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Após a guerra no Afeganistão, os Estados Unidos
passaram a intensificar suas críticas ao Iraque,
governado por Saddam Hussein. Os norte-americanos
enfatizavam que esse país constituía um sério
risco à segurança mundial, pois desenvolvia armas
de destruição em massa (nucleares, químicas e
biológicas). Sob essa justificativa e alegando também
que Saddam Hussein mantinha ligações com grupos
terroristas, o governo norte-americano pressionou o
Conselho de Segurança da ONU a rever a questão
iraquiana e o impasse que resultara da expulsão, em
1998, dos inspetores de armas da ONU. Em novembro de
2002, o Conselho de Segurança aprovou uma nova
resolução, que obrigava o governo iraquiano a
revelar todos os programas de armas, a aceitar a
volta dos inspetores das Nações Unidas e a
promover o desarmamento do país.
Diante da pressão internacional, inclusive dos países
contrários à guerra, o governo iraquiano permitiu
a volta dos inspetores da ONU ao país, os quais não
encontraram armas de destruição em massa, Em março
de 2003, apesar das evidências contrárias às denúncias
feitas pelos governos norte-americano e britânico,
os Estados Unidos lideraram uma ofensiva militar
contra o Iraque, a qual resultaria na deposição do
regime de Saddam Hussein, em maio desse mesmo ano.
A
ação anglo-americana não contou com o aval do
Conselho de Segurança da ONU, sendo, inclusive,
duramente contestada pelos outros três membros –
Rússia, França e China -, que entendiam ser necessário
continuar as inspeções. A maior parte da
comunidade internacional posicionou-se contra a
intervenção militar no Iraque.
Com a guerra e a ocupação do Iraque, a ação
unilateral do governo norte-americano – característica
da Doutrina Bush de guerra preventiva e de combate
ao terror – passou não só por cima
da ONU como também da própria OTAN. Os
norte-americanos usaram seu poderio militar para
favorecer empresas nacionais dos setores petrolífero
e da construção civil e ampliaram sua influência
no Oriente Médio, que já ocorria neste início de
século com o controle do Afeganistão.
No entanto, se a guerra durou pouco mais de um mês
e desenrolou-se sem grandes percalços para as forças
anglo-americanas, a ocupação do país
apresentou-se como um grande desafio aos
norte-americanos, que passaram a ter mais baixas
militares nesse período do que na própria guerra.
Uma série de atentados contra tropas
norte-americanas se sucedeu, além do atentado
direcionado à sede de operações da ONU em Bagdá
– o maior já sofrido pelas Nações Unidas desde
a sua criação -, que matou o embaixador brasileiro
Sérgio Vieira de Mello, enviado especial da
organização ao Iraque, e mais 24 pessoas.
Apesar de ter uma imagem negativa perante parcela
significativa da população iraquiana,
principalmente por causa do embargo econômico
imposto durante mais de dez anos ao país, a ONU
defendia a entrega do poder político do país aos
iraquianos, que ocorreria o mais rapidamente possível.
Após a morte de dezenas de militares durante o pós-guerra,
os Estados Unidos passaram a apoiar uma força
multinacional no Iraque, para dividir os custos
operacionais da ocupação, mas mantiveram o
controle das operações militares para, conseqüentemente,
assegurar a reconstrução do país por empresas
norte-americanas, o controle do petróleo e a formação
de um governo pró-Washington.
Em dezembro de 2003, Saddam Hussein foi capturado em
um esconderijo em Al Adaour, situada
próxima à cidade de Tikrit, onde nasceu.
Após a captura, o governo de Washington reiterou
diversas vezes o firme propósito de que as tropas
norte-americanas seriam mantidas até a consolidação
de um novo governo e a reconstrução do país
assegurada.
Em 2004, os governos britânico e norte-americano
admitiram que o Iraque não tinha armas de destruição
em massa no seu território, apesar de esse ter sido
o principal argumento para justificar a invasão e a
ocupação do país. Nesse mesmo ano, a violência
no Iraque aumentou, havendo atentados, seqüestros e
confrontos entre as forças militares
norte-americanas, junto com soldados iraquianos, e
as forças insurgentes(1)
iraquianas, que se opõem à ocupação dos EUA.
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