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Geografia/A
história da
industrialização
brasileira/
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A história da
industrialização
brasileira
Durante o
período
colonial, o
território
brasileiro foi
ocupado e
organizado para
empreendimentos
de exploração, e
não de
colonização. A
atividade
econômica
predominante era
a monocultura de
produtos
tropicais para
exportação,
praticada em
grandes
propriedades
rurais e com
mão-de-obra
escrava. A maior
parte dos
capitais obtidos
nessa atividade
era remetida
para Portugal,
que mantinha sua
grande colônia
com a função
exclusiva de
fornecer
mercadorias
agrícolas ou
minerais.
A passagem do
capitalismo
comercial para o
industrial,
iniciada pelo
Reino Unido a
partir da
segunda metade
do século XVIII,
pouco interferiu
nas economias do
Brasil e de
Portugal. A
colônia
continuou a
fornecer
produtos
agrícolas para a
metrópole, que
os
comercializava
com outros
países. Nesse
período,
qualquer
tentativa de
implantar
indústrias no
país, por mais
rudimentares que
fossem, era
combatida pela
Coroa para
assegurar que o
maior volume
possível de
mercadorias
britânicas fosse
vendido na
colônia por
Portugal,
garantindo-lhe
elevados lucros.
Além dos
interesses
comerciais,
tentava-se
impedir o
surgimento de
uma elite
econômica que
reivindicasse
liberdade
política
(independência).
Essa política de
restrições à
industrialização
brasileira
alcançou o auge
em 1785, quando
D. Maria I, a
Louca, proibiu a
implantação de
qualquer
atividade
manufatureira ou
fabril no
Brasil, além de
ordenar a
extinção das já
instaladas.
A partir de 1808, com a
chegada da
família real ao
Brasil (que
havia fugido das
invasões
comandadas por
Napoleão
Bonaparte na
Europa), essa
política foi
revogada, mas a
concorrência dos
produtos
britânicos ainda
impedia a
implantação de
indústrias
economicamente
viáveis. Em
1810, com o
Tratado de
Navegação e
Comércio, a
entrada de
manufaturados
britânicos foi
favorecida:
cobravam-se 15%
de imposto de
importação,
enquanto a
entrada de
produtos
portugueses era
taxada em 16%.
Nessa época,
além da
concorrência dos
produtos
britânicos, a
vigência da
escravidão foi
um forte
empecilho à
implantação das
atividades
industriais. O
regime
escravocrata
dificultava o
desenvolvimento
de novas
técnicas de
produção (era
mais prático
comprar escravos
que investir em
equipamentos) e
restringia o
mercado
consumidor
(pessoas
escravizadas não
recebem
pagamento por
seu trabalho;
portanto não
adquirem
produtos). Além
disso, a
reduzida
urbanização ou,
em outras
palavras, o
predomínio de
população rural,
espacialmente
dispersa,
reduzia o
tamanho do
mercado de
consumo de bens
industrializados
e não estimulava
investimentos
fabris.
Foi somente a partir de
1844, com a
Tarifa Alves
Branco, que
elevou as taxas
médias de
importação para
44%, e a Lei
Eusébio de
Queirós (1850),
que proibiu o
tráfico de
escravos, que
tivemos o
primeiro impulso
no processo de
industrialização
no país,
independente
politicamente de
Portugal desde
1822.
A proibição do tráfico
negreiro
incentivou a
imigração livre
(basicamente
européia) e fez
com que os
capitais
anteriormente
utilizados na
compra de
escravos
passassem a ser
investidos em
outros setores
da economia,
como o bancário,
o de serviços
urbanos e o das
indústrias de
bens de consumo.
Embora tenham surgido,
nesse período,
importantes
empreendedores,
como o barão de
Mauá, no eixo
São Paulo–Rio de
Janeiro, e
Delmiro Gouveia,
em Pernambuco,
foi somente a
partir da
Primeira Guerra
Mundial
(1914-18) que o
país passou por
um processo
significativo de
desenvolvimento
e de maior
diversificação
industrial.
 |
Na São Paulo dos anos 1920, uma paisagem de fábricas. A redução no ingresso de mercadorias estrangeiras proporcionada pela Primeira Guerra foi um dos fatores que impulsionaram o crescimento do parque industrial brasileiro.
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Brasil —
estabelecimentos
industriais
existentes
em 1920,
de
acordo
com a
data de
fundação
das
empresas |
Data de
fundação |
Número
de
estabelecimentos |
Número
médio de
operários
por
estabelecimento |
Valor da
produção
(%) |
|
até 1884 |
388 |
76 |
8,7 |
|
1885-89 |
248 |
98 |
8,3 |
|
1890-94 |
452 |
68 |
9,3 |
|
1895-99 |
472 |
29 |
4,7 |
|
1900-04 |
1 080 |
18 |
7,5 |
|
1905-09 |
1 358 |
25 |
12,3 |
|
1910-14 |
3 135 |
17 |
21,3 |
|
1915-19 |
5 936 |
11 |
26,3 |
|
Data
desconhecida |
267 |
16 |
1,6 |
|
Total |
13 336 |
20 |
100,0 |
 |
RECENSEAMENTO
do
Brasil.
v. 5.
Rio de
Janeiro:
IBGE. p.
69.
Extraído
de: BAER,
Werner.
A
economia
brasileira.
São
Paulo:
Nobel,
2002, p.
51. |
As atividades
terciárias da
economia (como
serviços,
comércio,
energia,
transportes e
sistema
bancário)
apontavam, como
hoje, índices de
crescimento
econômico
superiores aos
das atividades
agrícolas e
industriais. É
no comércio e
nos serviços que
circula toda a
produção agrária
e industrial. A
agricultura
cafeeira
—
principal
atividade
econômica
nacional até
então —
exigia a
implantação de
uma eficiente
rede de
transportes, que
escoasse a
produção do
interior do
território para
os portos, além
de um sistema
bancário
integrado à
economia
mundial.
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