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Indústria do Cinema

CESAR
SIQUEIRA BOLAÑO
É gritante o papel fundamental que a indústria
cinematográfica está desempenhando nos nossos dias, no âmbito da
cultura, tanto pelo montante econômico que mobiliza e sua articulação
com outros mercados, como pelos elementos de ordem social e cultural que
carregam no seu discurso e na sua inserção social.
Nesse sentido, além do enorme volume de negócios que se observa em
relação ao âmbito audiovisual e às grandes transnacionais que
comercializam e distribuem seus produtos, a indústria da cultura e da
comunicação é a que na atualidade está gerando um maior número de
empregos, tanto no ramo da própria produção cultural, como na
infra-estrutura colateral que envolve (publicidade, desenho, eletrônica,
meios de comunicação, hospedagem, vestuários, equipamentos cenográficos,
turismo etc.). Veja o exemplo de
Hollywood, em Los
Angeles/CA e da Universal Studios e MGM Studios, em Orlando/FL, ambos
nos Estados Unidos, onde estão localizados os grandes estúdios de
cinema, sendo alguns dos destinos de viagens mais procurados pelas
pessoas do mundo inteiro, que sonham em visitar suas cidades
cenográficas, movimentando o comércio, as indústrias hoteleiras, de
alimentação, de turismo, etc. Na Florida, o turismo é considerado sua
maior indústria, com lucros estimados em US$ 57 bilhões ao ano.
Desse modo, não podemos separar a indústria cultural das
novas tecnologias e do lazer que, no seu conjunto, constituem atualmente
a primeira fonte de riqueza nos países desenvolvidos. Mas não devemos
ficar unicamente nessa análise socioeconômica pois estaríamos ignorando
os elementos imateriais ou, melhor, intangíveis, isto é, os conteúdos
simbólicos que caracterizam toda produção cultural. Nesse sentido,
podemos dizer que a indústria cinematográfica detém hoje em dia uma
importância que vai além da sua dimensão econômica, tendo muito mais a
ver com sua influência simbólica, sua capacidade de criar modelos
sociais e atitudes morais, com a virtude de expressar e dinamizar o
imaginário coletivo das sociedades. Essa influência social do cinema,
assim como sua repercussão econômica e cultural, alcança, em nossos
dias, tanto âmbitos locais e regionais como nacionais e internacionais. |
Cinema: Uma
indústria em constante expansão
Com seguidos anos de
crescimento, a indústria de entretenimento mostra força e sobrevive
às crises econômicas
Publicado em 25/02/2005 - 02:00
Por Renato Marques
Em meio à recessão que seguiu os atentados em Nova York e Washington, em
11 de setembro de 2001, poucos setores da economia continuaram obtendo
bons desempenhos. Um deles, naturalmente, pelos fatos que sucederam os
ataques, foi o de armamentos. Outro que vem alcançando sucessivos
resultados positivos é o setor de entretenimento. De alguma maneira
favorecidas pela "depressão" mundial, as indústrias da área vêm
aumentando a sua penetração, chegando a um faturamento anual de US$ 23
bilhões (R$ 60,5 bilhões).
É difícil negar que boa parte desses resultados se deve ao bom
desempenho da indústria cinematográfica. Com resultados extremamente
expressivos, Hollywood obteve, em 2004, o 13º ano consecutivo de
crescimento no faturamento, superando a marca dos US$ 10 bilhões (R$ 27
bilhões) - sem contar as vendas de vídeos e DVDs. "Pelo lado do negócio,
vai tudo muito bem. O negócio do entretenimento só é suplantado hoje, na
economia internacional, pela indústria bélica. E nessa área do
entretenimento, o cinema ocupa um espaço de ponta", explica o professor
do departamento de Cinema da UFF (Universidade Federal Fluminense),
Roberto Moura.
É difícil avaliar, também, que o crescimento está perto do fim. As
bilheterias registradas em 2004 e as grandes franquias anunciadas para o
biênio 2005-2006 apontam que o sucesso deve se estender por mais alguns
anos ainda. Até mesmo o cinema brasileiro - mal visto por muitos - tem
registrado bom desempenho econômico. A tal ponto que não apenas o
governo brasileiro estuda formas de organizar o incentivo à produção
audiovisual, como o próprio setor privado aponta para novos
investimentos, com grandes empresas de mídia, direcionando recursos para
a criação de filmes.
"É possível perceber que há um movimento interessante acontecendo de
empresas televisivas começando a investir no cinema brasileiro, como faz
a Globo filmes, já há algum tempo. Agora, o SBT também está começando a
produzir filmes, assim como a Bandeirantes. E finalmente está
acontecendo aqui, porque é algo que já acontece no mercado mundial e
passa a acontecer no Brasil também", declara o coordenador do curso de
Cinema da Universidade Anhembi Morumbi, Mauricio Gonçalves. "Essa nova
visão das empresas de televisão aberta é um dos vários saltos
necessários para uma evolução maior do cinema brasileiro."
EUA X Resto do Mundo
Se nos negócios, tudo vai bem, na criação a situação anda um pouco
devagar. Cada vez mais, as críticas se repetem, com referências à crise
na produção de filmes em Hollywood. Embora estejam longe de ser
unânimes, as críticas partem, principalmente, de diretores e produtores
saudosos de produções mais trabalhadas. "O cinema internacional não
está, criativamente, em um grande momento. Dentro do mundo dos negócios,
é algo espetacular. Mas, em termos artísticos, a produção é muito
precária. O próprio Oscar é uma grande festa de marketing, de
entretenimento barato", critica Moura.
Boa parte das críticas é direcionada para a indústria norte-americana,
que, com seu poderio econômico, criou uma vasta rede de distribuição de
seus filmes por todo o planeta. Atualmente, praticamente nenhum país tem
o domínio de exibição em suas próprias salas de cinema. Ou seja, em
poucos locais a produção nacional consegue um fatia expressiva do
mercado. Alguns países, como a França (34,8% do mercado local) conseguem
resultados razoáveis, outros, como Brasil (10%) e Espanha (15,8%) ficam
apenas na média, enquanto alguns, como Portugal (0,9%) tem desempenhos
inexpressivos.
Isso, em parte, mostra que a dominação estética e cultural da indústria
holywoodiana alcançou patamares bastante elevados. Sem contar que muito
do que se produz no mundo segue a cartilha dos EUA. "O brasileiro já
está acostumado à ética estrangeira, a esse domínio de quase um século.
Só que deixa pouco espaço para o cinema nacional, que quando tem
espaços, consegue fazer a sua marca. É claro que tem coisa ruim na
produção local, mas tem ruindade no cinema estrangeiro e a gente assiste
também", compara Gonçalves.
Outro ponto negativo é a constituição de barreiras culturais no mercado
norte-americano - o maior do mundo. Ao mesmo tempo em que exporta em
ritmo acelerado, a indústria de Hollywood "impede" a entrada de filmes
estrangeiros, limitando a concorrência. "O público norte-americano não
assiste filme que não seja dos EUA e não vê filmes que não sejam falados
em inglês. Nossos filmes tem tido uma receptividade maior agora, mas
isso é algo restrito há alguns títulos", finaliza Gonçalves.
Para os futuros
cineastas
Quem
deseja seguir na carreira de cinema, o mais importante é ter uma boa
bagagem cultural, além de
se dedicar ao aprendizado das técnicas. Cursos de graduação têm
ganhado espaço.
Se há uma carreira fortemente marcada pelo glamour, essa é a de
cineasta. Afinal, quem não gostaria de dirigir um grande filme e ver
seu nome premiado pelo trabalho nos sets de filmagens? No entanto, a
realidade da profissão é bem diferente do que se vê na TV e o
caminho para ser um diretor, ou produtor, de sucesso é bastante
longo. Os cursos universitários voltados para o setor, na realidade,
apresentam um panorama muito mais amplo, apontando o graduando para
novas direções, como a produção de vídeos institucionais e
comerciais.
Mais do que isso, a carreira de cinema não se resume à direção de
uma produção audiovisual. Na produção de um filme, muitas outras
funções são executadas por profissionais especializados - figurino,
direção de fotografia, som e também toda a parte técnica de
filmagem.
Para quem tem interesse na área, é importante saber da necessidade
de uma boa formação cultural, além da formação técnica. Por se
tratar de um curso da área de comunicação, além do forte apelo para
as artes, a produção cinematográfica envolve um grau de
responsabilidade na mensagem a ser passada e no tratamento que deve
ser dado à mesma.
Além disso, cada vez mais cresce a necessidade de profissionais
multidisclipinares, que conheçam princípios de gestão. Isso porque,
atualmente, a produção de um filme envolve investimentos altos e uma
equipe com muitos profissionais. "O aluno precisa entrar no curso
sabendo o que quer e se direcionar para aquilo. O que o setor busca
são bons profissionais, especializados em mais de uma área -
fotografia, direção de arte, som, edição. No Brasil, para fazer
cinema, é preciso fazer mais de uma coisa", afirma o coordenador do
curso de cinema da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), José
Gozzi.
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