, isto é, de
evitar a entrada de produtos
estrangeiros, por meio de
impostos elevados. Defendia
o mercado interno para a
pequena indústria nacional,
que começava a se
desenvolver com base no
fortalecimento da produção
agrícola.
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Francisco Solano
López |
Francisco Solano López,
filho de Carlos Antônio
López, substituiu o pai no
governo, em 1862, e deu
prosseguimento à política de
seus antecessores.
Mais de 200 técnicos
estrangeiros, contratados
pelo governo, trabalhavam na
instalação do telégrafo e de
estradas de ferro e na
assistência às indústrias
siderúrgicas, têxteis, de
papel, tinta, construção
naval e pólvora. A fundição
de Ibicuí, instalada em
1850, fabricava canhões,
morteiros e balas de todos
os calibres. Nos estaleiros
de Assunção, construíam-se
navios de guerra.
O crescimento econômico
exigia contatos com o
mercado internacional. O
Paraguai é um país sem
litoral. Seus portos eram
fluviais (de rios) e seus
navios tinham que descer o
rio Paraguai e depois o rio
Paraná para chegar ao
estuário do rio da Prata e,
daí, ao oceano. O governo de
Solano López elaborou um
projeto para obter um porto
no Atlântico. Pretendia
criar o chamado Paraguai
Maior, com a inclusão de uma
faixa do território
brasileiro que ligasse o
Paraguai ao litoral.
Para sustentar suas
intenções expansionistas,
López começou a preparar-se
militarmente. Incentivou a
indústria de guerra,
mobilizou grande quantidade
de homens para o exército (o
serviço militar obrigatório
já existia no Paraguai),
submetendo-os a treinamento
militar intensivo, e
construiu fortalezas na
entrada do rio Paraguai.
No plano diplomático,
procurou aliar-se, no
Uruguai, ao partido dos
blancos, que se encontrava
no poder, adversário dos
colorados, que eram aliados
do Brasil e da Argentina.
A Política Platina
Desde que o Brasil e a
Argentina se tornaram
independentes, a luta entre
os governos de Buenos Aires
e do Rio de Janeiro pela
hegemonia na bacia do Prata
marcou profundamente as
relações políticas e
diplomáticas entre os países
da região. O Brasil chegou a
entrar em guerra com a
Argentina duas vezes.
O governo de Buenos Aires
pretendia reconstituir o
território do antigo
Vice-reinado do Rio da
Prata, anexando o Paraguai e
o Uruguai. Realizou diversas
tentativas nesse sentido
durante a primeira metade do
século XIX, sem obter êxito,
muitas vezes por causa da
intervenção brasileira.
Temendo o excessivo
fortalecimento da Argentina,
o Brasil favorecia o
equilíbrio de poderes na
região, ajudando o Paraguai
e o Uruguai a conservarem
sua soberania.
O Brasil, sob o domínio da
família real portuguesa, foi
o primeiro país a reconhecer
a independência do Paraguai,
em 1811. Na época em que a
Argentina era governada por
Juan Manuel Rosas
(1829-1852), inimigo comum
do Brasil e do Paraguai, o
Brasil contribuiu para o
melhoramento das
fortificações e do exército
paraguaios, enviando
oficiais e técnicos a
Assunção. Como não havia
estradas ligando a província
de Mato Grosso ao Rio de
Janeiro, os navios
brasileiros precisavam
atravessar todo o território
paraguaio, subindo o rio
Paraguai, para chegar a
Cuiabá. Muitas vezes, porém,
era difícil obter do governo
de Assunção permissão para
ali navegar.
No Uruguai, o Brasil
realizou três intervenções
político-militares. A
primeira, em 1851, contra
Manuel Oribe, para combater
a influência argentina. A
segunda, em 1855, a pedido
do governo uruguaio,
presidido por Venâncio
Flores, líder dos colorados,
tradicionalmente apoiados
pelo Império brasileiro. A
terceira intervenção, contra
Atanásio Aguirre, em 1864,
seria o estopim da guerra do
Paraguai. Essas intervenções
atendiam aos interesses
ingleses de fragmentação da
região do Prata, impedindo,
assim, qualquer tentativa de
monopólio mineral.
A Intervenção Contra Aguirre
Em abril de 1864, o Brasil
enviou ao Uruguai uma missão
chefiada pelo conselheiro
José Antônio Saraiva para
exigir o pagamento dos
prejuízos causados a
fazendeiros gaúchos por
fazendeiros uruguaios, em
conflitos de fronteira. O
presidente uruguaio,
Atanásio Aguirre, do partido
dos blancos, recusou-se a
atender as exigências
brasileiras.
Solano López ofereceu-se
como mediador, mas não foi
aceito. Rompeu então
relações diplomáticas com o
Brasil, em agosto de 1864, e
divulgou um protesto
afirmando que a ocupação do
Uruguai por tropas do
Império brasileiro seria um
atentado ao equilíbrio dos
Estados do Prata.
Em outubro, as tropas
brasileiras invadiram o
Uruguai. Os partidários do
colorado Venancio Flores,
que contava também com o
apoio da Argentina,
uniram-se às tropas
brasileiras para depor
Aguirre.
II - A Guerra
Declaração de Guerra
No dia 12 de novembro de
1864, o vapor paraguaio
Tacuari apresou o navio
brasileiro Marquês de
Olinda, que atravessava o
território paraguaio rumo a
Mato Grosso, levando a bordo
o coronel Frederico Carneiro
de Campos, recém-nomeado
presidente daquela
província. No dia 13 de
dezembro, o Paraguai
declarava guerra ao Brasil.
Três meses mais tarde, em 18
de março de 1865, declarava
guerra à Argentina. O
Uruguai, já então governado
por Venancio Flores,
solidarizou-se com o Brasil
e a Argentina.
O Tratado da Tríplice
Aliança
No dia 1°. de maio de 1865,
o Brasil, a Argentina e o
Uruguai assinaram, em Buenos
Aires, o Tratado da Tríplice
Aliança, contra o Paraguai.
(Leia
o tratado aqui)
As forças militares da
Tríplice Aliança eram, no
início da guerra,
francamente inferiores às do
Paraguai, que contava com
mais de 60 mil homens bem
treinados e uma esquadra e
23 vapores e cinco navios
apropriados à navegação
fluvial. Sua artilharia
possuía cerca de 400
canhões.
As tropas reunidas do
Brasil, da Argentina e do
Uruguai, prontas a entrar em
ação, não chegavam a 1/3 das
paraguaias. A Argentina
dispunha de aproximadamente
8 mil soldados e de uma
esquadra de quatro vapores e
uma goleta. O Uruguai entrou
na guerra com menos de três
mil homens e nenhuma unidade
naval. Dos 18 mil soldados
com que o Brasil podia
contar, apenas 8 mil já se
encontravam nas guarnições
do sul. A vantagem dos
brasileiros estava em sua
marinha de guerra: 42 navios
com 239 bocas de fogo e
cerca de quatro mil homens
bem treinados na tripulação.
E grande parte da esquadra
já se encontrava na bacia do
Prata, onde havia atuado,
sob o comando do Marquês de
Tamandaré, na intervenção
contra Aguirre.
Na verdade, o Brasil
achava-se despreparado para
entrar em uma guerra. Seu
exército não tinha ainda uma
organização bem estruturada.
As tropas utilizadas até
então nas intervenções
feitas no Prata eram
constituídas basicamente
pelos contingentes armados
de chefes políticos gaúchos
e por alguns efetivos da
Guarda Nacional. A
infantaria brasileira que
lutou na Guerra do Paraguai
não era formada de soldados
profissionais, mas pelos
chamados Voluntários da
Pátria, cidadãos que se
apresentavam para lutar.
Muitos eram escravos
enviados por fazendeiros. A
cavalaria era formada pela
Guarda Nacional do Rio
Grande do Sul.
Segundo o Tratado da
Tríplice Aliança, o comando
supremo das tropas aliadas
caberia a Bartolomeu Mitre,
presidente da Argentina. E
foi assim na primeira fase
da guerra.
A Ofensiva Paraguaia
Durante a primeira fase da
guerra a iniciativa esteve
com os paraguaios. Os
exércitos de López definiram
as três frentes de batalha
iniciais invadindo Mato
Grosso, em dezembro de 1864,
e, nos primeiros meses de
1865, o Rio Grande do Sul e
a província argentina de
Corrientes. Atacando, quase
ao mesmo tempo, no norte
(Mato Grosso) e no sul (Rio
Grande e Corrientes), os
paraguaios estabeleceram
dois teatros de operações.
Numa guerra, chama-se teatro
de operações à área em que
se concentram as forças
militares, as fortificações
e as trincheiras, e em que
se travam as principais
batalhas.
A invasão de Mato Grosso foi
feita ao mesmo tempo por
dois corpos de tropas
paraguaias. A província
achava-se quase
desguarnecida militarmente.
A superioridade numérica dos
invasores permitiu-lhes
realizar uma campanha rápida
e bem-sucedida.
Um destacamento de cinco mil
homens, transportados em dez
navios e comandados pelo
coronel Vicente Barros,
subiu o rio Paraguai e
atacou o forte de Nova
Coimbra. A guarnição de 155
homens resistiu durante três
dias, sob o comando do
tenente-coronel Hermenegildo
de Albuquerque Porto Carrero,
depois barão do Forte de
Coimbra. Quando as munições
se esgotaram, os defensores
abandonaram a fortaleza e se
retiraram, rio acima, a
bordo da canhoneira Anhambaí,
em direção a Corumbá. Depois
de ocupar o forte já vazio,
os paraguaios avançaram rumo
ao norte, tomando, em
janeiro de 1865, as cidades
de Albuquerque e de Corumbá.
A segunda coluna paraguaia,
comandada pelo coronel
Francisco Isidoro Resquin e
integrada por quatro mil
homens, penetrou, por terra,
em uma região mais ao sul de
Mato Grosso, e logo enviou
um destacamento para atacar
a colônia militar
fronteiriça de Dourados. O
cerco, dirigido pelo major
Martín Urbieta; encontrou
brava resistência por parte
do tenente Antônio João
Ribeiro e de seus 16
companheiros, que morreram
sem se render (29 de
dezembro de 1864). Os
invasores prosseguiram até
Nioaque e Miranda,
derrotando as tropas do
coronel José Dias da Silva.
Enviaram em seguida um
destacamento até Coxim,
tomada em abril de 1865.
As forças paraguaias, apesar
das vitórias obtidas, não
continuaram sua marcha até
Cuiabá, a capital da
província, onde o ataque
inclusive era esperado
(Augusto Leverger havia
fortificado o acampamento de
Melgaço para proteger
Cuiabá). O principal
objetivo da invasão de Mato
Grosso foi distrair a
atenção do governo
brasileiro para o norte do
Paraguai, quando a decisão
da guerra se daria no sul
(região mais próxima do
estuário do Prata). Era o
que se chama de uma manobra
diversionista, destinada a
iludir o inimigo.
A invasão de Corrientes e do
Rio Grande do Sul foi a
segunda etapa da ofensiva
paraguaia. Para levar apoio
aos blancos, no Uruguai, as
forças paraguaias tinham que
atravessar território
argentino. Em março de 1865,
López pediu ao governo
argentino autorização para
que o exército comandado
pelo general Venceslau
Robles, com cerca de 25 mil
homens, atravessasse a
província de Corrientes. O
presidente Bartolomeu Mitre,
aliado do Brasil na
intervenção contra o
Uruguai, negou-lhe a
permissão.
No dia 18 de março de 1865,
o Paraguai declarava guerra
à Argentina. Uma esquadra
paraguaia, descendo o rio
Paraná, aprisionou navios
argentinos no porto de
Corrientes. Em seguida, as
tropas do general Robles
tomaram a cidade.
Ao invadir Corrientes, López
pensava obter o apoio do
poderoso caudilho argentino
Justo José Urquiza,
governador das províncias de
Corrientes e Entre Ríos,
chefe federalista hostil a
Mitre e ao governo de Buenos
Aires. No entanto, a atitude
ambígua assumida por Urquiza
manteve estacionadas as
tropas paraguaias, que
avançaram ainda cerca de 200
km em direção ao sul, mas
terminaram por perder a
ofensiva.
Em ação conjugada com as
forças de Robles, uma tropa
de dez mil homens sob as
ordens do tenente-coronel
Antônio de la Cruz
Estigarriba cruzava a
fronteira argentina ao sul
de Encarnación, em maio de
1865, dirigindo-se para o
Rio Grande do Sul.
Atravessou-o no rio Uruguai
na altura da vila de São
Borja e a tomou em 12 de
junho.
A Primeira Reação Brasileira
A primeira reação brasileira
foi enviar uma expedição
para combater os invasores
em Mato Grosso. A coluna de
2.780 homens comandados pelo
coronel Manuel Pedro Drago
saiu de Uberaba, em Minas
Gerais, em abril de 1865, e
só chegou a Coxim em
dezembro do mesmo ano, após
uma difícil marcha de mais
de dois mil quilômetros
através de quatro províncias
do Império. Mas encontrou
Coxim já abandonada pelo
inimigo. O mesmo aconteceu
em Miranda, onde chegou em
setembro de 1866. Em janeiro
de 1867, o coronel Carlos de
Morais Camisão assumiu o
comando da coluna, reduzida
a 1.680 homens, e decidiu
invadir o território
paraguaio, onde penetrou até
Laguna, em abril. Esta
expedição ficou famosa pela
retirada forçada que
empreendeu, perseguida pela
cavalaria paraguaia.
Apesar dos esforços da
coluna do coronel Camisão e
da resistência organizada
pelo presidente da
província, que conseguiu
libertar Corumbá em junho de
1867, a região invadida
permaneceu sob o controle
dos paraguaios. Só em abril
de 1868 é que os invasores
se retiraram, transferindo
as tropas para o principal
teatro de operações, no sul
do Paraguai.
A Batalha do Riachuelo
Na bacia do Prata as
comunicações eram feitas
pelos rios; quase não havia
estradas. Quem controlasse
os rios ganharia a guerra.
Todas as fortalezas
paraguaias tinham sido
construídas nas margens do
baixo curso (parte do rio
perto de sua foz) do rio
Paraguai.
Em 11 de junho de 1865,
travou-se a Batalha Naval do
Riachuelo, na qual a
esquadra comandada pelo
chefe-de-divisão Francisco
Manuel Barroso da Silva
derrotou a esquadra
paraguaia. Nesta batalha foi
destruído o poderio naval
paraguaio, tornando-se
impossível a permanência dos
paraguaios em território
argentino. Ela praticamente
decidiu a guerra em favor da
Tríplice Aliança, que passou
a controlar, a partir de
então, os rios da bacia
platina até a entrada do
Paraguai.
O Recuo das Tropas
Paraguaias
Enquanto López ordenava o
recuo das forças que haviam
ocupado Corrientes. O corpo
de tropa paraguaio que
invadira São Borja avançava,
tomando Itaqui e Uruguaiana.
Uma divisão que dele se
separara e marchava em
direção ao Uruguai, sob o
comando do major Pedro
Duarte (3.200 homens), foi
derrotada por Flores no
sangrento combate de Jataí,
na margem direita do rio
Uruguai.
Nessa altura, as tropas
aliadas estavam-se reunindo
sob o comando de Mitre no
acampamento de Concórdia, na
província argentina de Entre
Ríos, com o
marechal-de-campo Manuel
Luís Osório à frente das
tropas brasileiras. Parte
destas deslocou-se para
Uruguaiana, onde foi
reforçar o cerco a esta
cidade pelo exército
brasileiro no Rio Grande do
Sul, comandado pelo
tenente-general Manuel
Marques de Sousa, barão de
Porto Alegre. Os paraguaios
renderam-se no dia 18 de
setembro de 1865.
Nos meses seguintes foram
reconquistados os últimos
redutos paraguaios em
território argentino: as
cidades de Corrientes e de
São Cosme. No final do ano
de 1865, a ofensiva era da
Tríplice Aliança. Seus
exércitos já contavam mais
de 50 mil homens e se
preparavam para invadir o
Paraguai.
A Invasão do Paraguai
A invasão do Paraguai foi
feita seguindo o curso do
rio Paraguai, a partir do
Passo da Pátria, onde Osório
desembarcou à frente de um
destacamento brasileiro. De
abril de 1866 a julho de
1868, as operações militares
concentraram-se na
confluência dos rios
Paraguai e Paraná, onde
estavam os principais pontos
fortificados dos paraguaios.
Durante mais de dois anos o
avanço dos invasores foi
bloqueado naquela região,
apesar das primeiras
vitórias da Tríplice
Aliança.
A primeira fortificação a
ser tomada foi a de Itapiru.
Após os combates do Passo da
Pátria e do Estero Bellaco,
as forças aliadas acamparam
nos pântanos de Tuiuti, onde
foram atacadas. A primeira
batalha de Tuiuti, vencida
pelos aliados em 24 de maio
de 1866, foi a maior batalha
campal da história da
América do Sul.
Por motivos de saúde, em
julho de 1866 Osório passou
o comando do 1.° corpo de
exército brasileiro ao
general Polidoro da Fonseca
Quintanilha Jordão. Na mesma
época, chegava ao teatro de
operações o 2.° corpo de
exército, trazido do Rio
Grande do Sul pelo barão de
Porto Alegre (dez mil
homens).
Para abrir caminho até
Humaitá, a maior fortaleza
paraguaia, Mitre determinou
o ataque às baterias de
Curuzu e Curupaiti. Curuzu
foi tomada de surpresa pelo
barão de Porto Alegre, mas
Curupaiti resistiu ao ataque
de 20 mil argentinos e
brasileiros, guiados por
Mitre e Porto Alegre, com
apoio da esquadra do
almirante Tamandaré. Este
ataque fracassado (cinco mil
baixas em poucas horas)
criou uma crise de comando e
deteve o avanço dos aliados.
Nessa fase da guerra,
destacaram-se muitos
militares brasileiros. Entre
eles, os heróis de Tuiuti: o
general José Luís Mena
Barreto, o brigadeiro
Antônio de Sampaio, patrono
da arma de infantaria do
Exército brasileiro, o
tenente-coronel Emílio Luís
Mallet, patrono da
artilharia e o próprio
Osório, patrono da
cavalaria, além do
tenente-coronel João Carlos
de Vilagrã Cabrita, patrono
da arma de engenharia, morto
em Itapiru.
O Comando de Caxias
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Duque de Caxias |
Designado em 10 de outubro
de 1866 para o comando das
forças brasileiras, o
marechal Luís Alves de Lima
e Silva, marquês e,
posteriormente, Duque de
Caxias, chegou ao Paraguai
em novembro, encontrando o
exército praticamente
paralisado. Os contingentes
argentinos e uruguaios
vinham sendo retirados aos
poucos do exército dos
aliados, assolado por
epidemias. Mitre e Flores
voltaram a seus países
chamados por questões de
política interna. Tamandaré
foi substituído no comando
da esquadra pelo almirante
Joaquim José Inácio, futuro
visconde de Inhaúma.
Paralelamente, Osório
organizava um 3.° corpo de
exército no Rio Grande do
Sul (cinco mil homens). Na
ausência de Mitre, Caxias
assumiu o comando geral e
providenciou a
reestruturação do exército.
Entre novembro de 1866 e
julho de 1867, Caxias
organizou um corpo de saúde
(para dar assistência aos
inúmeros feridos e combater
a epidemia de cólera-morbo)
e um sistema de
abastecimento das tropas.
Nesse período, as operações
militares limitaram-se a
escaramuças com os
paraguaios e a bombardeios
da esquadra contra Curupaiti.
López aproveitava a
desorganização do inimigo
para reforçar suas
fortificações em Humaitá.
A marcha de flanco pela ala
esquerda das fortificações
paraguaias constituía a base
tática de Caxias:
ultrapassar o reduto
fortificado paraguaio,
cortar as ligações entre
Assunção e Humaitá e
submeter esta última a um
cerco. Com este fim, Caxias
iniciou a marcha em direção
a Tuiu-Cuê. Mas Mitre, que
voltara ao comando em agosto
de 1867, insistia no ataque
pela ala direita, que já se
mostrara desastroso em
Curupaiti. Por sua ordem, a
esquadra brasileira forçou,
sem maiores perdas, a
passagem de Curupaiti, mas
foi obrigada a deter-se
diante de Humaitá. Surgiram
novas divergências no alto
comando: Mitre desejava que
a esquadra prosseguisse,
enquanto os brasileiros eram
favoráveis a um anterior
envolvimento e cerco por
terra de Humaitá. As
vitórias de São Solano,
Pilar e Tayi iriam tornar
possível este cerco,
isolando Humaitá de
Assunção. Como reação, López
atacou a retaguarda dos
aliados em Tuiuti, sofrendo
nova derrota.
Com o afastamento definitivo
de Mitre, em janeiro de
1868, Caxias reassumiu o
comando supremo e determinou
a passagem de Curupaiti e
Humaitá, realizadas com
êxito pela esquadra
comandada pelo
capitão-de-mar-e-guerra
Delfim Carlos de Carvalho,
depois barão da Passagem.
Humaitá caiu em 25 de julho,
após demorado cerco.
Rumo a Assunção, o exército
de Caxias marchou 200 km até
Palmas, detendo-se diante do
arroio Piquissiri. Ali,
López havia concentrado 18
mil paraguaios em uma linha
fortificada que explorava
habilmente os acidentes do
terreno e se apoiava nos
fortes de Angostura e
Itá-Ibaté. Renunciando ao
combate frontal, Caxias deu
início à chamada manobra de
Piquissiri. Enquanto a
esquadra forçava a passagem
de Angostura. Caxias fez o
exército atravessar para a
margem direita do rio.
Mandou construir em 23 dias
uma estrada nos pântanos do
Chaco, pela qual as tropas
avançaram em direção ao
nordeste. Na altura de
Villeta, o exército cruzou
novamente o rio,
encontrava-se entre Assunção
e Piquissiri, na retaguarda
da linha fortificada
paraguaia. Em vez de avançar
para a capital, já
desocupada pela população e
bombardeada pela esquadra,
Caxias marchou para o sul e
iniciou a dezembrada.
A dezembrada constituiu-se
de uma série de vitórias
obtidas por Caxias em
dezembro de 1868, quando
voltava em direção ao sul
para tomar Piquissiri pela
retaguarda: Itororó, Avaí,
Lomas Valentinas e Angostura.
No dia 24 de dezembro os
três novos comandantes da
Tríplice Aliança (Caxias, o
argentino Gelly y Obes e o
uruguaio Enrique Castro)
enviaram uma intimação a
Solano López para que se
rendesse. Mas López
recusou-se a ceder e fugiu
para Cerro León.
Asunción foi ocupada em 1.°
de janeiro de 1869 por
forças comandadas pelo
coronel Hermes Ernesto da
Fonseca. No dia 5, Caxias
entrou na cidade com o
restante do exército e 13
dias depois deixou o
comando.
III - O Fim da Guerra
O Comando do Conde d'Eu
O genro do imperador Dom
Pedro II, Luís Filipe Gastão
de Orléans, conde d'Eu, foi
nomeado para dirigir a fase
final das operações
militares no Paraguai, pois
buscava-se, além da derrota
total do Paraguai, o
fortalecimento do Império
Brasileiro. Em agosto de
1869, a Tríplice Aliança
instalou em Assunção um
governo provisório
encabeçado pelo paraguaio
Cirillo Antônio Rivarola.
Solano López organizou a
resistência nas cordilheiras
situadas a nordeste de
Assunção. À frente de 21 mil
homens, o conde d'Eu chefiou
a campanha contra a
resistência paraguaia, a
chamada Campanha das
Cordilheiras, que se
prolongou por mais de um
ano, desdobrando-se em
vários focos. Os combates
mais importantes foram os de
Peribebuí e de Campo Grande
(ou Nhuguaçu), nos quais
morreram mais de cinco mil
paraguaios.
Dois destacamentos foram
enviados em perseguição ao
presidente paraguaio, que se
internara nas matas do norte
do país acompanhado de 200
homens. No dia 1.° de março
de 1870, as tropas do
general José Antônio Correia
da Câmara surpreenderam o
último acampamento paraguaio
em Cerro Corá, onde Solano
López foi ferido a lança e
depois baleado nas barrancas
do arroio Aquidabanigui.
Suas últimas palavras foram:
"Morro com minha pátria."
Era o fim da guerra do
Paraguai.
Conseqüências da Guerra
Não houve um tratado de paz
em conjunto. O Brasil não
aceitava as pretensões da
Argentina sobre uma grande
parte do Grande Chaco,
região paraguaia rica em
quebracho (produto usado na
industrialização do couro).
A questão dos limites entre
o Paraguai e a Argentina foi
arbitrada pelo presidente
estado-unidense Rutherford
Birchard Hayes. O Brasil
assinou um tratado de paz em
separado com o Paraguai, em
9 de janeiro de 1872,
obtendo a liberdade de
navegação no rio Paraguai.
Foram confirmadas as
fronteiras reivindicadas
pelo Brasil antes da guerra.
Estipulou-se também uma
dívida de guerra, que foi
perdoada somente em 1943.
Em dezembro de 1975, quando
os presidentes Ernesto
Geisel e Alfredo Stroessner
assinaram em Assunção um
Tratado de Amizade e
Cooperação, o governo
brasileiro devolveu ao
Paraguai troféus da guerra.
O Paraguai sofreu uma
violenta redução de sua
população. Em 1870, havia um
homem para cada 28 mulheres.
As aldeias destruídas pela
guerra foram abandonadas e
os camponeses sobreviventes
migraram para os arredores
de Assunção, dedicando-se à
agricultura de subsistência,
isto é, para consumo
próprio, na região central
do país. As
terras das outras regiões
foram vendidas a
estrangeiros, principalmente
argentinos, e transformadas
em latifúndios. A indústria
entrou em decadência. O
mercado paraguaio abriu-se
para os produtos ingleses e
o país viu-se forçado a
contrair seu primeiro
empréstimo no exterior: um
milhão de libras da
Inglaterra.
A Argentina foi a principal
beneficiada com a guerra.
Anexou parte do território
paraguaio e tornou-se o mais
forte dos países do Prata.
Durante todo o tempo da
campanha, as províncias de
Entre Rios e Corrientes
abasteceram as tropas
brasileiras com gado,
gêneros alimentícios e
outros produtos.
O Brasil pagou um preço alto
pela vitória. A guerra foi
financiada pelo Banco de
Londres e pelas casas Baring
Brothers e Rothschild.
Durante os cinco anos de
lutas, as despesas do
Império chegaram ao dobro de
sua receita, provocando uma
crise financeira.
Por outro lado, o Exército
brasileiro passou a ser uma
força nova e expressiva
dentro da vida nacional.
Transformara-se numa
instituição forte que, com a
guerra, ganhara tradições e
coesão interna e estava
destinado a representar um
papel fundamental no
desenvolvimento posterior da
história do país.