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Os
Estados Unidos vistos por um norte-americano
De quem foi a idéia estúpida de ignorar a oferta
da Rússia quinze
anos atrás para acabar com todas
as armas nucleares? Alguém esqueceu que eles
estavam dispostos a se desarmar unilateralmente
após a dissolução da União Soviética? Em 1986
(antes do fim da URSS), numa cúpula na Islândia,
Mikhail Gorbatchev colocou na mesa a proposta de
“erradicação total das armas nucleares até o
ano 2000”. (Ele não pôde fazer um acordo devido
à recusa de Reagan em desistir do desenvolvimento
– você adivinhou – do “Guerra nas
Estrelas”.) Para o caso de Reagan não ter ouvido
da primeira vez, Gorbatchev reiterou a oferta a
Bush, “O Eleito”, em 1989; “Para manter a paz
na Europa precisamos do controle das armas
nucleares, não de um retrocesso. O melhor seria a
erradicação das armas nucleares”.
Naquela época, vivíamos há quarenta anos
sob a constante e iminente ameaça de aniquilação
nuclear. E então, de repente, os comunistas tinham
desaparecido e a Guerra Fria havia acabado. Ficamos
com mais de vinte mil ogivas nucleares – e os
ex-soviéticos tinham outras 39 mil. É poder de
fogo para explodir o mundo todo quarenta vezes.
Acho que a maioria de nós da geração baby
boom (1)
cresceu pensando que não chegaria ao fim da vida
sem, pelo menos, o lançamento “acidental” de um
desses mísseis. Como isso poderia ser impedido? Com
essa quantidade de armas apenas esperando para serem
lançadas a qualquer momento, parecia inevitável
que, ou um louco acabaria apertando “aquele” botão,
ou algum mal entendido levaria a um ataque total, ou
algum terrorista poria as mãos no material e o
usaria sozinho. Nos acovardamos sob uma nuvem de
medo que afetou tudo o que fizemos como nação. E
gastamos trilhões tentando aliviar esse medo –
construindo mais
armas de destruição em massa.
Gastando todo esse dinheiro de impostos num
monte de ogivas inúteis que esperamos nunca usar,
deixamos nossas escolas irem para o inferno,
falhamos em oferecer serviços de saúde para os
cidadãos, e mais da metade de nossos cientistas
foram trabalhar em projetos militares em vez de
descobrir a cura do câncer ou a próxima grande
invenção que vai melhorar nossa qualidade de vida.
Os US$ 250 bilhões que o Pentágono planeja
gastar em 2001 para construir 2800 novos aviões
Joint Strike Fighter é mais do que suficiente para
pagar os estudos de todos os universitários nos
Estados Unidos.
O proposto aumento do orçamento para o Pentágono
nos próximos quatro anos é US$ 1,6 trilhão. A
quantia que o Departamento Geral de Contabilidade
diz ser necessária para renovar e melhorar todas as
escolas nos Estados Unidos é US$ 112 bilhões.
Se decidíssemos não construir o restante
dos jatos F-22 requisitados pela Força Aérea
durante a Guerra Fria (que Clinton e agora Bush,
“O Escolhido”, ainda insistem em financiar),
esse dinheiro – US$ 45 bilhões – seria
suficiente para pagar totalmente e
pelos próximos seis anos a pré-escola para
todas as crianças americanas que precisassem.
Em meados da década de 1980, outro fato notável
aconteceu. Desafiando Reagan a acompanhá-lo,
Gorbatchev também anunciou que a União Soviética
não testaria mais armas nucleares. Gorbatchev disse
que tomaria essa atitude independente da decisão
norte-americana. Foi um momento impressionante – já
esquecido, tenho certeza, pela maioria dos
norte-americanos. Era a primeira vez que nos
concediam um fio de esperança de que, talvez, não
seríamos explodidos em pedacinhos, afinal de
contas.
A insana corrida armamentista que nós
começamos e que os soviéticos foram compelidos a
aderir contribuiu para a quebra da URSS.
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