Moderno, eficiente e competitivo, o agronegócio brasileiro é uma
atividade próspera, segura e rentável. Com um clima diversificado,
chuvas regulares, energia solar abundante e quase 13% de toda a água
doce disponível no planeta, o Brasil tem 388 milhões de hectares de
terras agricultáveis férteis e de alta produtividade, dos quais 90
milhões ainda não foram explorados. Esses fatores fazem do país um lugar
de vocação natural para a agropecuária e todos os negócios relacionados
à suas cadeias produtivas. O agronegócio é hoje a principal locomotiva
da economia brasileira e responde por um em cada três reais gerados no
país.
O agronegócio é responsável por 33% do Produto Interno Bruto (PIB), 42%
das exportações totais e 37% dos empregos brasileiros. Estima-se que o
PIB do setor chegue a US$ 180,2 bilhões em 2004, contra US$ 165,5
bilhões alcançados no ano passado. Entre 1998 e 2003, a taxa de
crescimento do PIB agropecuário foi de 4,67% ao ano. No ano passado, as
vendas externas de produtos agropecuários renderam ao Brasil US$ 36
bilhões, com superávit de US$ 25,8 bilhões.
Nos últimos anos, poucos países tiveram um crescimento tão expressivo no
comércio internacional do agronegócio quanto o Brasil. Os números
comprovam: em 1993, as exportações do setor eram de US$ 15,94 bilhões,
com um superávit de US$ 11,7 bilhões. Em dez anos, o país dobrou o
faturamento com as vendas externas de produtos agropecuários e teve um
crescimento superior a 100% no saldo comercial. Esses resultados levaram
a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad)
a prever que o país será o maior produtor mundial de alimentos na
próxima década.
O Brasil é um dos líderes mundiais na produção e exportação de vários
produtos agropecuários. É o primeiro produtor e exportador de café,
açúcar, álcool e sucos de frutas. Além disso, lidera o ranking das
vendas externas de soja, carne bovina, carne de frango, tabaco, couro e
calçados de couro. As projeções indicam que o país também será, em pouco
tempo, o principal pólo mundial de produção de algodão e biocombustíveis,
feitos a partir de cana-de-açúcar e óleos vegetais. Milho, arroz, frutas
frescas, cacau, castanhas, nozes, além de suínos e pescados, são
destaques no agronegócio brasileiro, que emprega atualmente 17,7 milhões
de trabalhadores somente no campo.
MODERNIZAÇÃO
O bom desempenho das exportações do setor e a oferta crescente de
empregos na cadeia produtiva não podem ser atribuídos apenas à vocação
agropecuária brasileira. O desenvolvimento científico-tecnológico e a
modernização da atividade rural, obtidos por intermédio de pesquisas e
da expansão da indústria de máquinas e implementos, contribuíram
igualmente para transformar o país numa das mais respeitáveis
plataformas mundiais do agronegócio. A adoção de programas de sanidade
animal e vegetal, garantindo a produção de alimentos saudáveis, também
ajudou o país a alcançar essa condição.
É evidente, entretanto, que o clima privilegiado, o solo fértil, a
disponibilidade de água e a inigualável biodiversidade, além da
mão-de-obra qualificada, dão ao Brasil uma condição singular para o
desenvolvimento da agropecuária e de todas as demais atividades
relacionadas ao agronegócio. O país é um dos poucos do mundo onde é
possível plantar e criar animais em áreas temperadas e tropicais.
Favorecida pela natureza, a agricultura brasileira pode obter até duas
safras anuais de grãos, enquanto a pecuária se estende dos campos do Sul
ao Pantanal de Mato Grosso - a maior planície inundável do planeta.
Para fortalecer essas vantagens competitivas, tornando o agronegócio um
investimento ainda mais atrativo, o governo tem modernizado a Política
Agrícola. A espinha dorsal desse processo é o seguro rural.
Indispensável à garantia de renda do produtor, ele também é essencial à
geração de empregos no campo, ao avanço tecnológico e à efetiva
incorporação do setor ao mercado de capitais.
Outros modernos instrumentos de Política Agrícola, como o Fundo de
Investimento do Agronegócio (FIA), o Certificado de Depósito
Agropecuário e o Warrant Agropecuário, têm sido desenvolvidos e
aperfeiçoados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Com isso, o governo busca atrair parte do patrimônio de mais de US$ 165
bilhões dos fundos de investimentos ao financiamento das atividades
agropecuárias para impulsionar ainda mais o setor por meio do crédito
rural.
O governo acaba de modernizar os contratos de opção de venda, trazendo o
setor privado para dentro das políticas públicas do setor. Dessa forma,
aumenta o potencial de alavancagem dos recursos públicos aplicados na
agropecuária e garante ainda mais liberdade ao setor privado. Essas
mudanças certamente impulsionarão ainda mais o agronegócio, responsável
pela totalidade do superávit da balança comercial brasileira nos últimos
anos.
Com uma população superior a 170 milhões, o Brasil tem um dos maiores
mercados consumidores do mundo. Hoje, cerca de 80% da produção
brasileira de alimentos é consumida internamente e apenas 20% são
embarcados para mais de 209 países. Em 2003, o Brasil vendeu mais de
1.800 diferentes produtos para mercados estrangeiros. Além dos
importadores tradicionais, como Europa, Estados Unidos e os países do
Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai), o Brasil tem ampliado as
vendas dos produtos do seu agronegócio aos mercados da Ásia, Oriente
Médio e África.
SUPERPRODUÇÃO
O desempenho da agropecuária brasileira é
incomparável. Nenhum outro país do mundo teve um crescimento tão
expressivo na agropecuária quanto o Brasil nos últimos anos. A safra de
grãos, por exemplo, saltou de 57,8 milhões de toneladas para 123,2
milhões de toneladas entre as safras 1990/1991 e 2002/2003. Nesse
período, a evolução da pecuária também foi invejável, com destaque para
a avicultura, cuja produção aumentou 234% - ou incríveis 16,7% ao ano -,
passando de 2,3 milhões para 7,8 milhões de toneladas. Não é por acaso,
portanto, que o setor, dono de uma alta produtividade, excelente nível
sanitário e alta tecnologia, tem atraído cada vez mais investimentos
internacionais nos últimos anos.
De 1990 para cá, a produção de grãos no Brasil cresceu 131%. Nesse
período, a área plantada ampliou-se apenas 16,1%, passando de 36,8
milhões para 43,9 milhões de hectares. A abundância foi obtida,
portanto, graças ao aumento de 85,5% no índice de produtividade nessas
últimas 13 safras. O rendimento das principais culturas agrícolas saltou
de 1,5 tonelada para 2,8 toneladas por hectare. Por trás desse avanço,
estão as digitais da pesquisa agropecuária, responsável pelo
desenvolvimento de 529 novos cultivares adaptados especificamente a cada
clima e solo nas principais regiões produtoras do Brasil. Pesaram também
o emprego de técnicas mais avançadas e ambientalmente corretas, como o
plantio direto na palha, e o trabalho de correção de solos e recuperação
de áreas degradadas de pastagens e outras culturas.
Com pelo menos 90 milhões de terras agricultáveis ainda não utilizadas,
o Brasil pode aumentar em, no mínimo, três vezes sua atual produção de
grãos, saltando dos atuais 123,2 milhões para 367,2 milhões de
toneladas. Esse volume, porém, poderá ser ainda maior, considerando-se
que 30% dos 220 milhões de hectares hoje ocupados por pastagens devem
ser incorporados à produção agrícola em função do expressivo aumento da
produtividade na pecuária. O país tem condições de chegar facilmente a
uma área plantada de 140 milhões de hectares, com a expansão da
fronteira agrícola no Centro-Oeste e no Nordeste. Tudo isso sem causar
qualquer impacto à Amazônia e em total sintonia e respeito à legislação
ambiental.
PECUÁRIA
A exemplo da agricultura, a pecuária
registra um crescimento espetacular. De 1990 a 2003, a produção de carne
bovina aumentou 85,2% - ou 6,1% ao ano -, passando de 4,1 milhões para
7,6 milhões de toneladas. Nesse período, a suinocultura cresceu 173,3%,
ou 12,4% ao ano. A produção de carne suína saltou de 1 milhão para 2,87
milhões de toneladas. O complexo carnes, que inclui outros tipos do
produto, também investe em pesquisa, por intermédio do melhoramento
genético, e na certificação de origem do produto. Tudo para oferecer aos
consumidores alimentos seguros e de alta qualidade, como o chamado "boi
verde", um animal alimentado apenas com pastagem, muito diferente dos
sistemas mantidos em outros países produtores.
Dono do maior rebanho bovino comercial do mundo, o Brasil tem mais de
83% das suas 183 milhões de cabeças em áreas livres da febre aftosa, uma
doença altamente contagiosa e economicamente devastadora. O país também
é considerado pelo Comitê Veterinário da União Européia como "área de
risco desprezível" para a ocorrência do chamado mal da "vaca louca", a
doença que dizimou populações inteiras na Europa e chegou recentemente
ao continente americano.
Ao mesmo tempo, a maior parte do território brasileiro está livre de
doenças como "Newcastle", que pode exterminar plantéis inteiros de
frangos e até mesmo contagiar o homem, e a peste suína clássica, letal
para animais jovens. O país também não registra qualquer caso de
influenza aviária, a chamada "gripe do frango", um vírus altamente
contagioso que tem infectado aves na Ásia, América do Norte e Europa. No
setor avícola, o país é o segundo maior do mundo. Em suínos, tem a
terceira maior população do globo.
ÁLCOOL E AÇÚCAR
Introduzida no Brasil para consolidar a
colonização portuguesa e, ao mesmo tempo, garantir grandes lucros à
metrópole, a cana-de-açúcar tornou-se um dos produtos mais importantes
do agronegócio brasileiro. Do auge durante o chamado ciclo da cana
(séculos XVI e XVII) aos dias de hoje, a cultura manteve uma forte
participação na economia nacional. O país é o maior produtor mundial de
cana, com uma área plantada de 5,4 milhões de hectares e uma safra anual
de cerca de 354 milhões de toneladas. Em conseqüência disso, também é,
naturalmente, o mais importante produtor de açúcar e de álcool.
Em 2003, segundo dados consolidados pela Secretaria de Produção e
Comercialização (SPC), as exportações de açúcar atingiram 12,9 milhões
de toneladas, com receitas de US$ 2,1 bilhões, um resultado 2,2%
superior ao registrado em 2002. Os principais destinos do nosso produto
foram Rússia, Nigéria, Emirados Árabes Unidos, Canadá e Egito. A
produção em 2003/2004 chegou a 24,8 milhões de toneladas de açúcar.
A cana também é matéria-prima para extração de álcool. Cada tonelada de
cana tem o potencial energético de 1,2 barril de petróleo. Atualmente, o
álcool movimenta 15% da frota automotiva do país. Em 2003/20004, o
Brasil produziu 14,4 bilhões de litros de álcool. No ano passado, o
volume de embarques bateu em 800 milhões de litros.
Combustível não-poluente, o álcool é um produto que cada vez mais
interessa às nações interessadas em reduzir a emissão de gases nocivos à
saúde humana. Países como a China e o Japão já manifestaram intenção de
importar o combustível. A perspectiva é de que as exportações de álcool
dêem um salto espetacular nos próximos anos.
CAFÉ
Da Etiópia, no nordeste da África, ao Brasil, o café fez um longo
percurso. Primeiro, migrou para a Península Arábica, entre 600 e 700
d.C, conquistando mouros e cristãos. Durante a Idade Média, chegou à
Europa, onde era conhecido como a "vinha da Arábia". No início do século
XVIII, as primeiras sementes do produto chegaram ao território
brasileiro trazidas da Guiana Francesa. Depois de tentativas frustradas
de desenvolver a cultura no Norte, a cafeicultura se fixou no Sudeste do
país e, mais tarde, expandiu-se por Paraná e Bahia, transformando o
Brasil no maior produtor e exportador mundial de café.
Com uma área plantada de 2,2 milhões de hectares, o Brasil teve uma
safra de 28,82 milhões de sacas em 2003/04. No ano passado, as
exportações brasileiras do produto chegaram a 1,43 milhão de toneladas,
com faturamento de US$ 1,51 bilhão. Os principais destinos foram Estados
Unidos, Alemanha, Itália e Japão. O país detém 28% do mercado mundial de
café em grão in natura.
CARNES E COURO
A pecuária brasileira é hoje uma das mais
modernas do mundo. O alto padrão da sanidade e qualidade dos produtos de
origem bovina, suína e de aves elevaram as exportações do complexo carne
a US$ 4,1 bilhões em 2003, com um aumento de 31% em comparação com o
resultado de 2002. Com isso, o Brasil passou a liderar o ranking dos
maiores exportadores de carne bovina e de frangos.
As exportações de carne bovina in natura e industrializada cresceram 40%
em 2003, chegando a US$ 1,5 bilhão. Em volume, totalizaram 1,4 milhão de
toneladas e foram embarcadas principalmente para Chile, Países Baixos,
Egito, Reino Unido, Itália, Arábia Saudita e Alemanha, entre outros.
Esse desempenho colocou o país em primeiro lugar no ranking mundial das
vendas do setor, superando a Austrália, até então o líder comércio
internacional do produto.
Em 2003, o país assumiu ainda a liderança do ranking dos maiores
exportadores do setor avícola, com crescimento de 20% em relação a 2002.
As exportações brasileiras de frango in natura e industrializado somaram
US$ 1,8 bilhão, representando cerca de 2 milhões de toneladas. A maior
parte dos embarques foram para a Arábia Saudita, Japão, Países Baixos,
Alemanha, Rússia e Hong Kong.
O Brasil também registrou crescimento nas vendas externas de carne
suína, que aumentaram 12%, chegando a US$ 526 milhões - ou cerca de 550
mil toneladas. Rússia, Hong Kong, Argentina, Cingapura e Uruguai foram
os principais importadores da carne suína brasileira.
As exportações de couros cresceram mais de 10,2% em 2003, saltando a US$
1,06 bilhão. O couro acabado foi o que apresentou o melhor resultado,
ampliando seu volume de negócios em 29,5%, o que correspondeu a quase
US$ 469 milhões. Com isso, atingiu 44% da exportação total de couros. As
vendas externas dos produtos de couro foram de quase US$ 1,4 bilhão no
ano passado. Os calçados de couro representaram 91,5% das exportações.
Os Estados Unidos compraram 91,5% de todos os produtos de couros,
seguidos do Reino Unido e Canadá.
SOJA
Originária da China, a soja é hoje o principal grão do agronegócio
brasileiro. O país é o segundo maior produtor mundial da oleaginosa, com
uma safra de 52 milhões de toneladas e uma área plantada de 18,4 milhões
de hectares na temporada 2002/2003.
A soja é conhecida há mais de cinco mil anos. No Brasil, chegou em 1882,
quando foi introduzida no tórrido território baiano. A partir de 1940,
começou a ganhar importância na agricultura. Passados quase 64 anos,
transformou-se no maior destaque do agronegócio brasileiro. No ano
passado, o Brasil assumiu a liderança no mercado internacional do
complexo soja (grãos, farelo e óleo), com exportações de US$ 8,1
bilhões, 31% acima do valor alcançado em 2002.
A expansão do plantio de soja é um dos maiores exemplos do potencial e
vocação agrícola brasileira. Até a década de 80, as lavouras da
oleaginosa se concentravam nos estados do Sul - Rio Grande do Sul,
Paraná e Santa Catarina. Graças ao desenvolvimento de cultivares
adaptados ao solo e ao clima das diferentes regiões brasileiras, a soja
se espalhou também pelo Centro-Oeste, nos estados de Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal, além de parte do Nordeste -
principalmente no oeste da Bahia e no sul do Maranhão e do Piauí.
O crescimento da soja no Brasil também foi fantástico. Em 1990/1991, a
colheita foi de 15,3 milhões de toneladas, com uma área plantada de 9,7
milhões de hectares. Com a safra de 52 milhões de toneladas em 2002/03,
a produção mais do que triplicou em 12 safras, em conseqüência dos
ganhos de rendimento.
SUCOS e FRUTAS
A fruticultura é estratégica para o agronegócio brasileiro. Com um
superávit de US$ 267 milhões em 2003, o setor ocupa uma área de 3,4
milhões de hectares. A produção de frutas permite obter um faturamento
bruto entre R$ 1 mil e R$ 20 mil por hectare. Hoje, o mercado interno
absorve 21 milhões de toneladas/ano e o excedente exportável é de cerca
de 17 milhões de toneladas.
Com uma fruticultura diversificada, o Brasil é um dos maiores pólos
mundiais de produção de sucos de frutas. No ano passado, as exportações
do setor alcançaram US$ 1,25 bilhão. Do total, 95,5% corresponde a suco
de laranja, do qual o país é o maior produtor e exportador. O setor
gerou receitas cambiais de US$ 1,2 bilhão em 2003, um resultado 14,6%
acima do valor vendido ao mercado externo em 2002. Os principais
destinos foram Bélgica, Países Baixos, Estados Unidos e Japão.
O Brasil é o terceiro pólo mundial de fruticultura, com uma produção
anual de cerca de 38 milhões de toneladas. Em 2003, as vendas externas
de frutas frescas alcançaram US$ 335,3 milhões, com um aumento de 39% em
comparação aos US$ 241 milhões obtidos em 2002. Neste ano, devem crescer
algo em torno de 15%, chegando a US$ 375 milhões. Com isso, torna-se
cada vez mais factível a meta brasileira de elevar a US$ 1 bilhão as
exportações de frutas frescas até o final desta década.
Consciente do enorme potencial do país na área de fruticultura, com
plenas condições de ampliar sua participação do mercado internacional, o
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e os produtores do
setor estão investindo em um sistema de cultivo de frutas de alto padrão
de qualidade e sanidade. É o programa de Produção Integrada de Frutas (PIF),
que prevê o emprego de normas de sustentabilidade ambiental, segurança
alimentar, viabilidade econômica e socialmente justa, mediante o uso de
tecnologias não agressivas ao meio ambiente e ao homem.
As frutas cultivadas no sistema de produção integrada vão para o mercado
com um selo de conformidade, atestando a sua qualidade e sanidade. Desde
que foi implantada, a PIF permitiu uma redução de 63% no uso de
agrotóxicos nos pomares de manga; de 50% no mamão; de 32% na uva; e de
30% na maçã.
PRODUTOS FLORESTAIS
A indústria brasileira de papel e celulose
tem vocação exportadora, graças a sua competitividade, o que tem se
refletido no aumento de sua participação no comércio internacional. Em
2003, as exportações de celulose cresceram mais de 50% em relação ao ano
anterior, saltando de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,7 bilhão. Os principais
destinos foram Estados Unidos, China,m Japão e países da União Européia.
Já as vendas externas de papel chegaram a US$ 1 bilhão em 2003, 21,5%
acima do valor comercializado em 2002, de US$ 900 milhões.
Papel, celulose, madeiras e suas obras compõem um importante item da
pauta de exportações brasileiras. No ano passado, o país exportou US$
4,9 bilhões de produtos florestais, representando um aumento de 28,6% em
comparação ao valor alcançado em 2002.
As exportações de madeira e suas obras aumentaram 18,4%, passando de US$
2,2 bilhões em 2002 para US$ 2,6 bilhões em 2003. Os Estados Unidos é o
principal comprador brasileiro, absorvendo 44% das vendas. Outros
importantes destinos foram Reino Unido, China, Bélgica, França, Japão e
Espanha.
ALGODÃO
O cultivo de algodão no Brasil deve dar um
salto nos próximos anos. A expansão do plantio indica que o país também
poderá assumir papel de destaque na cotonicultura mundial. As plantações
têm crescido especialmente em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul e na Bahia. Com alto grau de tecnologia, as lavouras de algodão
apresentam resultados animadores em termos de produção e produtividade.
As exportações da pluma dobraram em apenas uma safra, passando de US$ 93
milhões em 2002 para US$ 188,5 milhões em 2003. Na temporada 2003/04, o
país deve produzir 1,2 milhão de toneladas do produto em pluma, contra
847,5 milhões de toneladas do período anterior. Isso representa um
crescimento de 46,3%, o que significou um acréscimo de 392,6 milhões de
toneladas na produção de algodão. A área plantada deve passar de 735,1
milhões de hectares para 1 milhão de hectares.
CACAU
Bebida sagrada para os povos indígenas da América, o cacau passou a ter
importância comercial no Brasil dos fins do século XVII. Embora tenha
sido cultivado inicialmente no Norte do país, o cacau só ganhou força
depois de ser introduzido no sul da Bahia, onde encontrou as condições
naturais favoráveis para se expandir. Até hoje, a região é a principal
pólo de produção da cacauicultura, setor cuja trajetória teve importante
participação na economia e na política brasileira das últimas décadas.
As exportações de cacau e seus derivados aumentaram 55,4% em 2003,
saltando de US$ 206 milhões em 2002 para US$ 321 milhões no ano passado.
AGRICULTURA ORGÂNICA
O aumento crescente da demanda por
produtos livres de agrotóxicos tem impulsionado a agricultura orgânica
no Brasil. Sistema de manejo sustentável que dispensa o uso de
agrotóxicos sintéticos, esse sistema agrícola privilegia a preservação
ambiental, a biodiversidade, os ciclos biológicos e a qualidade de vida
do homem. Com uma área plantada de 842 mil de hectares, o setor
movimentou cerca de US$ 1 bilhão em 2003. O país tem 19 mil propriedades
orgânicas certificadas e 174 processadoras espalhadas em diversas
regiões.
A agricultura orgânica brasileira cresce a uma taxa anual de 20% e já
tem grande participação no mercado interno e, em breve, deve ampliar sua
presença no mercado internacional. A crescente demanda por produtos
orgânicos está fortemente relacionada ao aumento da exigência dos
consumidores, internos e externos, com a qualidade dos alimentos e com
os impactos da agricultura sobre o meio ambiente. A expansão da
agricultura orgânica também pode ser atribuída ao desenvolvimento de um
mercado mais justo para produtores e consumidores, que é altamente
gerador de empregos.
Em 2003, o Brasil aprovou uma lei específica para a agricultura
orgânica. Ao mesmo tempo, elaborou um plano de trabalho para executar o
Programa de Desenvolvimento na Agricultura Orgânica, contemplado no
Plano Plurianual 2004-2007. Com isso, o governo brasileiro valoriza o
segmento, estruturando o gerenciamento físico e financeiro das ações
para a área.
PESQUISA & DESENVOLVIMENTO
O conhecimento e tecnologia são
instrumentos imprescindíveis ao crescimento sustentável do agronegócio
do Brasil. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem
papel fundamental no desenvolvimento de pesquisas e na produção de novas
técnicas agrícolas e pecuárias, além de contribuir com a agroindústria.
Reconhecida como uma das grandes responsáveis pelo aumento da produção
brasileira de grãos, que atingiu 9,5% em 2003, a Embrapa lidera o
Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA). Essa rede engloba,
além das unidades de pesquisa e desenvolvimento da empresa, centros de
pesquisa agropecuária estaduais, algumas universidades brasileiras e
outras instituições privadas. Também fazem parte do sistema os
Laboratórios Virtuais no Exterior (Labex) da Embrapa, implantados
atualmente nos Estados Unidos e na Europa (França).
Estudos de simulação feitos pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) demonstraram que os investimentos em pesquisa e
desenvolvimento podem elevar a produção de grãos no Brasil a 295 milhões
de toneladas com a utilização da tecnologia já disponível, hoje usada
apenas por uma parte dos produtores brasileiros. De acordo com
especialistas da área, a Embrapa desenvolve 52% dos projetos em
agricultura no Brasil. Governos estaduais contribuem com 20%.
Universidades, com 21%.
As variedades de sementes desenvolvidas pela Embrapa representaram 77%
das variedades de arroz oferecidas no Brasil entre 1976 e 1999; 30% do
feijão; e 37% da soja. Entre os materiais desenvolvidos pela empresa até
2004 são contabilizadas 91 variedades de arroz, 36 de feijão, 68 de
milho, 87 de trigo, 37 de algodão e 210 variedades de soja.
O imenso potencial do agronegócio brasileiro, aliado à capacidade
instalada de suas instituições e à reconhecida criatividade de seus
pesquisadores, abrem enormes possibilidades de investimentos externos e
privados em pesquisa e desenvolvimento no país. Cosméticos,
nutracêuticos, uso da biotecnologia para desenvolvimento de raças e
variedades resistentes a parasitas, doenças, pragas, estresse hídrico e
secas prolongadas, juntamente com informática agropecuária e agricultura
de precisão, são algumas das áreas que apresentam as melhores
oportunidades de investimento por intermédio de parceria público-privado
para a geração de conhecimento técnico-científico.
Maiores Informações:
estatistica@agriculura.gov.br