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A industrialização, o crescimento urbano e o meio ambiente

         A industrialização com o objetivo de substituir as importações (ISI), que começou na década de 1930 e se acelerou na de 1950, não foi seletiva, estimulando a criação indiscriminada de indústrias e, no início, muitas das fábricas recém instaladas operavam com equipamentos de segunda mão, importados por empresas multinacionais. O setor industrial se concentrava no Centro-Sul do país, especialmente nas áreas da Grande São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em 1949, o Sudeste do Brasil era responsável por 75,4% da receita gerada pela indústria, taxa que aumentou para 79,1% em 1970, caiu ligeiramente para 65,7% em 1985. Nesse ano, entretanto, o Sudeste abrigava somente 43% do total da população brasileira.

          A concentração industrial regional foi resultado de economias internas e externas. Como na época de industrialização acelerada a região com a maior renda per capita era o Sudeste, era óbvio que as empresas nacionais e estrangeiras quisessem ali realizar seus investimentos, próximo dos mercados mais importantes. Além disso, visto que essa desenvolvida região possuía mais trabalhadores e profissionais especializados e tinha a melhor infra-estrutura do país, herdada da prosperidade do ciclo do café, a percepção de custos menores das economias externas também convenceu a maioria das empresas a se instalar nessa área.

(...)

          Essa concentração ocasionou tremendas pressões sobre o governo a fim de proporcionar uma infra-estrutura adequada para o crescente número de indústrias, ou seja, transporte adequado, fornecimento de energia, etc. Cada setor, entretanto, era responsável pela emissão de efluentes no solo, na água e no ar – indústrias automobilísticas, têxteis, químicas, etc. – e a proximidade entre elas resultou numa poluição que se alastrou rapidamente, além da contribuição da crescente dependência das pessoas e bens em relação ao transporte rodoviário para o aumento da poluição do ar.

          Até recentemente, a poluição resultante da concentração industrial regional não foi combatida pelo governo. O motivo principal para isso foi que antes da década de 1980 havia pouca consciência da degradação ambiental como uma questão política importante. Além disso, o governo estava tão interessado no estímulo aos novos investimentos industriais que qualquer preocupação específica com o tema teria parecido prejudicial a tais esforços.

          A ISI provocou uma rápida urbanização. Enquanto em 1940 a população urbana era de 31%, em 1950 essa taxa havia crescido para 36%, em 1965 para 50% e, em 1989, para 74%. Em 1990, a população que vivia em cidades de 1 milhão de habitantes ou mais representava cerca de 48% da população urbana total. Essa mudança deveu-se à rápida migração da zona rural para a urbana. O aumento extremamente acelerado de pessoas que passaram a morar nas cidades não foi acompanhado da ampliação adequada na infra-estrutura social urbana e explica o rápido crescimento das favelas em que as pessoas viviam sem um sistema de fornecimento de água, uma rede de esgotos ou serviços de saúde e de educação apropriados, etc.

BAER, Werner. A economia brasileira. São Paulo: Nobel, 2002. p. 402.

 

 

VOCÊ PRECISA SABER

 

1. Indústria é um processo produtivo que conjuga o capital e o trabalho com o objetivo de transformar matérias-primas em bens de produção, bens de capital e bens de consumo.

 

2. Fatores locacionais são os fatores que viabilizam a instalação de indústrias num determinado lugar. Para cada tipo de indústria pesa mais um fator e menos outro. Para indústrias de base pesa mais a disponibilidade de matérias-primas e de energia ou a facilidade de recepção desses recursos naturais. A existência de mão-de-obra altamente qualificada pesa mais para a instalação de indústrias de alta tecnologia. A proximidade de um amplo mercado consumidor é mais importante para indústrias de bens de consumo. Agora, para todos os ramos industriais é fundamental a existência de boa rede de transportes e de telecomunicações.

 

3. Não podemos afirmar que os fatores locacionais ainda são os mesmos que existiam nos primórdios da industrialização porque o peso de determinado fator para a localização industrial varia ao longo da história. Nos séculos XVIII e XIX, durante a primeira Revolução Industrial, um dos fatores mais importantes para a localização das indústrias eram as reservas de carvão mineral, a mais importante fonte de energia na época. Hoje, o carvão não é mais importante, a não ser para a indústria siderúrgica, e, mesmo assim, com a melhoria dos sistemas de transportes, é possível instalar siderúrgicas distante das minas de carvão e ferro. O Japão, por exemplo, é grande produtor de aço sem dispor desses recursos. Já para as indústrias típicas da revolução técnico-científica, a mão-de-obra com alto nível de qualificação é o fator locacional mais importante.

 

4. Com a elevação dos custos de produção nas regiões de industrialização antiga, os investidores têm buscado instalar novas fábricas em lugares onde os custos de produção são menores e os lucros, portanto, maiores. A descentralização explica-se pela busca de regiões que ofereçam uma infra-estrutura melhor, salários relativamente mais baixos (devido ao fato de os sindicatos não serem tão organizados e atuantes quanto nas regiões antigas), terrenos mais baratos (os municípios, na tentativa de atrair novas indústrias, geralmente concedem vantajosos incentivos fiscais) etc. Deve ser lembrado que o processo de descentralização industrial viabilizou-se graças à acelerada modernização ocorrida nos transportes e nas telecomunicações, fruto da revolução tecnológica, e ele ocorre em escala nacional, regional e mundial.

Fonte: http://www.scipione.com.br

 
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