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Geografia/Claude
Lévi-Strauss, cem anos
do intelectual do século
XX/
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Claude
Lévi-Strauss, cem
anos do intelectual
do século XX |
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Claude Lévi-Strauss (Bruxelas, 28 de novembro de 1908 — Paris, 30 de outubro de 2009) foi um antropólogo, professor e filósofo francês. É considerado fundador da antropologia estruturalista, em meados da década de 1950, e um dos grandes intelectuais do século XX.
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Quarta-feira,
17 de
Fevereiro de
2010
Ciência Hoje
"Se me tornei antropólogo é porque as outras sociedades
me interessavam mais do que a minha"
"A sua obra, com uma mensagem
humanista e de alcance universal, transformou a
nossa visão do Mundo. Interessado em todas as
civilizações, ele ensinou-nos a complexidade dos
mitos e a diversidade das culturas, assim como sua
fragilidade".
As
frases são de Koichiro Matsuura, diretor-geral da
Unesco, e foram proferidas terça-feira durante a
homenagem que a Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura decidiu fazer a
Claude Lévi-Strauss. Hoje, o antropólogo francês
graças a quem
"sabemos que a
riqueza da Humanidade reside na sua diversidade e na
sua capacidade de sempre reconhecer o lugar do
outro",
ainda
segundo Matsuura, celebra cem anos.
Nasceu em Bruxelas,
filho de um judeu agnóstico. Estudou Direito e
Filosofia na Sorbonne, mas deixou o curso de Direito
pelo caminho. É referência da Antropologia Moderna
cujo primeiro trabalho etnográfico foi feito ainda
durante o curso de Filosofia. Um convite de Marcel
Mauss, "pai" da Etnologia francesa para ingressar no
recém-criado departamento de etnografía da
universidade indicou-lhe o caminho. "Se
desejasse estudar a minha própria sociedade,
ter-me-ia tornado um especialista em Ciência
Política ou Sociologia. Se me tornei antropólogo é
porque as outras sociedades me interessavam mais do
que a minha", afirmou no documentário
"Trópico da Saudade", do antropólogo e realizador
brasileiro Marcelo Fortaleza Flores, exibido esta
semana na TV francesa.
O Brasil está muito
presente no século de Lévi-Strauss. Lecionou no pólo
de Sociologia da Universidade de S.Paulo entre 1935
e 1939 e realizou várias expedições para encontrar
indígenas, nos estados de Mato Grosso e na Amazônia,
com trabalhos de campo nas tribos dos bororo,
nambiquara e tupi-kawahib, experiências que o
orientaram definitivamente como profissional da
antropologia. E depois de se ter tornado referência
no mundo acadêmico, o reconhecimento público surgiu
quando escreveu sobre o Brasil: "Tristes Trópicos" e
"Saudades do Brasil".
A luta contra o
racismo, pela diferença
No encontro de terça-feira, a UNESCO lembrou o papel
que o pensamento de Lévi-Strauss teve na formação da
organização. "Claude Lévi-Strauss, uma das
maiores figuras intelectuais do século XX,
acompanhou de perto a história da UNESCO",
destacou em comunicado o diretor-geral Koichiro
Matsuura. Depois de ter estado exilado nos Estados
Unidos, durante a II Guerra Mundial, e de regressou
à Paris para reerguer a universidade e ajudar a
fundar o Musée de l'Homme, Lévi-Strauss participou
desde finais dos Anos 1940 na comissão internacional
encarregada de redigir a primeira declaração da
Unesco sobre raça, que foi publicada em 1950. Já em
1971 foi convidado a inaugurar o Ano Internacional
da Luta Contra o Racismo, protagonizando na sede da
organização a célebre conferência Raça e Cultura.
Outra das suas
preocupações precoces, foi o ambientalismo. Ao mesmo
tempo que fazia investigação e trabalhos de campo na
área da Antropologia, e de que resultou a sua defesa
das culturas e tradições diferentes, foi o precursor
do pensamento ecológico. A mesma forma que levava o
homem a alfabetizar os povos não letrados ou a
tentar evangelizá-los, poderia levar a uma
uniformização, pensava, que seria símbolo de
progresso mas ao mesmo tempo de destruição, das
culturas e da terra.
Claude Lévi-Strauss
aposentou-se em 1982. Continua a publicar teses
sobre artes, música e poesia. E memórias, além de se
ter dedicado a outros interesses como a geologia, a
botânica e a astronomia.
França programou uma
série de homenagens. Hoje, no Museu de Quai Branly é
o dia Lévi-Strauss, tendo o museu parisiense
dedicado às artes e civilizações da América, África,
Ásia e Oceania preparado a iniciativa "Claude
Lévi-Strauss tem 100 anos". Cem intelectuais - entre
os quais Erik Orsenna, Bernard-Henri Lévy ou Julia
Kristeva - lerão trechos de obras do antropólogo
tendo em fundo uma exposição de fotografias suas. A
Biblioteca Nacional da França prestará tributo a
Lévi-Strauss com uma apresentação de seus
manuscritos, que permitirá a descoberta de
"documentos excepcionais" como o manuscrito de
"Tristes Trópicos" ou cadernos de trabalho de campo
e croquis, entre outros. Paralelamente, está
prevista a edição de vários livros sobre o autor ou
seus, em reedição.
Claude Lévi-Strauss morreu
em 30 de outubro de 2009,
poucas semanas antes da data
em que faria 101 anos. A
morte só foi anunciada
quatro dias depois.
O presidente da França
Nicolas Sarkozy o definiu
como "um dos maiores
etnólogos de todos os
tempos". Bernard Kouchner, o
ministro de Assuntos
Exteriores francês, afirmou
que Lévi-Strauss "quebrou
com uma visão etnocêntrica
da história e humanidade […]
Em um tempo em que tentamos
dar sentido a idéia de
globalização, construir um
mundo mais justo e humano,
eu gostaria que o eco
universal de Claude
Lévi-Strauss ressonasse mais
forte". O jornal The
Daily Telegraph afirmou
no obituário do antropológo
que Lévi-Strauss foi "uma
das influências pós-guerra
dominantes na vida
intelectual francesa e o
principal expoente do
Estruturalismo nas Ciências
sociais". A secretária
permanente da Académie
Française Hélène Carrère
d'Encausse disse: "Ele era
um pensador, um filósofo […]
Nós nunca encontraremos
outro como ele".
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