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Juscelino e suas metas

          Os especialistas têm assinalado a importância decisiva do governo Kubitschek para os rumos da industrialização brasileira. Durante a chamada Era Vargas (1930-1945), assim como no seu segundo governo (1951-1954), o setor que recebeu a atenção e os investimentos públicos foi o de bens de produção (siderurgia, energia, transportes, exploração de minério). A partir de 1956, a ênfase foi colocada nos bens de consumo duráveis, com destaque para os automóveis, eletrodomésticos, eletrônicos e similares.

          Há diferenças importantes entre a manufatura de bens de consumo imediato, como roupas e sapatos, por exemplo, e os bens duráveis, como os carros.

 

          No primeiro caso, a produção pode ser feita em pequena escala, por várias empresas que competem no mercado, sem requerer muitos capitais, tecnologia avançada ou gerenciamento profissional das fábricas. Exatamente o oposto ocorre no caso da indústria de automóvel e outros bens duráveis. Esta concentra grandes investimentos, técnicas sofisticadas, equipamentos modernos, administração de especialistas, monopólio do mercado, além de ser controlada não por um indivíduo ou família, mas por investidores.

          Na década de 1950, essas fábricas, fruto da chamada Segunda Revolução Industrial, concentravam-se nos países mais desenvolvidos. No Brasil, a falta tanto de capitais quanto de tecnologia constituía-se em barreiras que impediam o país de produzir os bens duráveis de que necessitava. Para a economia mundial, essa foi uma época de expansão. Terminara a reconstrução econômica dos países que haviam participado da Segunda Guerra Mundial e a integração entre as nações industrializadas era cada vez mais profunda, graças às empresas multinacionais, que atuavam em várias regiões do planeta. Havia capitais disponíveis e interesse em aplicá-los onde se apresentassem boas oportunidades de lucro.

          Nesse contexto, Juscelino Kubitschek propõe o seu Programa de Metas, um ambicioso plano composto de trinta itens, subdivididos em cinco áreas: energia (3 metas), transportes (7 metas), indústrias (11 metas), alimentação (6 metas) e educação (1 meta), cujo objetivo declarado era acelerar a industrialização, criar novos empregos e melhorar a qualidade de vida da população. A transferência da capital do Rio de Janeiro para o Planalto Central, não incluída no programa, constituía-se, de acordo com o presidente, na meta-síntese do seu governo.

LUCA, Tânia Regina de. Indústria e trabalho na história do Brasil. São Paulo: Contexto, 2001. p. 71-2.

(Repensando a história do Brasil).

 

VOCÊ PRECISA SABER

 

1. Indústria é um processo produtivo que conjuga o capital e o trabalho com o objetivo de transformar matérias-primas em bens de produção, bens de capital e bens de consumo.

 

2. Fatores locacionais são os fatores que viabilizam a instalação de indústrias num determinado lugar. Para cada tipo de indústria pesa mais um fator e menos outro. Para indústrias de base pesa mais a disponibilidade de matérias-primas e de energia ou a facilidade de recepção desses recursos naturais. A existência de mão-de-obra altamente qualificada pesa mais para a instalação de indústrias de alta tecnologia. A proximidade de um amplo mercado consumidor é mais importante para indústrias de bens de consumo. Agora, para todos os ramos industriais é fundamental a existência de boa rede de transportes e de telecomunicações.

 

3. Não podemos afirmar que os fatores locacionais ainda são os mesmos que existiam nos primórdios da industrialização porque o peso de determinado fator para a localização industrial varia ao longo da história. Nos séculos XVIII e XIX, durante a primeira Revolução Industrial, um dos fatores mais importantes para a localização das indústrias eram as reservas de carvão mineral, a mais importante fonte de energia na época. Hoje, o carvão não é mais importante, a não ser para a indústria siderúrgica, e, mesmo assim, com a melhoria dos sistemas de transportes, é possível instalar siderúrgicas distante das minas de carvão e ferro. O Japão, por exemplo, é grande produtor de aço sem dispor desses recursos. Já para as indústrias típicas da revolução técnico-científica, a mão-de-obra com alto nível de qualificação é o fator locacional mais importante.

 

4. Com a elevação dos custos de produção nas regiões de industrialização antiga, os investidores têm buscado instalar novas fábricas em lugares onde os custos de produção são menores e os lucros, portanto, maiores. A descentralização explica-se pela busca de regiões que ofereçam uma infra-estrutura melhor, salários relativamente mais baixos (devido ao fato de os sindicatos não serem tão organizados e atuantes quanto nas regiões antigas), terrenos mais baratos (os municípios, na tentativa de atrair novas indústrias, geralmente concedem vantajosos incentivos fiscais) etc. Deve ser lembrado que o processo de descentralização industrial viabilizou-se graças à acelerada modernização ocorrida nos transportes e nas telecomunicações, fruto da revolução tecnológica, e ele ocorre em escala nacional, regional e mundial.

Fonte: http://www.scipione.com.br

 
 
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