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Império Soviético: a
decadência de uma
superpotência
Foi em meados da década de
70 que a União Soviética
começou a perder o "bonde da
história". Ficava evidente,
mesmo para os próprios
soviéticos, que o império
vermelho era uma
superpotência apenas pelo
seu poderio militar, pelo
seu arsenal nuclear e pela
sua capacidade de destruição
em massa. Devido ao seu
baixo dinamismo econômico,
sua produtividade industrial
não acompanhava nem de longe
os avanços dos países
capitalista desenvolvidos,
mais competitivos. Seu
parque industrial, sucateado
era, incapaz de produzir
bens de consumo em
quantidade e qualidade
suficientes para abastecer a
própria população. As filas
intermináveis eram parte do
cotidiano dos soviéticos e o
descontentamento se
generalizava.
Tudo isso, evidentemente,
era percebido pela cúpula
dirigente do PCUS.
Paralelamente, aumentava
também a força dos
movimentos separatistas,
particularmente nas
repúblicas bálticas. Era
necessário implantar
reformas políticas e
econômicas urgentes, além de
fazer algumas concessões aos
separatistas para evitar
secessões.
Mas o golpe de
misericórdia na combalida
economia soviética foi dado
pelos Estado Unidos, no
início da década de 80. A
campanha dos republicanos
para a eleição presidencial
norte-americana, em 1980,
foi baseada na recuperação
da auto-estima e do
prestígio internacional do
país, abalado pelo democrata
Jimmy Carter, tido por
muitos como um governo
fraco. Ronald Reagan foi
eleito presidente do Estado
Unidos com esse discurso e,
para viabilizá-lo prometeu
triplicar o
orçamento para a defesa.
Como a União Soviética não
tinha mais condições de
continuar com a corrida
armamentista, os acordos de
paz entre as duas
superpotências se tornaram
necessários.
Foi com essa espinhosa
missão militar que Mikhail
Gorbatchev chegou ao cargo
de secretário-geral do PCUS,
posição mais alta na
estrutura de poder da
extinta União Soviética.
Cabia a ele recolocar o país
no mesmo patamar tecnológico
do mundo ocidental,
aumentando o s níveis de
produtividade econômica.
Cabia a ele também aumentar
a oferta e a qualidade de
bens de consumo e de
alimentos para a população.
Para isso, era importante
atrair investimentos
estrangeiros, garantido
acesso a novas tecnologias.
Com esse objetivos, foram
firmadas muitas associações
(Joint Ventureis)
com empresas ocidentais. Era
fundamental, para tanto,
introduzir entre os
administradores e
trabalhadores o conceito de
lucro, de produtividade, de
controle de qualidade, etc,
a fim de modernizar as
empresas industriais e
agrícolas.
O próprio Gorbtchev fez
uma análise bastante
realista da situação do país
e por reformas nos planos
políticos e econômicos. Essa
proposta apareceu de forma
cristalina no Livro
Perestroika - novas idéias
para o meu pais e o mundo.
Um best-seller
mundial.
Nesse livro, Gorbatchev,
rompendo com o imobilismo da
era Brejnev, propôs
uma reestruturação (Perestroika
em Russo) da economia
soviética visando à
superação de suas profundas
contradições. Mais, para a
implantação da
Perestroika, para o seu
sucesso, respondendo as
pressões internas e
externas, seriam necessárias
reformas também no sistema
político-administrativo. Era
preciso pôr fim à ditadura,
demonstrando o aparelho
repressor erigido na era
Stálin. Outra
necessidade era frear a
corrida armamentista.
Gorbatchev sempre tomou a
iniciativa para a assinatura
de acordos de paz com os
Estado Unidos, o que acabou
lhe garantindo o prêmio
Nobel da Paz, em 1990.
Independentemente seus
princípios éticos, ela
necessitava urgentemente
desses acordos para ter as
condições econômicas e
políticas que sustentariam a
implantação de suas
reformas.
O primeiro passo foi a
glasnot, que pode
ser traduzida como uma fase
transparência política. Teve
início, assim uma política
na extinta União soviética.
Entretanto, a desmontagem do
aparelho repressor foi como
se um poderoso vulcão, há
muito adormecido, entrasse
em atividade. Força
nacionalistas imediatamente
começaram a reivindicar
autonomia em relação a
Moscou. Durante toda a
existência da União
Soviética, as minorias
oprimidas pelos russos, que
eram de fato os senhores do
país, foram controladas pelo
uso da força bruta -
repressão, tortura,
assassinatos, etc. - ou pelo
controle ideológico - o
partido único como
encarnação da revolução
socialista e do proletariado
no poder. Assim, com o
primeiro relaxamento
separatista. As repúblicas
bálticas foram pioneiras, os
ideais de liberdade
espalharam-se pelo Cáucaso,
Ásia central e outras
regiões do país. Levando à
completa fragmentação da
antiga superpotência. |