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O
estado de Mato Grosso do Sul,
criado em 11 de outubro de 1977
através de Decreto-Lei assinado
pelo Presidente Ernesto Geisel
(de origem gaúcha), e implantado
oficialmente em 1º de janeiro de
1979, possuía, à época da sua
criação, 55 municípios e se
constituía na porção mais rica e
povoada do antigo estado de Mato
Grosso.
Sua criação foi o ápice de um
movimento surgido nos anos 30 do
século XX e teve momentos
críticos, como, por exemplo, a
participação dos mato-grossenses
da região nas lutas da Revolução
Constitucionalista de 1932, em
São Paulo, com o fito de obter
deste estado, o apoio à causa
divisionista.
O
movimento divisionista foi
conseqüência da influência
político-econômica da empresa
Companhia Mate Laranjeira,
criada pelo gaúcho Thomaz
Laranjeira para explorar os
vastos ervais nativos existentes
na região, documentados por
ocasião da demarcação dos
limites fronteiriços com o
vizinho Paraguay, ao término da
Guerra da Tríplice Aliança,
também conhecida no Brasil como
“Guerra do Paraguai”.
Contando com a anuência do
Império que via na atuação da
Cia Mate Laranjeira uma valiosa
ferramenta de ocupação e
afirmação de soberania
brasileira na região, Thomaz
Laranjeira praticamente
constituiu um “Estado dentro de
um Estado”. Sua empresa
executava atribuições típicas de
um Estado, como o policiamento,
cobrança de taxas, emissão de
autorizações, imposição de
normas e regras de comportamento
social, imposição da ordem
pública e de proibições
diversas.
O
poder e a influência da Cia.
Mate Laranjeira se estendia por
praticamente todo o sul do
estado de Mato Grosso, atingindo
áreas do oeste de São Paulo e
Paraná, além de áreas do
Paraguay (em reconstrução após o
final da guerra) e também grande
poder e influência em setores
econômicos de Buenos Aires,
Argentina. Esse imenso poder
incomodava os políticos e
empresários regionais porque
engessava qualquer iniciativa
capitalista independente da
anuência dos burocratas da Mate
Laranjeira.
Muitos questionavam esse imenso
poder, porém Thomaz Laranjeira
possuía aliados no governo que
impediam qualquer tentativa de
prejudicá-lo.
Investidores que pretendiam
adquirir ou ampliar terras,
constituir empresas ou mesmo
comercializar sua produção,
esbarravam na burocracia, no
pagamento de “taxas de passagem”
(pedágio) e nos “capangas”,
geralmente de origem paraguaia,
que estavam à disposição da Cia.
Mate Laranjeira.
Esse quadro, a distância da
capital Cuiabá e o isolamento da
região, despertou o sentimento
divisionista na elite pensante
que percebeu a situação de
desvantagem diante do restante
do estado e da capital; a renda
gerada pela arrecadação de
impostos e taxas era remetida à
Cuiabá e não retornava na forma
de investimentos na estrutura
produtiva e no desenvolvimento
sócio-econômico do sul.
Durante o período Vargas
(1930-1945), os políticos e
lideranças regionais tentaram
junto ao governo central, por
diversas vezes, a criação de um
Estado, na área compreendida
pela zona de influência da Cia.
Mate Laranjeira, porém os seus
esforços foram em vão, haja
vista a intervenção política de
Cuiabá. Por ocasião do movimento
constitucionalista em São Paulo,
os líderes regionais apoiaram os
revolucionários paulistas com o
intuito de conseguir o apoio
destes à causa divisionista.
Muitos jovens da região de Campo
Grande, Ponta Porã e Dourados
foram combater as tropas
federalistas em território
paulista, em apoio à Revolução
Constitucionalista de 1932 (MMDC
– Martins Miragaia, Dráusio e
Camargo, estudantes paulistas
mortos por efetivos federais e
que serviu de estopim à
revolução).
Neste período chegaram a criar o
esboço de um estado, denominado
“Estado de Maracajú”, tendo por
capital a cidade de Campo Grande e
como “governador”, o ex-prefeito
de Campo Grande, o renomado
médico Dr. Vespasiano
Martins e instalando o palácio
do governo no prédio da
Maçonaria.
A
capital, Cuiabá, rejeita a idéia
de divisão, pois temia o
esvaziamento econômico do Estado
porque a região sul era a mais
rica e povoada; os Estados
vizinhos, temerosos de que
ocorresse igual movimento
divisionistas neles, apoiaram os
políticos cuiabanos.
Com o término dos combates e a
derrota dos revolucionários, os
mato-grossenses retornaram para
a sua terra e continuaram suas
lides diárias; porém o ideal
divisionista não tinha morrido
e, vez por outra, renascia em
inflamados discursos políticos
locais. Para evitar o
ressurgimento de embates
políticos com possíveis
combates, o governo federal
criou o Território Federal de
Ponta Porã, com governo militar.
O
Estado de Maracajú concretizou,
entre 11 de julho até fins de
outubro de 1932, um anseio
regional já manifestado desde o
início do século XX: o Sul
independente do Norte.
Com a redemocratização e com o
passar dos anos e o crescimento
econômico da região, os
movimentos divisionistas se
acalmaram.
Durante o governo de Ernesto
Geisel surgiram novas vozes
políticas que despertaram no
Presidente da República o desejo
de revisar os projetos de
criação de um Estado federal ao
sul de Mato Grosso. Após estudos
técnicos e entendimentos com os
políticos de Cuiabá, em 11 de
outubro de 1977 o Presidente
Ernesto Geisel assinou o
Decreto-Lei nº 31, desmembrando
Mato Grosso do Sul de Mato
Grosso.
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