|
O terrorismo pode ocorrer também nas democracias
ocidentais, praticados pelo Estado, por meio da atuação
militar em outros países. Tem sido praticado
atualmente pelos Estados Unidos e apoiado por outros
países, que, utilizando recursos econômicos
vultosos e alta tecnologia, direcionam suas decisões
de guerra e intervenções militares em nome da luta
contra o terror, à margem das instituições
internacionais, como a ONU, e manipulando a opinião
pública com falsos motivos. Os métodos utilizados,
por sua vez, têm sido a premiação por cabeça, a
violação da privacidade, prisões ilegais, tortura
e a morte brutal de inocentes civis em suas ações
militares.
Após os atentados de 11 de setembro, os Estados
Unidos lançaram a doutrina da guerra preventiva na
luta contra o terrorismo. A guerra, que já é um
ato de terror, passou a ser utilizada em desacordo
com qualquer tratado internacional. O ataque das forças
norte-americanas passou a ser justificado mediante
uma ameaça provável e não por um direito de
defesa, frente a um ataque inimigo. A guerra contra
o Iraque provou que os argumentos para a invasão
norte-americana ao país eram baseados em suposições
e informações não comprovadas.
Com a doutrina da guerra preventiva, os Estados
Unidos outorgaram a si mesmos o direito de intervir
militarmente em qualquer lugar do mundo, quando
entenderem que a sua segurança nacional está ameaçada.
Esse unilateralismo norte-americano frente a questões
militares é uma ameaça a uma situação de guerra
permanente, cujos inimigos são selecionados de
acordo com os seus interesses econômicos e geopolíticos.
Os Estados Unidos utilizaram a comoção nacional e
internacional, causada pelos atentados de 11 de
setembro para atuar em todas as frentes possíveis.
Em nível nacional, o governo de Washington criou a
Lei Patriótica, que dá amplos poderes ao governo
norte-americano para prender por tempo
indeterminado, sem direito a visitas, qualquer
suspeito de atos ou ligações com grupos
terroristas e criar tribunais militares, para julgar
imigrantes, sem provas (as provas são secretas),
direito a habeas
corpus ou outros direitos e salvaguardas
existentes no Sistema Criminal dos EUA.
Os julgamentos militares não são públicos, os
tribunais podem condenar o réu à pena de morte e não
existe possibilidade de apelação da sentença. Além
disso, a polícia e a CIA não precisam de autorização
para instalar grampos telefônicos nem para violar a
correspondência e as comunicações pela Internet,
eliminando os direitos civis mais elementares de uma
democracia.
Após a Guerra do Afeganistão, centenas de
prisioneiros, encarcerados nas bases militares
norte-americanas de Guantánamo (Cuba) e de Bagram
(Afeganistão) e em prisões nos Estados Unidos,
ficaram incomunicáveis, com restrições ao direito
de defesa. Após a guerra contra o Iraque,
prisioneiros de Abu Ghraib (penitenciária no Iraque
controlada pelos EUA) foram submetidos à tortura,
revelando outra face terrível da ação de atitudes
terroristas praticadas em nome do Estado.
|