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A Rússia na Nova Ordem Geopolítica

         A Rússia, após a derrocada do socialismo como sistema socioeconômico e da União Soviética, passou a participar de uma nova agenda internacional tanto no campo político como no militar.

         Passou a integrar o G-8(1), apesar de enfrentar uma etapa difícil de transição da economia centralmente planejada para uma economia de mercado – capitalista -, às voltas com crises econômico-financeiras, aumento da pobreza e da corrupção, concentração de renda e guerras separatistas. Mas é a segunda potência nuclear do planeta, e, em seu imenso território dispõe de grandes reservas minerais, inclusive petróleo. Além disso, mantém relações de cooperação com o Irã – país importante no contexto geopolítico do Oriente Médio – para a construção de reatores nucleares, acordos militares com a Índia e, desde julho de 2001 (quando assinou com os chineses um acordo de amizade), busca estreitar relações políticas com a China.

A Rússia na OTAN

         Em maio de 2002, a Rússia e a OTAN selaram um acordo de cooperação, com a criação do Conselho OTAN-Rússia. A partir daí, o país passou a participar das decisões dos países-membros em assuntos de interesse mútuo, como a definição de estratégias político-militares a serem aplicadas no controle da proliferação de armas nucleares e no combate ao terrorismo.

         Também em maio de 2002 a Rússia acertou com os Estados Unidos um acordo para a redução de armas nucleares. O acordo, no entanto, leva em conta apenas as armas estratégicas disponíveis, sem especificar se elas devem ser desmontadas e armazenadas ou destruídas, e define que cada país deve determinar a maneira como cumprirá as metas. Mesmo com os cortes, que correspondem a cerca de 10% do arsenal existente no auge da Guerra Fria, ambos os países ainda dispõem de armamento nuclear capaz de destruir o planeta. Além disso, muitos desses cortes podem ser revistos em função da política de aumento de gastos militares dos norte-americanos.

         A participação da Rússia na OTAN ocorreu após o aval que esse país deu à intervenção armada norte-americana no Afeganistão, em 2001. Essa intervenção foi considerada o primeiro embate dos Estados Unidos com base nos princípios que seriam consolidados posteriormente na Doutrina Bush(2) e justificada pela necessidade de combater o terrorismo internacional. Em contrapartida, a Rússia também não foi reprovada pela violenta repressão empreendida ao movimento separatista na Chechênia, uma república islâmica que faz parte da Federação Russa.

         A Rússia, no entanto, não concordou com as ações militares dos Estados Unidos no Iraque e é Desfile militar na Coréia do Norte contra qualquer ação no Irã e na Coréia do Norte. Esses países, em especial o Irã, são tradicionais aliados dos russos, com os quais mantêm acordos de cooperação econômica e científica. Em 2003, na guerra anglo-americana contra o Iraque, a Rússia posicionou-se contra a intervenção militar no Iraque, mas sua posição é delicada: ao mesmo tempo que não concorda com os avanços nem com a política intervencionista dos Estados Unidos, não se coloca em confronto direto, pois conta com o apoio dos norte-americanos, nos organismos internacionais, para resolver os problemas econômicos que enfrenta.


QUESTÕES E REFLEXÕES PROPOSTAS

1º Após uma leitura atenta dos texto, pode-se afirmar que a Rússia é herdeira da liderança geopolítica soviética?  

2º A Rússia compõe com as sete mais ricas nações do planeta o G-8. No entanto, depende de organismos financeiros internacionais e, principalmente, do apoio dos Estados Unidos. Que prejuízos essa dependência traz para a geopolítica internacional russa?

3º Analisando o caso da Chechênia e do Iraque, é moralmente aceitável a posição russa e americana no que diz respeito à concessões mútuas para atingir objetivos geopolíticos? Considere a posição e os interesses dos povos envolvidos.

4º Os Estados Unidos, através da Doutrina Bush, elevaram à categoria de “Estados Meliantes”, ou “Eixo do Mal”, alguns dos aliados da Rússia, como a Coréia do Norte, o Irã, Cuba e Venezuela. Aliados compartilham das mesmas concepções e ideologias. Isso iguala o Estado russo aos seus aliados “meliantes”. Por que os EUA não enquadram a Rússia na mesma categoria?


(1) G-8: grupo formado pelos sete países mais ricos do planeta (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá), e a Rússia, que tem PIB bem menor que os demais, mas, do ponto de vista político-militar, constitui a segunda maior potência nuclear da Terra.

(2) Doutrina Bush: Conjunto de princípios e ações para consolidar a hegemonia dos Estados Unidos.(leia mais sobre essa doutrina)
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Bibliografia:

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