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Guerra preventiva: estratégia perigosa

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          (...) O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, explicara mais claramente a doutrina da guerra preventiva em 31 de janeiro de 2002, ao declarar: “A defesa dos Estados Unidos requer a prevenção, a autodefesa e, às vezes, a iniciativa da ação. Defender-se contra o terrorismo e outras ameaças emergentes do século XXI pode muito bem exigir que se leve a guerra para o campo do inimigo. Em certos casos, a única defesa consiste numa boa ofensiva”. E durante a reunião ministerial da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), de 6 de junho de 2002: “Se os terroristas podem atacar a qualquer momento, em qualquer lugar e utilizar qualquer técnica, e dado que é impossível, fisicamente, defender tudo, o tempo todo, contra todas as técnicas, nós temos, então, absoluta necessidade de redefinir o que é defensivo. A única defesa possível é fazer o esforço de encontrar as redes terroristas internacionais e tratá-las como se deve, como os Estados Unidos fizeram no Afeganistão”.

          Essas reflexões foram reunidas pelo próprio Conselho Nacional de Segurança sob o título geral de “National Security Strategy” (Estratégia de Segurança Nacional): anunciam explicitamente o abandono das doutrinas anteriores de dissuasão ou de freio e definem a nova através de expressões tais como intervenção defensiva ou ação preventiva. A questão que se coloca é: contra quais adversários poderiam os Estados Unidos desencadear uma “ação preventiva”? Os dirigentes norte-americanos não pouparam esforços para que isso fosse compreendido por seus concidadãos e, tanto quanto possível, pela comunidade internacional.

          Foi possível ver, então, que as intenções oficiais –denunciando como inimigos países que toleram, abrigam ou ajudam organizações terroristas, bem como os que possuem armas de destruições em massa ou estão em vias de produzi-las ou de obtê-las – correspondem, muito simplesmente, à vontade dos Estados Unidos de defenderem a ordem internacional estabelecida tal como a concebem e tal como corresponde aos seus interesses.

(LA GORCE, Paul-Marie de. Em: Le Monde Diplomatique, ano 3, n.32, edição brasileira de setembro de 2002 – adaptado.) 

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REFLEXÃO E DISCUSSÃO  
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Os terroristas que atacaram os Estados Unidos em 11 de setembro utilizaram aviões civis contendo passageiros inocentes para atingir seus alvos. O governo norte-americano deve responder esses ataques na mesma proporção, atingindo populações civis em países que abrigam terroristas?

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Os radicais fundamentalistas atacaram alvos que representam o poderio militar e o capitalismo ocidental, nos EUA. Qual relação pode haver entre o capitalismo e o poder bélico americano?

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Analisando as reflexões do secretário de Defesa e colocando-se no lugar do estadunidense típico, você aprovaria as ações do Estado norte-americano na guerra contra o terrorismo?

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O que Paul-Marie La Gorce quis dizer com “abandono das doutrinas anteriores de dissuasão ou de freio” quando afirmou que os EUA optaram pela guerra preventiva?

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  O que o autor quis dizer com “vontade dos Estados Unidos de defenderem a ordem internacional (...) como corresponde aos seus interesses”? Cite exemplos de “interesses estadunidenses” que justifiquem uma guerra.

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Bibliografia: 

LUCCI, E.A., et all. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia geral e do Brasil. São Paulo : Saraiva, 2005. p.408-420.

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