Réguas,
cálculos, mapas e escalas
Número de cartógrafos
ainda é pequeno para o Brasil
Publicado em 24/04/2006 - 00:01
Você lembra na escola, quando pintava, contornava e
desenhava mapas? O trabalho era bem simples, bastava copiar
os desenhos dos livros e Atlas escolares. Mas, para que
aqueles livros facilitassem tanto suas tarefas, alguém teve
que pesquisar dados, analisar terrenos e produzir cartas
para que as lições aprendidas em sala de aula fossem
corretas e fiéis em relação à realidade. E transferir a
extensão territorial de uma determinada área e suas
informações para o papel (cada vez mais substituído pelo
computador) é a função do
Engenheiro Cartógrafo.
A profissão é pouco conhecida e, de 1982 até 2005, apenas
459 profissionais se formaram na Unesp (Universidade
Estadual Paulista). "Todo o território nacional necessita de
cartografia e há uma deficiência no número de engenheiros
cartógrafos para ajudar no desenvolvimento do Brasil",
acredita o coordenador do curso de Engenharia Cartográfica
da Unesp, João Carlos Chaves. Ele diz ainda que com base em
uma cartografia bem elaborada e confeccionada, há condições
de auxiliar nas decisões tomadas pelos administradores do
país.
Clique aqui para conhecer mais
informações sobre o ensino da Engenharia Cartográfica.
No campo de trabalho, as funções de um cartógrafo são,
principalmente, planejamento e coleta de dados, tais como
levantamentos geodésicos (formas e dimensões da Terra),
topográficos (características naturais e físicas do
planeta), fotogramétricos (elaboração de cartas através de
fotografias aéreas) e sensoriamento remoto (análises por
satélites ou imagens aéreas). Após esse processo, ele
realiza, através de cálculos matemáticos, o processamento e
a interpretação dos dados. Então, é feita a representação e
reprodução cartográfica, de formas usuais ou digitais e,
finalmente, a análise das informações.
Para ingressar no mercado de trabalho, é importante que o
recém-formado tenha experiência em estágio, facilidade para
trabalhar em grupo e grande capacidade de aprender. O
consultor da Career Center Fernando Dias aposta em
engenheiros com esse perfil, e acredita que o sucesso
profissional começa a ser trilhado logo após a universidade
. "O início de carreira é um grande período de aprendizagem.
O profissional vai trabalhar e gerar resultados e, para
isso, tem que ter o conhecimento da faculdade. É um período
no qual vai sedimentar sua carreira", finaliza.
Para os graduados na profissão, as opções de trabalho
variam. "Uma parte continua a vida acadêmica e outra vai
para o mercado de trabalho. O sistema público de registro de
terras, por exemplo, tem proporcionado boas oportunidades
para cartógrafos e alunos recém-formados", conta Chaves. Um
levantamento feito pela Unesp em 2003 apontou que 47,7% dos
profissionais atuam em órgãos públicos, 40,4% no setor
privado e os demais como autônomos.
Existem, no Brasil, apenas seis cursos de Engenharia
Cartográfica, todos em universidades públicas. Por isso, a
preparação pré-universitária é muito importante. "Quem
está no Ensino Médio e pretende fazer a escolha pelo curso
tem que ter mais facilidade, obviamente, na área de exatas
(matemática, física e cálculo geral), além de ter uma
boa formação básica", explica o coordenador.
Clique aqui para pesquisar, no canal
Onde Estudar, do Universia, cursos de graduação e
pós-graduação em Engenharia Cartográfica.
Conhecimentos de informática - para saber utilizar os
programas e recursos de representação gráfica - , inglês e
desenho também são fundamentais para um engenheiro
cartógrafo. Segundo dados do Inep (Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), por ano
há uma média de 666 matrículas para 64 concluintes. Já o
coordenador da Unesp diz que o índice de evasão na
universidade varia entre 4,5% e 5,5%.
Confira
abaixo os motivos que levaram um vestibulando, um graduando
e um profissional a escolher o curso de Engenharia
Cartográfica:
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Idade:
16 anos
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Paulo César Marini Cervelli
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Idade:
21 anos
Onde estuda:
UFRGS (Universidade Federal
do Rio Grande do Sul)
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Rodrigo Raupp
Bosque
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Idade:
23 anos
Profissão:
Analista de Geoprocessamento da Stora
Enso do Brasil |
Rafael Fiorott Oliveira |
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Vestibulando - Por que escolheu a profissão? |
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Escolhi Engenharia Cartográfica porque é uma
coisa de família, dos meus tios, meus irmãos. É
uma profissão na qual acredito que vou me dar
bem e que me identifico bastante. Gosto da área
de matemática, de exatas. |
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Graduando - Por que escolheu a profissão? |
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Quando era criança, sempre gostava de olhar
mapas, então logo que surgiu o curso na UFRGS,
me interessei. Fiz o vestibular sem saber
realmente do que se tratava a profissão.
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Profissional - Por que escolheu a profissão? |
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Foi
uma história engraçada. Caí na Engenharia
Cartográfica por acaso. Ia fazer o vestibular
para Engenharia Civil e um erro de inscrição me
trouxe para o curso. Mas o que me manteve nele
foi o mundo totalmente novo que se abriu na
minha frente, além das oportunidades
profissionais que vieram junto. |
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Vestibulando - O que espera do curso? |
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Espero que possa sair do curso com condições de
entrar no mercado de trabalho, para fazer o que
gosto e ser um bom profissional. É um bom curso
porque é bem difícil e o que eu pretendo cursar
é um dos melhores do Brasil. |
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Graduando - O curso corresponde às suas
expectativas? |
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Sim.
Nem todas as disciplinas chamam a atenção do
aluno, normalmente quem faz Engenharia
Cartográfica se identifica mais com alguma área
específica. Para mim, é um ponto positivo, pois
ninguém sai com os mesmos objetivos da
universidade, cada um vai trabalhar com uma área
de conhecimento diferente. |
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Profissional - O curso correspondeu às suas
expectativas? |
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Com
certeza. Estudei em uma universidade pública e,
durante todo o curso, isso foi uma preocupação.
Como todos sabem, as federais enfrentam
problemas estruturais. No Sul, tínhamos outro
agravante, o curso era muito novo e estava se
organizando. Mas, apesar dos problemas, quando
você entra no mercado de trabalho percebe o
quanto é sólida e diferenciada a formação que
recebeu. Hoje olho para trás e finalmente tenho
a certeza que fiz a escolha certa. |
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Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de
formado? |
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Segundo a lei, o piso salarial deve variar de R$
1.800 a R$ 2.100. Então, essa é minha
expectativa de salário após sair da
universidade. |
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Graduando - Quanto espera ganhar depois de
formado? |
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Em
torno de R$ 3.000, no início. |
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Profissional - Quanto ganha? |
| Os
salários variam muito. Para recém-formados ficam
na faixa de R$ 2.000. Os concursos pagam entre
esse valor, como o Incra (Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária). A Agência
nacional de Águas paga R$ 4.500 e a Polícia
Federal por volta de R$ 8.500. Profissionais
liberais faturam entre R$ 2.500 e R$10.000 por
mês. Já para os cargos de analista de
geoprocessamento no setor florestal a média fica
em R$ 4.500. |
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Vestibulando - O que acha que vai encontrar de
melhor na profissão? |
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Gostaria mesmo, dentro da Engenharia
Cartográfica, trabalhar com fotos de satélites.
Acho que a profissão traz vantagens como
dinheiro e conhecimento. Mas o que eu viso mais
é o conhecimento na área que vou atuar. |
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Graduando - O que acha que vai encontrar de
melhor na profissão? |
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Trabalhos em campo, interação com pessoas de
diferentes lugares e ambientes diversos. |
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Profissional - O que acha de melhor na
profissão? |
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Trabalhar sempre com tecnologia de ponta, como
imagens de satélite e sistemas de posicionamento
de alta precisão como o GPS (Global
Positioning System). Além disso, acho que a
Engenharia Cartográfica é um dos poucos cursos
que te permitem se relacionar com pessoas e
ambientes totalmente diferentes o tempo todo.
Saber transitar e interagir com eficiência entre
os diferentes mundos é um grande desafio. |
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Vestibulando - O que você acha que vai encontrar
de pior na profissão? |
| Acho
que não vou encontrar nada de pior na profissão.
Já conheço bastante, procuro ir atrás das
informações, conheço bastante por causa da minha
família. Então não vejo nenhum ponto negativo.
Acho que vou gostar de fazer tudo. |
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Graduando - O que você acha que vai encontrar de
pior na profissão? |
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Pouca valorização do engenheiro cartógrafo em
conselhos, tendo em vista o pequeno número de
profissionais. |
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Profissional - O que você acha de pior na
profissão? |
| O
vestibulando que está pensando em fazer
Engenharia Cartográfica deve ter a noção que de
está se candidatando a uma profissão que é
completamente desconhecida da maioria das
pessoas, e lembre-se que isso inclui os membros
da sua família e amigos também. Esteja preparado
para dar longas explicações sobre o que você
faz. É muito comum também sermos confundidos com
Topógrafos. Além de ser um pouco frustrante,
isso acaba tendo reflexos no âmbito
profissional, onde perdemos oportunidades em
função deste desconhecimento da sociedade. |
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Vestibulando - Que análise você faz da profissão
no Brasil? |
| É
uma profissão que tem o reconhecimento merecido.
Mas, hoje em dia, também é muito difícil
conseguir um emprego como engenheiro na área.
Minha tia e meu irmão me motivam muito, dizendo
que o curso é bom e reconhecido. |
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Graduando - Que análise você faz da profissão no
Brasil? |
| Acho
que é uma profissão que é muito importante para
o desenvolvimento, mas não tem muita
visibilidade por parte da população em geral, o
que acaba deixando meio desconhecida.
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Profissional - Que análise você faz da profissão
no Brasil? |
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Diferentemente de outros países, no Brasil as
nossas atribuições profissionais estão
compartilhadas com profissionais tão distintos
como arquitetos, geógrafos, geólogos, biólogos e
engenheiros civis. Somos poucos no Brasil todo e
não temos representatividade nas câmaras do
CREAS regionais, o que torna difícil a
fiscalização dos trabalhos executados na nossa
área. Na Europa, Estados Unidos e em Países da
Ásia os profissionais de Geomática são
reconhecidos e sobram oportunidades de emprego.
Apesar destes problemas, acredito muito no
futuro da profissão no Brasil. O mercado está em
franca expansão e existem vagas para quem se
dispõe a trabalhar no interior, principalmente
no Norte do País. Além disso, o Brasil será o
celeiro de grandes investimentos do setor
florestal nos próximos anos. Tudo indica que, na
América Latina, teremos o novo pólo mundial do
setor de papel e celulose. |
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Vestibulando - Que dica você daria a estudantes
que estão em dúvida entre Engenharia
Cartográfica e outras áreas? |
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Independente de ser Engenharia Cartográfica, o
estudante deve sempre procurar fazer o que
gosta, procurar conhecer a área antes para
depois não se decepcionar ou se arrepender.
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Graduando - Que dica você daria aos estudantes
interessados em Engenharia Cartográfica? |
| Dou
a dica de se dedicar não só nos estudos, mas
também em fazer com que cada vez mais se tenha
conhecimento da função do engenheiro cartógrafo
na sociedade. |
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Profissional - Que dica você daria aos alunos
interessados nesta profissão? |
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Acredito muito que nessa, como em qualquer outra
profissão, o segredo do sucesso está vinculado
10% ao talento nato da pessoa e 90% ao trabalho
duro. Dedique-se com afinco a sua profissão e
procure tornar-se o melhor profissional que
puder, mas sempre tendo consciência da suas
limitações. Se você sabe onde quer chegar,
achará um meio de superá-las uma a uma. Mas se
for para dar uma dica, fico com uma que já é
lugar comum, mas nem por isso menos importante:
aprender inglês é fundamental! |
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