Competições,
concorrências,
vencedores, vencidos,
ricos, pobres,
abandonados à própria
sorte: termos que
exprimem as modalidades
e os resultados do
funcionamento de um
sistema mundial
assimilado então ao
desenvolvimento do
capitalismo. Nunca na
história da humanidade
houve tamanha
concentração de poder
nuns poucos lugares nem
tamanha separação e
diferença no interior da
comunidade humana.
Lugares de
poder: o arquipélago
metropolitano mundial
No final do século XX,
os poderes que atuam
sobre o mundo e as
inovações que o
transformam localizam-se
num número limitado de
lugares: megalópoles da
América do Norte, a do
nordeste e a da
Califórnia, a do Japão,
centrada em Tóquio, a da
Europa Ocidental, entre
a planície do Pó e a
bacia de Londres,
englobando a ilha
parisiense. Aí, 5% da
população mundial vive
em 0,4% da superfície
das terras. É aí que se
localiza a grande
maioria das 500 maiores
empresas financeiras e
industriais, os governos
e as instituições que
pesam sobre o Mundo:
Casa Branca e Pentágono,
o Banco Mundial e o
Fundo Monetário
Internacional em
Washington; as Nações
Unidas e Wall Street em
Nova York; os centros
financeiros de Tóquio,
Frankfurt e Londres, as
grandes agências de
informações que tratam e
difundem os
acontecimentos do Mundo;
e, em Londres, a Reuter,
que monopoliza as
informações financeiras.
Os membros do G-7 aí
residem, como os
presidentes e os
primeiros-ministros, que
freqüentam as
“conferências de
cúpula”. Dos novos
conhecimentos, 90% se
elaboram nos
laboratórios dos países
onde se encontram essas
megalópoles.
Nesses pólos do
sistema-mundo,
estratégias e decisões
repousam num tratamento
maciço e instantâneo de
informações públicas e
confidenciais coletadas
em todo o mundo. No anel
das redes que cinge a
Terra nas latitudes
médias do Hemisfério
Norte, circulam 98% das
informações financeiras,
e os tráficos aéreos são
aí os mais intensos. Os
contatos diretos entre
dirigentes conservam
toda a sua importância,
sem embargo da fluidez e
da diversidade dos meios
de comunicação: é nesse
anel que se deslocam os
“novos nômades” que
dirigem o mundo.
Por toda parte as mesmas
grandes
infra-estruturas,
plataformas
aeroportuárias e
portuárias, redes
rodoviárias e
ferroviárias, os mesmos
grandes hotéis e as
altas torres onde têm
sede as grandes
empresas; por toda parte
os preços dos imóveis
nos grandes centros
urbanos são justificados
pelo número de negócios
das empresas mundiais
que se encontram.
O poderio mundial se
exerce numa concentração
geográfica dos poderes.