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Fonte: http://www.marcos-cabral.eti.br/

Como usar uma Bússola

          A bússola é um ímã, assim como o planeta Terra. Todo ímã tem um pólo norte e outro sul, sendo que os opostos se atraem. Por isso, o pólo norte magnético da bússola (ponteiro pintado) aponta para o pólo sul magnético do planeta que, por coincidência, está perto do pólo norte geográfico da Terra.

          "Algumas pessoas não sabem que a Terra é um ímã. Só que o pólo sul magnético do planeta fica perto do pólo norte geográfico. É por isso que a bússola está sempre apontando para o norte", explicou o professor de Física Bassam Ferdinian.

Que tipo de bússola?

        Este artigo tem como objetivo o uso da bússola como instrumento de orientação para atividades outdoor esportivas e também para geografia e geologia.  Por isso, vamos nos restringir às bússolas geográficas e às bússolas de geólogo.

Bússola Geográfica

Acima, vemos a clássica bússola Silva, que acabou sendo o padrão a ser seguido por inúmeros fabricantes.

A bússola geográfica é indicada para atividades como caminhadas e ciclismo.  Normalmente ela possui uma base em acrílico transparente,  que vem com régua e graduações gravadas na base de acrílico.  Com isso, fica fácil fazer a orientação da bússola, diretamente no mapa, e calcular distâncias e prolongamento de direções.

Normalmente uma bússola geográfica mede ângulos horizontais,  normalmente o Azimute.  Algumas possuem também a graduação em quadrantes para medir também o Rumo.

Elite da Brunton

Outback da Brunton
Bússola geográfica eletrônica.

Eclipse da Brunton

Combinign da Brunton

A bússola de Geólogo

A bússola de Geólogo é um aparelho usado para atividades de campo mais técnicas como: Geologia, Engenharia Civil, Geomorfologia e Espeleologia.

Ela é a combinação de vários aparelhos: bússola, clinômetro, prumo, nível. 

Uma bússola sempre aponta para o Pólo Norte?

        Respostas corretas poderiam ser: Sim! ; Nem sempre!; Quase nunca!

        Depende apenas de qual Norte estamos falando, de que bússola temos, e de onde estamos.  Vamos entender?

        A bússola eletrônica de um GPS e alguns modelos de bússolas eletrônicas,  (se assim configuradas) podem apontar para o Norte, pois elas podem se orientar por uma rede de satélites.  Já as bússolas magnéticas (e uma boa parte das eletrônicas),  não.  Aliás,  antes disso, devemos entender que existem mais de um Norte.

  • 1.        Norte Verdadeiro (TN) - Posição geográfica da interseção do eixo de rotação da terra, com a superfície no hemisfério Norte. Este é o Norte Geográfico.

  • 2.        Norte Astronômico (AN) Aponta para a estrela Polar visível no hemisfério Norte. Tem um desvio de aproximadamente 0.7º em relação ao Norte Verdadeiro

  • 3.        Norte Magnético (MN) Ponto de convergência das linhas do campo magnético da terra. Tem um desvio de 10º para Leste.

  • 4.        Norte da Bússola (CN) É a direção da reta tangente à linha do campo magnético da localidade.  Complicado?  Bem a explicação mais simples,  é a seguinte,  As linhas de  um campo magnético são curvas, como naqueles ímãs dos livros de segundo grau.  Mas para piorar,  no caso da Terra, elas são tortas,  e a agulha da bússola se mantém alinhada com esta linha de campo.  Os erros podem variar de 0 até algo perto de 35º,  muda com a latitude, longitude, altitude, e com a ocorrência de anomalias magnéticas. (???)  Calma, vamos entender isso logo adiante.

Uma dúvida sobre polaridade

        Se a Física ensina que em magnetismo pólos iguais se repelem, como é que a ponta Norte da agulha aponta para o Pólo Norte?  Será que os pólos da terra tem nome trocado, ou são os pólos da agulha que tem os nomes trocados?   Nenhum dos dois.          Por convenção,  foi chamado de Pólo Norte Magnético aquele que ficava perto do Pólo Norte Geográfico.  A agulha da bússola é um magneto,  e por convenção, leva o nome de Norte a extremidade de um magneto que aponta  para o Norte.  Tudo claro agora?

Para fins de cartografia e orientação, qual o Norte interessa?

        Sem dúvida, o Norte Verdadeiro ou seja o Geográfico.  Por convenção,  o alinhamento vertical dos mapas aponta sempre para o Norte Verdadeiro.

Declinação Magnética

        Para que uma bússola possa apontar para o Norte Verdadeiro,  é necessário fazer uma correção em seu círculo graduado. O valor em graus desta correção,  é chamada “Declinação Magnética”. 

        Porquê declinação e não inclinação?   Simples,  quem criou o termo foram pessoas do hemisfério norte, onde o campo magnético desvia-se Oeste, e por isso deve-se subtrair-se do Azimute alguns graus para fazer a correção.  Por isso eles declinam a medida.  Nós aqui acrescentamos alguns graus ao Azimute, mas (sempre querendo concordar com os primos do Norte), usamos o mesmo termo “declinar”.

Vale a pena o trabalho de declinar a bússola?

        A tabela abaixo mostra a diferença em graus entre o Norte Verdadeiro e a Direção apontada pela bússola.  Esta diferença é a declinação a ser aplicada para diferentes regiões do globo.  É comum, e errado pensar que a declinação é a diferença entre o Norte Verdadeiro e o Norte Magnético.  Se fosse assim, ela seria constante para  qualquer lugar do planeta.

Localidade

Coordenadas

Declinação

Sydney - Austrália

34.0ºS 151.5ºE

13 ºE

Anchorage - USA

61.5ºN 150.0ºW

23 ºE

Buenos Aires - Argentina

34.5ºS 058.0ºW

06 ºW

Montreal - Canadá

45.5ºN 073.5ºW

16 ºW

Los Angeles - USA

34.0ºN 118.5ºW

14 ºE

Perth - Austrália

32.0ºS 116.0ºE

02 ºW

Rio de Janeiro - Brasil

23.0ºS 043.0ºW

21 ºW

São Petersburgo - Rússia

60.0ºN 030.5ºE

08 ºE

Ostrov, Bennetta, New Siberian Islands

77.0ºN 148.0ºE

11 ºW

        * Usando o modelo IGRF95 para a data de 1998, ignorando as anomalias.

Ok, só não entendi a legenda da tabela!

        De tempos em tempos, são levantados dados de campo,  e feitos modelos matemáticos que calculam a declinação para uma localidade em um determinado ano.  O IGRF95 é o modelo hoje em vigor. Esta tabela foi obtida segundo cálculos deste modelo.

Ótimo,... mas e as “Anomalias” ?

        O campo magnético da terra não é fruto apenas da  “materiais ferromagnéticos” que a constituem.  Ele é gerado principalmente por correntes subterrâneas de magma complexas, formando vórtices,  e cada um destes vórtices (redemoinhos de larva) provocam a formação de um dipolo magnético.  Estes dipolos tem intensidade diferente, orientação diferente, e são variáveis ao longo do tempo.  Além disso,  o Vento Solar interfere deformando o campo magnético da terra. Como se não bastasse,  ainda podem existir depósitos de minérios ferromagnéticos que também influem localmente.  No geral,  o campo é relativamente bem orientado,  mas em alguns lugares (Ex: Triângulo das Bermudas),  este erro é enorme e relativamente dinâmico. A tabela acima,  apresenta medidas genéricas, e não se responsabiliza por anomalias locais.  Ficou claro!?

A carta ao lado, mostra através de curvas isogônicas, qual a declição magnética em cada ponto do globo.

Por exemplo,  a linha de valor -28º  que passa sobre o sertão do nordeste brasileiro, indica que ao usar a bússola em qualquer ponto na proximidade desta linha, a bússola deverá ser declinada em 28º para Oeste.  Beleza?!

Mas a minha caminhada não é na Sibéria.  Como saber a declinação correta?

        Antigamente (Para mim,  até o início do ano de 2000),  nós consultávamos aqueles mapas atualizadissimos do IBGE ou do Exército e na legenda, aparecia a seguintes inscrição:

Declinação Magnética 19ºW que cresce 1º por ano na direção Oeste.  Aí você deveria ver a data de reimpressão do mapa (Não a data de edição),  calculava quantos anos o mapa tinha (Alguns podem ter a sua idade!),  aí chega a algo como 24º W.

        Hoje, você visita um site da internet onde existe uma interface onde você informa  Lat / Log  e o ano para o qual você quer a declinação.  Eu uso o Canadian Geomagnect Reference Field (CGRF)